Doze dias antes da prisão de Bruno Valadares de Almeida, de 39 anos, suspeito, segundo as investigações, de ser o mandante da morte do empresário Wallace Lovato, o advogado que o representa entregou documentos à Polícia Civil na Delegacia Regional de Vila Velha. Conforme a defesa, realizada por Jonatas Pinho, a documentação traz esclarecimentos em relação ao crime. A informação foi confirmada pelo próprio advogado em entrevista ao repórter João Britto, da
TV Gazeta.
A decisão de antecipar a entrega dos documentos partiu do próprio Bruno ao ver o suspeito de ser o intermediário do crime, Eferson Ferreira Alves, se entregar. “Acompanhando a informações sobre o intermediário e como funcionário ele teve contato com a pessoa (intermediário), a primeira coisa foi entrar em contato com a autoridade competente”, frisou o advogado.
"Reafirmo que ele é inocente. É um caso complexo. Larguei todos os meus processos e estou trabalhando exclusivamente nele. Estou vendo inocência dele, se não, eu não pegava o caso. A fase do processo é investigatório e não para dizer o grau de culpabilidade ou não do cliente, é simplesmente o momento para prestar esclarecimentos, por isso não vemos necessidade de prisão", comentou Pinho.
O pedido de liberdade foi feito, mas a Justiça não concedeu. Além de Bruno, outros três suspeitos estão presos, são eles: Arthur Laudevino Candeas Luppi, identificado como motorista do carro que deu fuga; Arthur Neves de Barros, apontado como atirador e Eferson Ferreira Alves, o intermediário.
Confira, abaixo, a cronologia do caso:
Em 25 de junho, a
Justiça decretou sigilo absoluto no caso, ou seja, nenhuma informação do processo poderia ser divulgada publicamente — nem mesmo os advogados que não estejam diretamente envolvidos têm acesso. Os níveis de sigilo são:
No dia 12 de julho,
o diretor financeiro da Globalsys, fundada por Wallace, foi preso. Bruno Valadares de Almeida, de 39 anos, estava em casa, no bairro Jardim Colorado, em Vila Velha. No local foram apreendidos notebook, celular, joias, dinheiro e duas armas.
A defesa de Bruno, representada pela assessoria jurídica Pires & Pinho, declarou, por meio de nota enviada na segunda-feira (14), que o cliente é inocente de todas as acusações. "Já foi solicitada a habilitação nos autos do processo a fim de assegurar o pleno direito de defesa e contribuir para o esclarecimento da verdade dos fatos. Demais informações serão oportunamente divulgadas, conforme o regular andamento do processo e as decisões que forem sendo proferidas pela Justiça", informou.
Em nota enviada à imprensa após a prisão de Bruno,
a família de Wallace Lovato disse estar impactada com a notícia: "O trabalho sempre foi um dos principais motores da vida de Wallace. É muito triste para nós saber que um filho, marido e pai de duas crianças se foi e que a suspeita recai nos interesses comerciais e financeiros. Seguimos acompanhando as investigações com fé, confiança e respeito pelo trabalho da polícia. Agradecemos o empenho de todos que estão direta ou indiretamente envolvidos na apuração. Esperamos que toda verdade seja esclarecida. A dor não vai passar, mas a justiça precisa ser feita".
Também no sábado (12), depois da prisão do diretor financeiro, o CEO da Globalsys, Thiago Molino, informou que tomou imediatamente "todas as providências para rescindir qualquer relação do prestador de serviço investigado com a empresa. Seguimos confiando nas investigações e acreditando que a justiça será feita".
"É mais um passo nessa investigação, porque identificamos o motorista, o pistoleiro, o intermediário, e agora a gente identifica uma outra pessoa que teve um vínculo com o intermediário. [...] Estamos falando de uma ligação. Pode ser transferência bancária... Deixa a polícia investigar, mas tem claramente um vínculo, uma ligação entre o diretor e o intermediário", pontuou Casagrande.
Como o caso está em sigilo, a
Polícia Civil não pôde dar detalhes, mas informou que ele segue sob investigação da DHPP de Vila Velha. O governador reiterou que a prisão de Bruno não significava a conclusão do inquérito. "Fatos novos poderão acontecer decorrentes da oitiva desse diretor da empresa. Então, a partir de todas essas quatro pessoas envolvidas é que o crime de fato vai sendo elucidado", ressaltou Casagrande.
A reportagem tenta localizar a defesa dos outros presos durante a investigação. O espaço segue aberto para manifestações.