Publicado em 17 de junho de 2025 às 15:52
A atividade econômica do Espírito Santo cresceu 1,2% no acumulado em 12 meses até março, mas retraiu 1,2% no primeiro trimestre deste ano, influenciada negativamente pela indústria, onde houve queda no setor extrativo. Os dados fazem parte do Indicador de Atividade Econômica (IAE), calculado pelo Observatório da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes) e divulgado na manhã desta terça-feira (17).>
Segundo as estimativas da Findes, o ano de 2025 deve encerrar com a economia do Espírito Santo retraindo 0,8%.>
O crescimento da economia capixaba no acumulado de 12 meses foi influenciado pelos setores de agropecuária (5,5%) e serviços (2,4%), sendo que a indústria teve queda de 2,6%. Já a economia brasileira avançou 3,5% impulsionada por todos os setores: agropecuária (1,8%), indústria (3,1%) e serviços (3,3%). >
Nos primeiros três meses do ano, a atividade econômica do Espírito Santo recuou 1,2% em relação ao mesmo período de 2024, segundo o indicador da Findes. O setor de Serviços cresceu 0,9%. Já a agropecuária e a indústria caíram 3,7% e 6,8%, respectivamente. Por conta disso, a economista-chefe da federação, Marília Silva, aponta que as perspectivas para 2025 são cautelosas. >
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No caso do setor de serviços, demais atividades de serviços (0,9%), transporte (0,8%) e comércio (0,4%) influenciaram positivamente o resultado.>
“Os aumentos do transporte aéreo de passageiros e da atividade de turismo impactaram positivamente o setor de transportes e compensaram a retração observada no transporte de cargas. Somado a isso tivemos a alta nas vendas do comércio de artigos essenciais, como alimentos e artigos farmacêuticos”, comenta Marília.>
A queda da agropecuária foi influenciada pela atividade da agricultura, que caiu 11%, com destaque para o café, a pimenta-do-reino, a cana-de-açúcar, o milho, a banana, o tomate e o coco-da-baía. Já a pecuária cresceu 3,2% com os bons resultados da suinocultura e do segmento de aves e ovos. >
Já o desempenho da indústria é influenciado, principalmente, pelo setor extrativo, que retraiu 16,3%. Já o segmento de construção apresentou leve queda de 0,2%, e a indústria de transformação ficou estável (0%) no período. Enquanto isso, a atividade de energia e saneamento teve crescimento de 5,8%.>
No comércio internacional também houve queda. O Espírito Santo registrou uma corrente de comércio de US$ 5 bilhões no primeiro trimestre, valor 9,6% menor que o registrado no mesmo período do ano passado.>
“Essa queda foi puxada, principalmente, pelas importações, que caíram 12,4%, devido a uma redução nas compras de veículos. Já as exportações contraíram 6,5%, pressionadas pela redução nos preços internacionais das commodities”, explica Marília. >
A Findes avalia que o primeiro trimestre de 2025 foi marcado por taxas de juros elevadas. Segundo o 1º vice-presidente da federação, Eduardo Dalla Mura, esse cenário é desafiador para o empresário. >
“Os juros elevados encarecem o crédito, abalando a confiança dos empresários e restringindo o poder de compra dos consumidores. Quando fica mais caro pegar crédito, fica mais caro investir e o acesso a recursos de capital de giro, por exemplo, também se torna mais difícil. Ter taxas mais acessíveis é essencial para as necessidades do dia a dia das empresas”, aponta. >
Neste ano, o Comitê de Política Monetária (Copom), responsável por estabelecer as diretrizes da política monetária e definir a taxa básica de juros, realizou três aumentos da Taxa Selic, que chegou ao patamar de 14,75% ao ano. >
O Copom justificou esses aumentos com base nas incertezas do cenário internacional e nos fatores da economia nacional, como a elevação dos preços, o aumento nas projeções da inflação para este ano pelo mercado e o mercado de trabalho aquecido. >
A inflação ao consumidor no Brasil chegou a 5,32% no acumulado em 12 meses até maio e ficou acima do limite superior (4,50%) da meta de inflação para o ano (3%). Na Região Metropolitana da Grande Vitória, na mesma base de comparação, segundo o IPCA do IBGE, a inflação está em 5,15%. Os principais aumentos de preços foram registrados nos grupos de alimentação e bebidas (7,62%), educação (6,47%) e saúde e cuidados pessoais (5,21%). >
Se por um lado a inflação e os juros estão altos, a trajetória positiva no mercado de trabalho contribuiu para sustentar o consumo das famílias, na avaliação do gerente de Ambiente de Negócios do Observatório Findes, Nathan Diirr.>
“Assim como no Brasil, o Espírito Santo também foi marcado por um mercado de trabalho aquecido no primeiro trimestre. A taxa de desocupação no Estado no foi de 4%, um dos menores valores da série histórica e patamar abaixo da taxa média do país (7%). Além disso, o rendimento médio mensal do trabalho no ES acumulou um aumento de 10,5% em 12 meses até março (fechamento do trimestre), ficando cima do crescimento da inflação no período.” >
Segundo o economista, o crescimento da massa salarial acima da inflação mostra que os trabalhadores tiveram ganhos salariais reais, o que pode ter melhorado, em algum grau, a situação do consumo das famílias capixabas em tempos de inflação elevada. >
Com um alto grau de abertura econômica, o Espírito Santo está mais suscetível ao que acontece fora do país. Segundo a Findes, esse é um dos fatores que fizeram o Estado e o Brasil registrarem resultados diferentes na atividade econômica do primeiro trimestre. Além disso, por ter características estruturais diferentes da média nacional, em especial na agricultura e na indústria, não acompanhou o desempenho do país no trimestre. >
“No primeiro trimestre do ano tivemos um aumento da incerteza da política econômica global, devido às medidas de taxação das importações dos Estados Unidos, associada às tensões comerciais entre o país norte-americano e a China. Os efeitos mais imediatos sobre o comércio exterior do Estado se deram pela redução nos preços internacionais das commodities exportadas pelo Espírito Santo, com destaque para o petróleo e o minério de ferro”, explica Marília Silva. >
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