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Publicado em 22 de agosto de 2025 às 19:38
O Espírito Santo está se preparando para entrar na nova era econômica devido ao processo de simplificação dos impostos no Brasil que será implementado pela reforma tributária. O novo sistema vai impactar, principalmente, os Estados com alta produção industrial, mas com menor consumo, o que é o caso do Estado capixaba. Para mitigar os efeitos do novo regime, o governo estadual quer apostar nos investimentos para fortalecer a logística, o turismo e também atrair novas empresas.>
Essas foram algumas das ações destacadas pelo secretário de Desenvolvimento do Estado, Rogério Salume, para garantir competitividade tanto no período de transição quanto na época que a reforma entrar em vigor por completo. Os primeiros efeitos da transformação já devem ser sentidos no próximo ano, quando o IVA Dual começa a existir.>
Dois projetos do governo do Estado têm papel importante nesse processo. Um deles é a Agência Invest-ES, que começa a funcionar em setembro com a intenção de chamar novos negócios e investimentos. O desenvolvimento do Parklog, parque logístico no Norte do Espírito Santo, também é um caminho para consolidar o Estado como um hub logístico e garantir a competitividade.>
A reforma tributária, que prevê a tributação cobrada no destino da mercadoria em vez da origem, representa um desafio para o Espírito Santo. Por ser pequeno territorialmente e menos populoso, o território capixaba tem um mercado consumidor menor e está rodeado pelas maiores economias do país, São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Há uma preocupação de o novo modelo provocar perda de receitas. >
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O fim dos incentivos fiscais a partir de 2033 também é considerado uma ameaça. O temor é que empresas que se instaram no Estado para obter os benefícios possam migrar para regiões com maior mercado. >
Salume enfatiza que o consumo local é pequeno pelo quantitativo de pessoas, o que gera um problema para o Estado sob o novo modelo de tributação. "A reforma vem para todo mundo. Precisamos ter outros pilares que vão atrair, fortalecer e gerar essa vontade das empresas ficarem aqui ou virem para cá", afirma o secretário.>
Reforma é tema de debate na Rede Gazeta
Um debate crucial, a transformação do sistema de impostos será tema na próxima quarta-feira (27), às 8h30, do painel “Diálogos: Reforma Tributária”, uma iniciativa da A Gazeta com apoio da Rádio CBN.
Vão participar do debate – sobre os desafios e as oportunidades econômicas para o Espírito Santo – os secretários de Estado da Fazenda e de Desenvolvimento, Benício Costa e Rogério Salume; o consultor do FMI, Paulo Ricardo Cardoso; e o vice-governador Ricardo Ferraço. A mediação será feita pelo colunista de economia e negócios de A Gazeta, Abdo Filho.
O encontro, só para convidados, vai reunir na Rede Gazeta especialistas, líderes políticos, empresários, gestores públicos e representantes do setor produtivo para discutir os impactos da reforma no período de transição e no pós-reforma. O objetivo é revelar estratégias para mitigar perdas, promover o equilíbrio financeiro e impulsionar o desenvolvimento econômico regional.
Para enfrentar esse cenário, o secretário destaca que o Estado tem trabalhado em novas frentes para gerar oportunidades. Salume lembrou que o Espírito Santo, ao longo dos últimos 20 anos, tem investido em sua capacidade fiscal, de investimento e de gestão, buscando oferecer o melhor ambiente possível para quem quer empreender.>
A Agência Invest-ES, que terá papel crucial na briga pela competitividade, terá uma equipe de vendedores dream team (grupo com habilidades complementares e que trabalha bem em conjunto) , explica Salume. A primeira missão do novo órgão será fazer uma radiografia do arranjo econômico instalado no estado. >
Isso significa identificar as grandes indústrias e negócios existentes para, em seguida, atrair fornecedores e parceiros que possam orbitar essas empresas, gerando mais eficiência. Um exemplo é a possibilidade de atrair empresas que fornecem para a Marcopolo, no Norte do Estado, para que se instalem mais próximas, reduzindo custos e gerando empregos locais.>
Outra missão da agência será o fortalecimento do turismo, apontado como um caminho para superar os desafios da reforma tributária. Em conjunto com a Secretaria de Turismo, a Invest-ES vai buscar grupos que investem em resorts, rotas turísticas e agências de viagens, tanto no Brasil quanto no exterior, para profissionalizar ainda mais o setor.>
O Espírito Santo também vai buscar se posicionar como um polo desenvolvedor de tecnologia e biotecnologia, aproveitando sua mão de obra capacitada e engenharia.>
Com o fim dos incentivos fiscais em 2033, uma das preocupações é que empresas possam deixar o Estado. No entanto, o secretário Rogério Salume garante que o Estado está construindo pilares sólidos que vão muito além dos benefícios tributários. >
"Não estamos trabalhando a ideia de o incentivo ser o ponto decisor para uma empresa ficar ou não. Queremos que as pessoas entendam, sintam e vivam, sim, o melhor ambiente para se fazer negócio", enfatiza.>
Ele aponta que o Estado tem investido em governança, relacionamento público-privado, capacidade de pagar obras, segurança fiscal, segurança pública, educação e saúde. Para ele, esses pilares sociais e estruturais tornam o Espírito Santo um local atrativo não apenas pelos incentivos de hoje, mas por um ambiente completo e de qualidade. >
A reforma tributária sobre o consumo, um dos maiores desafios políticos do Brasil, deu um passo gigantesco em dezembro de 2024. Aprovado pelo Congresso Nacional e, em seguida, sancionado, o Projeto de Lei Complementar (PLP) 68/2024 se tornou a Lei Complementar 214/2025.>
Essa aprovação é um marco crucial, pois ela regulamentou a emenda constitucional aprovada um ano antes e tirou as regras do papel, definindo como os novos tributos: o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS).>
Agora, para começar a valer, falta aprovar a proposta 108/2024 que cria o Comitê Gestor. O projeto está em tramitação no Senado. O órgão será responsável pela administração e fiscalização do novo imposto que vai substituir os tributos cobrados por estados e municípios.>
O que a regulamentação definiu?>
A nova lei detalhou aspectos fundamentais para a implementação do novo sistema. Entre os pontos mais importantes, estão:>
O impacto para a economia>
A aprovação da regulamentação da Reforma Tributária é vista como um passo vital para modernizar a economia brasileira. Com a simplificação do sistema e a eliminação da cumulatividade de impostos, o novo modelo promete reduzir a burocracia, aumentar a competitividade e atrair mais investimentos.>
Ainda assim, o debate sobre os impactos continua. Setores como o de serviços manifestaram preocupação com o aumento da carga tributária, enquanto especialistas apontam para o potencial da reforma em impulsionar o crescimento do PIB a longo prazo.>
Com a nova lei em vigor, o desafio agora é a sua implementação, que exigirá a criação de um comitê gestor e a adequação de empresas em todo o país.>
Cronograma da transição
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