Segundo maior produtor de petróleo do Brasil, o Espírito Santo deve receber R$ 38,4 bilhões em investimentos em nove projetos no setor até 2031. O levantamento dos recursos a serem aplicados no Estado foi feito pelo Observatório da Indústria da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes).
Os projetos envolvem as empresas Petrobras, Prio, BW Energy, ES Gás, Prysmian Group, Imetame, Seacrest, Shell e NBS Petróleo e Gás e foram apresentados no lançamento da nona edição do Anuário da Indústria do Petróleo e Gás Natural no Espírito Santo, realizado nesta terça-feira (14), no Palácio Anchieta, em Vitória.
O documento do Observatório da Indústria apresenta dados e análises do setor e também aponta que, entre 2025 e 2027, a produção de óleo deve crescer 13,5% ao ano. Em 2025, a produção de petróleo no Espírito Santo foi de 192,9 mil barris por dia.
“Para atingir esse pico, contamos com a aceleração da produção do FPSO (navio-plataforma) Maria Quitéria, instalado no campo de Jubarte, o início da produção no campo de Wahoo neste ano e a expansão da produção no campo de Golfinho”, explica o gerente de Ambiente de Negócios da Findes, Nathan Diir.
O maior investimento para os próximos anos é da Petrobras, com R$ 29 bilhões estimados para o Espírito Santo. Desse total, R$ 17 bilhões já estão em execução. Segundo informações do Anuário, a maior parte dos recursos será aplicada na área de exploração e produção no Estado, com destaque para o processo de implantação do Maria Quitéria, que entrou em operação no Parque das Baleias em 2024 e agora está em fase de ramp-up (ganho de produção). A empresa vai investir ainda em iniciativas em áreas de refino, comercialização, gás e energia no território capixaba.
A Prio tem o segundo maior volume de investimentos no Estado, no desenvolvimento do campo de Wahoo, estimado em R$ 4,5 bilhões. O projeto prevê a perfuração de seis poços, sendo quatro produtores e dois injetores que serão conectados ao FPSO Frade, no Rio de Janeiro, por uma conexão submarina de cerca de 35 quilômetros.
A empresa recebeu em março a licença para operar no campo no Sul do Estado e, até o início de abril, já tinha colocado três poços para produzir, atingindo 32 mil barris de óleo por dia. O quarto poço está previsto para ser aberto até o final de abril, quando a empresa vai limitar a produção no campo de 40 mil barris de petróleo por dia.
Em terceiro lugar no ranking de investimentos está a BW Energy, com previsão de R$ 3,6 bilhões até 2030, sendo direcionados às operações da empresa na área de exploração e produção. Estão previstas novas perfurações no Polo de Golfinho, na Bacia do Espírito Santo. E no campo de Camarupim, o projeto contempla a interligação da produção de gás ao FPSO Cidade de Vitória.
A gerente executiva do Observatório e economista-chefe da Findes, Marília Silva, aponta que o setor tem grande importância econômica para o Estado.
“Esse é um segmento que gera empregos com salários melhores e demanda diversos segmentos. Os dados do Ministério do Trabalho mostram que, no Estado, temos 652 empresas que fazem parte da cadeia produtiva do petróleo e gás, que juntas geram 17,2 mil empregos formais diretos, com salário médio de R$ 7.954,70”, comenta.
Paulo Baraona, presidente da Findes, lembrou da importância do setor para o economia do Espírito Santo, visto que responde por cerca de 5% do PIB do Estado e por mais de 21% da indústria, sendo o setor industrial com a maior participação do PIB capixaba.
Descomissionamento é nova frente
De acordo com as projeções do Anuário, a partir de 2028 terá início um processo de declínio natural dos campos capixabas, o que resultará na redução da produção. Com isso, haverá demanda para trabalhos de descomissionamento, que é o encerramento definitivo das atividades de estruturas, como as plataformas de petróleo.
“Os campos de petróleo estão amadurecendo, e esse movimento não é local, mas nacional. Nos próximos anos, muitas plataformas encerrarão suas atividades. É nesse cenário que surge a oportunidade de sermos o primeiro Estado brasileiro a estruturar, de forma sistemática, a cadeia de descomissionamento offshore”, afirma o presidente da Findes.
Atualmente, 26 projetos de descomissionamento estão aprovados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Juntos, representam investimentos de R$ 4,8 bilhões.
“Esse é um volume expressivo, capaz de atrair empresas especializadas e posicionar o Espírito Santo como referência nacional nesse novo mercado. Temos a oportunidade de sermos pioneiros na estruturação dessa cadeia no Brasil. Esse é um mercado que se abre para o Brasil e no qual a Findes está atuando para que se desenvolva e ganhe escala”, afirma Baraona.