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Advogado alvo de operação do Ministério Público continua foragido

Dos nove mandados de prisão contra advogados, apenas um continua em aberto. Segundo levantamentos do Ministério Público, os advogados eram a ponte entre as lideranças presas e criminosos procurados

Movimentação em frente ao Ministério Público Estadual na Prainha em Vila Velha.
Movimentação em frente ao Ministério Público Estadual na Prainha em Vila Velha na segunda-feira (19). Crédito: Rodrigo Gavini

O advogado Lucas Depolo Muniz é considerado foragido pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Ele era um dos alvos da “Operação Armistício” realizada na manhã de segunda-feira (19), no Espírito Santo. 

O objetivo era o cumprimento de 37 mandados de prisão, sendo que nove deles eram contra advogados, sob a acusação de participarem de uma organização criminosa que atua em todo o Estado.  Oito mandados foram cumpridos na segunda-feira. A facção Primeiro Comando de Vitória (PCV) é responsável por crimes que vão desde o tráfico de drogas e armas até homicídios e queima de ônibus.

Segundo levantamentos do Ministério Público, os advogados eram a ponte entre as lideranças presas e criminosos procurados, dando voz de comando aos demais integrantes do grupo fora das penitenciárias. Mais que movimentar drogas, a engrenagem criminosa também movimenta muito dinheiro, tendo diversas ramificações por todo o território capixaba.

O relatório que embasou o pedido de prisão de Lucas Depolo Muniz aponta que ele é defensor de Carlos Alberto Furtado, o Beto, e João de Andrade, o Joãozinho da 12, ambos apontados como lideranças do PCV. Tanto Beto quanto Joãozinho da 12 foram transferidos  para presídios federais fora do Espírito Santo, com outros três presos que possuem altos cargos na facção, que são Giovani Otacílio de Souza, o Paraíba; Geovane de Andrade Bento, o Vaninho; e Pablo Bernardes, o Geléia. 

Para o Ministério Público, com "a facilidade do acesso de Lucas na unidade prisional, em decorrência da profissão que exerce como operador do Direito, ele auxilia diretamente seus clientes com o envio de informações e recados, por diferentes meios, ao líder Fernando Marujo". Marujo é Fernando Pimenta, braço forte de Beto, que está foragido, sendo procurado inclusive pelas forças de segurança do Rio de Janeiro. 

CATUQUES

O leva e traz de recados era feito por meio de bilhetes escritos à mão, bloco de notas no celular, mensagens de áudio e até videochamadas com o celular próprio de advogados.

Os recados eram chamados pela organização criminosa de "catuques". No conteúdo dessas mensagens estavam desde ordem ou permissão para assassinatos e queima de ônibus até contabilidades do tráfico de drogas e armas.

No caso do advogado Lucas Depolo, um dos "catuques" interceptado pelas investigações faz referência à "acerto de contas" de um indivíduo que estaria adulterando drogas da boca de fumo da facção, além de mencionar um homicídio cometido por alguns dos associados do PCV.

NÃO LOCALIZADO

Durante a operação, o advogado Lucas Depolo não foi localizado no endereço que constava no mandado de prisão e também não se apresentou até a tarde desta terça-feira (20). 

Além de ser investigado pelo crime de organização criminosa, o advogado já responde em liberdade a dois processos de homicídios. Inclusive, em dois deles ele responde com Giovani Otacílio, o Paraíba, que está na lista dos transferidos para presídios federais. 

O Gaeco investiga nove advogados. Foram presos durante a operação: Márcia Borlini Marim Sanches, Lina Demoner Medani Tristão, Chayene Evelyn Carvalho de Moraes, Emanuella Carlette Sobreira, Paloma Maroto Gasiglia e Thelma Barcellos Bernardes. 

Durante à tarde, se entregaram no Ministério Público: Joyce da Silva Boroto e Alzemir Rosa Miranda. Somente Lucas Depolo Muniz está foragido. 

Os mandados são de prisão preventiva, porém, com Regime Disciplinar Diferenciado, ou seja, os advogados cumprirão em prisão domiciliar, sendo monitorados por tornozeleira eletrônica. 

VANTAGENS

Sobre as vantagens que advogados recebiam em troca de realizarem os "catuques", o Ministério Público informou que ainda não tem registro de negociações de valores. No entanto, é certo que o pagamento não surgia apenas dos clientes, mas sim da facção como um todo, uma vez que o vai e vem de recados mantinha a engrenagem do tráfico de drogas funcionando, assim como os lucros e crimes provenientes deles.

Sobre os 37 mandados de prisão, o MP não repassou o balanço de quantas pessoas foram presas ao todo, mas informou que a próxima fase será ouvir os advogados e demais detidos nesta segunda-feira (19), analisar o material apreendido e concluir as investigações, realizando os indiciamentos adequados.

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