Com um navio encalhado desde terça-feira, dia 23, no Canal de Suez, o tráfego de cargas em todo mundo pode ser abalado diante das dificuldades de destravar a embarcação que atravessou a via marítima. Os impactos, inclusive, podem chegar ao Porto de Vitória se o desbloqueio não ocorrer logo. O setor mais afetado no Espírito Santo poderá ser o de importação.
O porta-contêineres, Ever Given, de 400 metros de comprimento, está parcialmente atravessado no canal que tem 365 metros de largura. Apesar de vários esforços, as equipes estão tendo diversas dificuldades para retirar o navio da posição, que impede a passagens de outras cargas e provocado um engarrafamento marítimo mundial.
Segundo o empresário, Sidemar Acosta, presidente do Sindicato do Comércio de Exportação e Importação (Sindiex-ES), a suspensão momentânea pode atrasar a chegada de algumas mercadorias no Porto de Vitória, mas ele diz que a consequência será amenizada pela vinda de produtos por outras rotas.
Ele explica ser cedo para mensurar as consequências operacionais e financeiras. Estas dependerão do tempo necessário para que as operações sejam restabelecidas no local.
"Apesar de ser um canal de ligação importantíssimo para o transporte global de mercadorias, avaliamos que ainda não existe uma consequência imediata. A suspensão momentânea da navegação pelo Canal de Suez certamente terá impacto no transit time de algumas mercadorias destinadas ao Porto de Vitória, pois recebemos muitos produtos da Ásia e da Europa"
O gigante e outros cargueiros de mesmo porte estão sob o risco iminente de serem alvos de piratas, criminosos que assaltam as embarcações para roubar mercadorias valiosas.
O Canal de Suez está situado entre o Mar Mediterrâneo e o Mar Vermelho e é uma das rotas de navio mais utilizadas do mundo para atravessar produtos da Ásia para a Europa, e vice-versa, até outros países do Continente Americano.
Segundo o site BBC Brasil, várias equipes estão aproveitando desde sábado a maré alta num esforço para desencalhar o cargueiro. Se nada funcionar, parte dos contêineres pode ser descarregada para deixar a embarcação mais leve e assim tentar a manobra de salvamento, mas essa operação pode causar ainda mais demora para o desbloqueio do canal.
O incidente, aliás, prejudicou mais de 300 navios, alguns estão à espera de uma solução, outros decidiram passar pelo continente africano, dando uma volta maior até o destino final, mas há o risco de serem atacados por outras embarcações de traficantes que vigiam o local.
PREÇOS DE COMMODITIES SOBEM
De olho nos impasses para a retirada do cargueiro, o preço de diversos produtos internacionais está subindo. Os contratos futuros de petróleo, por exemplo, voltaram a subir na última sexta-feira (26).
O barril de petróleo WTI para maio subia 2,10% a US$ 59,79, enquanto o de Brent para junho avançava 1,97%, a US$ 63,02. A commodity já havia se fortalecido na terça-feira com a notícia sobre o bloqueio em Suez, mas na quarta teve forte correção negativa por preocupações sobre o avanço da pandemia.
"Podemos ficar aqui por dias. Nada está se movendo, e a conversa no rádio é que ficaremos aqui até o fim de semana"
Terminal Portuário de Vila Velha
De acordo com o site Marine Traffic, que acompanha o trânsito marítimo mundial, mais de 100 navios estão parados nas proximidades de Suez e aguardam o desbloqueio do canal para seguir viagem. Para além de atrasos nas entregas, circula no mercado o temor de encarecimento de fretes, caso o impasse com o Ever Given não seja resolvido rapidamente.
As transportadoras Maersk e Hapag-Lloyd AG já consideram desviar seus navios pela África, evitando o engarrafamento na hidrovia. "Estamos considerando todas as opções de entrega de carga para nossos clientes, incluindo transporte aéreo, ferroviário e envio de navios pela África do Sul, mas nenhuma decisão foi tomada", disse um porta-voz da Maersk ao Wall Street Journal. A dinamarquesa Torm AS informa que seus clientes já perguntam quanto custaria para tornar o desvio possível. (Com agências internacionais).
Com informações de agências