Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

Efeito das restrições

Pandemia faz indústrias do ES reduzirem e até pararem produção

Segundo empresários, restrições ao comércio no Estado e no país têm derrubado as vendas. Algumas empresas estão dando férias coletivas aos funcionários

Publicado em 

29 mar 2021 às 02:00

Publicado em 29 de Março de 2021 às 02:00

Setor moveleiro se prepara para voltar a fabricar móveis em Linhares
Fábrica de móveis: setor moveleiro é um dos que mais tem sofrido Crédito: TV Gazeta/Reprodução
O avanço da pandemia do coronavírus tem preocupado empresários do Espírito Santo, que vêm registrando quedas expressivas nas vendas desde que tiveram início as restrições no comércio em território capixaba e em outros locais do país. Para minimizar os prejuízos, muitas indústrias vem reduzindo ou até mesmo interrompendo a produção.
No país, empresas como Nissan, Volvo, General Motors, Volkswagen, Mercedes e Scania anunciaram nos últimos dias a parada nas linhas de montagem. As justificativas dadas pelas montadoras são a necessidade de preservar a vida de seus trabalhadores e de ganhar tempo para lidar com a falta de peças no mercado.
A Marcopolo/Volare, a única montadora instalada no Estado, informou que está mantendo a produção e o quadro atual, e vem seguindo todos os protocolos de prevenção à Covid-19, embora ressalte que se mantém atenta ao cenário.
Já no setor moveleiro, a situação é crítica, segundo relato do presidente do Sindicato das Indústrias da Madeira e do Mobiliário de Linhares e da  Região Norte do Espírito Santo (Sindimol), Bruno Rangel, que é diretor da MGM Móveis.
Na primeira fase da pandemia, no segundo trimestre do ano passado, muitos trabalhadores investiram na montagem de um espaço home office para poder trabalhar de casa. Depois, a atividade econômica ensaiou uma recuperação e a população investiu no conforto do lar. Tudo isso fez com que aumentasse a demanda por móveis.
“Tivemos uma demanda muito alta no ano passado. Mas saímos disso para uma retração extremamente grande nas vendas a partir do começo deste ano. Temos diversas fábricas paradas, inclusive a minha, por que as empresas pararam de comprar ou adiaram pedidos. O cliente está fechado. Como vai receber produto? E para que vai receber produto, se não tem como vender?”, questiona.
Ele observa que como a quarentena no Estado, particularmente, ainda é recente, não se fala em demissão no momento. Segundo o empresário, de modo geral, as indústrias moveleiras têm retido os funcionários utilizando banco de horas e dando férias durante a paralisação.
A estratégia também pretende ser adotada no mês de abril pelo empresário José Carlos Bergamin, proprietário das lojas e da indústria de confecção da marca Konyk. Ele explica que a produção só não foi interrompida ainda porque a empresa trabalha na conclusão da linha de roupas de inverno, que serão estocadas para venda posterior.
“São medidas para tentar evitar que aconteça o mesmo que houve no ano passado. Quando veio o fechamento em março e abril de 2020, a produção e o estoque foram a zero. Quando veio a recuperação, por volta de agosto, veio uma demanda alta, mas não conseguimos atender porque tínhamos um número de trabalhadores menor, e por causa da falta de matéria-prima.”
Ele reforça que ainda hoje muitos insumos chegam a custar entre 35% e 40% a mais do que custavam antes da pandemia. Além disso, alguns produtos passaram a ser importados em função da dificuldade de compra no país, o que também aumenta o custo.
“Tudo isso tem um custo. Mas, pelo menos dessa vez, estamos mais organizados. Vou dar férias coletivas aos funcionários no mês que vem, quando a produção da linha de inverno for concluída. Diante do que temos observado, com municípios já adotando o lockdown, há certa apreensão. Mas, se o comércio reabrir, vamos ter o que vender.”
Bergamin observa, entretanto, que este não é o caso de todas as empresas do setor e que muitas confecções no interior do Estado, principalmente, vem passando por dificuldades. “E é um movimento em cadeia. Quando um setor paralisa, outro também tem perdas.”
O ponto é reforçado pelo empresário Fabrício Rocha, proprietário da Cartonagem Rocha. A empresa, que fabrica caixas de papelão e outras embalagens em Vila Velha, já observou uma queda de 20% nas vendas do mês em função das restrições ao comércio.
“As empresas do segmento da confecção, por exemplo, compravam muito. Mas, com o fechamento das lojas, também tiveram queda nas vendas e pararam de comprar. Isso nos levou a reduzir a produção também.”
Empresário Fabrício Rocha, sócio da Cartonagem Rocha, diz que falta papelão
Empresário Fabrício Rocha diz que vendas já cairam 20% Crédito: Acervo pessoal
Ele conta que além das caixas que atendem as indústrias de médio porte, também produz, por exemplo, caixas para sorvetes. Mas como as lanchonetes e sorveterias estão fechadas, as vendas derreteram.
“E isso se deve não apenas às restrições no Espírito Santo, mas também em outros Estados para os quais vendemos. A situação é a mesma em todo lugar. Só nos resta esperar por uma melhora.”
A presidente da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), Cris Samorini, reforçou que alguns segmentos têm sido mais penalizados em função da grande dependência do comércio não só do Estado quanto do país, tanto para aquisição de matéria-prima quanto para a venda do produto final.
A esperança, segundo a executiva, é de que as restrições surtam o efeito esperado, de contribuir para a redução do número de casos da Covid-19 e da taxa de ocupação de leitos, e permitam uma flexibilização em alguns dias, quando chegar ao fim a quarentena.
Cris Samorini, empresária e presidente da Federação das Indústrias do ES - Findes
Cris Samorini, empresária e presidente da Federação das Indústrias do ES Crédito: Carlos Alberto Silva
“Tivemos reuniões com lideranças da indústria de diversos locais, e todos estão muito aflitos. É preciso dar um exemplo forte de enfrentamento à pandemia, pois só há um caminho para sairmos dessa crise, que é controlar a situação.”
Ela reforça que a federação tem intensificado junto às indústrias a implementação de protocolos de segurança para diminuir os riscos de contaminação de trabalhadores, mas que há ações que precisam ser desenvolvidas externamente para que o cenário mude, como a aceleração do cronograma de vacinação.

Este vídeo pode te interessar

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Imagem de destaque
Cetaf perde para Tatuí e entra na lanterna da Liga Ouro de basquetec
Imagem de destaque
Novos documentos mostram "contabilidade" do esquema de tráfico com policial do Denarc
Imagem de destaque
Estudo orienta inclusão de todos os municípios do ES na área da Sudene

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados