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O socorro (em silêncio)

Solidariedade: o dia em que vida de morador de rua mudou na Serra

Um bom papo e um churrasquinho. Autônomo da Serra iniciou rede de solidariedade ao apenas oferecer comida e "ouvidos" para um homem em situação de rua

Publicado em 16 de Agosto de 2019 às 07:40

Redação de A Gazeta

Publicado em 

16 ago 2019 às 07:40
Flávio teve os cabelos e barba cortados gratuitamente por um barbeiro de Laranjeiras, na Serra Crédito: Acervo Pessoal
"Pense globalmente, aja localmente". Assim como diz a frase conhecida nas últimas décadas, um morador de de Laranjeiras, na Serra, decidiu fazer a diferença ajudando uma pessoa que estava bem perto, mas tido por muitos como invisível: um homem em situação de rua.
Ao ser abordado por Flávio Ferreira de Menezes, de 37 anos, o autônomo Thyaro Thedaldi, 36, ofereceu um lanche e o chamou para conversar. Após ouvir a história dele, montou uma rede de solidariedade, conseguindo um abrigo para que ele pudesse dormir, alimentar-se e ter apoio na luta contra o vício em drogas. 
O ENCONTRO
Thyaro conta que todos os dias frequenta um churrasquinho em Laranjeiras, na Serra. Mas na última quinta-feira (15) chegou mais cedo do que o costume. A antecipação resultou no encontro com Flávio, que o abordou pedindo um cigarro. 
Ele disse que o cigarro enganava a fome. Ele estava sujo, com febre e tremendo de frio. Eu ofereci, então, um churrasquinho e ele aceitou. Eu vi no semblante dele que ele estava, mesmo calado, gritando por socorro. Ele aceitou o lanche e eu pedi que se sentasse comigo na mesa. Foi nesse momento que ele contou sua história
A HISTÓRIA
Flávio é natural de São Paulo, mas foi criado no Mato Grosso. Há cerca de sete anos ele foi a São Paulo visitar parte da família. No local, conheceu um parente que era usuário de crack e experimentou a droga pela primeira vez, viciando de imediato. Após cerca de um ano, em 2013, ele veio ao Espírito Santo para trabalhar como açougueiro e ficou anos afastado das drogas. 
O açougueiro chegou a casar com uma capixaba e conseguiu ter uma vida feliz e saudável nos últimos anos. Mas em janeiro de 2019 ele teve uma recaída, largou o emprego, saiu de casa e passou a morar nas ruas. 
"Há três dias a mulher dele estava dentro de um ônibus, quando avistou o Flávio entrando em um terreno baldio para se drogar. Ela imediatamente desceu do carro, foi até ele e chutou as latas, impedindo que ele se drogasse. Foi a partir daí que ele decidiu procurar ajuda e disse e deu a sorte de me encontrar na hora e local certo", lembrou.
Flávio com Thyaro e Robinho Gari, na companhia do churrasqueiro Pedro e o barbeiro da região Crédito: Acervo pessoal
REDE DE APOIO
Thyaro não pensou duas vezes. Ao perceber que do outro lado da rua havia um barbeiro, contou a história de Flávio e pediu um corte de cabelo e barba gratuitamente. O dono do local aceitou ajudar e um funcionário fez o corte, dando mais dignidade ao açougueiro. 
"Depois, fiz algumas ligações e o Robinho Gari, vereador da Serra, foi imediatamente ao local. Ele tinha o contato de uma casa do Centro de Recuperação de Dependentes Químicos Obra de Amor, em Jacaraípe, e ligou para o pastor responsável pelo local, que disponibilizou uma vaga ao Flávio. Assim que chegamos, o Flávio entregou o isqueiro e o cachimbo, dizendo que não queria mais aquilo. Ele ficou muito agradecido", lembra. 
SAIBA COMO AJUDAR
Ao checar no centro de recuperação, Flávio foi recebido pelo pastor Gelson Portela. Ele ganhou um kit de higiene, tomou banho e conheceu o quarto que iria dormir. De acordo com Thyaro, a casa atua com portas abertas, sem obrigar que ninguém fique lá dentro para o tratamento. O local funciona sem ajuda de órgãos públicos e precisa de doações como comida, itens de higiene, roupas e extintores de incêndio. Para ajudar, basta ligar para (27) 99864-3229 ou (27) 3011-5967.
"Essa casa ajuda várias pessoas e está precisando de colaborações. Eles gastam 400 quilos de comida por mês. O Flávio pediu para ligar para a esposa. Quando liguei, perguntando se era a mulher dele, ela ficou a assustada e respondeu: 'sim, porquê? Ele está morto?'. Eu respondi que não, que ele estava salvo. Ela passou o meu número para a mãe dele, que me ligou. Ela também achava que o filho já estava morto e ficou aliviada coma  notícia". 
Vereador Robinho Gari e Thyaro com Flávio em abrigo, em Jacaraípe, na Serra Crédito: Acervo pessoal
Agora, Thyaro torce para que Flávio consiga seguir em recuperação longe das drogas. 
"A maneira que ele falou comigo, super esclarecido, e o olhar sincero dele me fez sentir algo diferente. E sem contar que se a gente não se mover para ajudar o próximo, não vai adiantar ficar só reclamando. Depois desse dia, fui dormir em paz", comemorou. 

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