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Mercado de trabalho

Empresas ajudam funcionários a vencer o estresse causado pela pandemia

De acordo com especialistas, a pandemia fez crescer os casos de ansiedade, estresse, nervosismo, insônia, medo, sentimento de frustração, fadiga e até síndrome do pânico
Diná Sanchotene

Publicado em 

17 fev 2021 às 20:32

Publicado em 17 de Fevereiro de 2021 às 20:32

Depressão
Ansiedade e depressão podem afastar trabalhadores de suas atividades profissionais Crédito: Pixabay
pandemia do novo coronavírus trouxe diversas mudanças, principalmente no mundo do trabalho. Para evitar a proliferação da doença, muitos trabalhadores precisaram transformar a casa em escritório e todas as rotinas tiveram que se adaptar a um único ambiente. Em meio a esse cenário, as empresas estão atentas e preocupadas com a saúde mental dos seus colaboradores.
Uma pesquisa recente da Workana, plataforma global de trabalho freelancer, mostrou que 43,7% dos trabalhadores sentiram algum sintoma de prejuízo mental durante a pandemia. Mesmo antes da Covid-19, a Organização Mundial da Saúde (OMS) já apontava o Brasil como o país que tem o maior número de pessoas ansiosas do mundo.
É de olho nesse cenário que as organizações têm se mobilizado para acompanhar a saúde mental dos profissionais independentemente se estão com atividades presenciais ou em home office. Segundo especialistas, a pandemia fez crescer os casos de ansiedade, estresse, nervosismo, insônia, medo, sentimento de frustração, fadiga e até síndrome do pânico. 
De acordo com a psicóloga e especialista em carreira Gisélia Freitas, algumas empresas passaram a contratar profissionais de saúde para fazer atendimentos emocionais e psicológicos tanto de quem ainda trabalha em casa quanto de quem voltou para o escritório.
Psicólogos, por exemplo, são contratados com o objetivo de fazer o acompanhamento, triagem dos colaboradores e até identificar quem precisa de uma atenção mais especializada.
“Além disso, cada vez mais os líderes estão sendo treinados para ajudar a identificar sintomas de ansiedade, tristeza e depressão entre os funcionários. As empresas estão cada vez mais atentas ao emocional dos funcionários e querem melhorar o índice de felicidade de suas equipes e ainda manter a produtividade”, comenta.
Entre os acontecimentos que podem servir de alerta de que algo está errado com o colaborador estão a queda de produtividade, atrasos nas entregas e faltas constantes, segundo a psicóloga.
“Os problemas emocionais causam prejuízos para as organizações. São inúmeros modelos de gestão que podem ser desenvolvidos para atender as necessidades dos profissionais que vão desde a flexibilização de horário e até a possibilidade de trabalho híbrido. Quanto mais cedo se identificar o problema mais rápido será a recuperação”, afirma.

RISCO DE ACIDENTES

No meio industrial, um profissional com a saúde mental debilitada pode ocasionar problemas ainda maiores, como acidentes que podem chegar a morte. O cuidado com o emocional dos funcionários é uma preocupação da Suzano, que tem duas unidades no Espírito Santo.
A empresa tem uma iniciativa permanente, batizada de Programa Faz Bem, que tem como objetivo dar suporte a quem precisa de auxílio. "A nossa preocupação maior é com a vida de nossos colaboradores. Se esse trabalhador não estiver equilibrado emocionalmente, pode causar acidentes e colocar em risco ele e os colegas", explica a gerente de Gente e Gestão da Suzano, Marisa Ferreira Miranda.
"Há uma equipe disponível para fazer atendimentos psicológicos e jurídicos, por exemplo. Sabemos que a pandemia pode gerar ansiedade e, por isso, estamos de olho na saúde mental pensando na qualidade de vida e na segurança de todos"
Marisa Ferreira Miranda - Gerente de Gente e Gestão da Suzano
De acordo com o psiquiatra e diretor clínico da Clínica Aube - Cuidados da Mente, Fábio Olmo, a preocupação das empresas com a saúde mental dos trabalhadores é um importante avanço nas relações de trabalho.
Ele analisa que  é fundamental fazer do ambiente de trabalho um local acolhedor, principalmente em uma época em que vemos um aumento no número de afastamentos por conta de transtornos mentais relacionados a sintomas ansiosos e depressivos, à Síndrome de Burnout ou ao Transtorno de Estresse Pós-Traumático. 
"Muitas pessoas trabalham com excesso de demandas, prazos curtos, metas abusivas, ambientes de alta pressão e não sentem a menor segurança psicológica no local de trabalho, onde passam boa parte do dia. Alguns percebem sintomas e procuram ajuda, mas têm medo de retaliação quando vão apresentar um laudo ou atestado do psiquiatra, pois acreditam que serão mal interpretados, julgados. Existe muito preconceito", destaca.
Os trabalhadores que estão sofrendo com estes problemas têm a capacidade laborativa comprometida, mas não conseguem dialogar abertamente na empresa sobre isso, conforme lembra Olmo.
"É importante que os empregadores criem ferramentas para dar suporte, acolher, ensinar sobre os transtornos e encaminhar tais pacientes para o cuidado adequado. Um diagnóstico rápido evitará maior prejuízo ao paciente e o tratamento será mais eficaz"
Fábio Olmo - Diretor clínico da Clínica Aube - Cuidados da Mente,
A diretora da Rhopen, Cátia Horsts, lembra que antes da pandemia a inteligência emocional era uma habilidade essencial para qualquer profissional, mas que a Covid-19 deixou todos em uma constante prova de fogo.
"Para amenizar esses efeitos, o colaborador pode buscar ferramentas para tirar o foco do problema e aliviar o estresse e até procurar ajuda de um especialista. Eu, por exemplo, decidi morar mais perto da praia. Cada um precisa descobrir a sua receita, senão acaba entrando cada vez mais em ciclos de depressão e ansiedade”, ressalta.
Cátia orienta ainda um olhar atento dos gestores quanto a fala ou olhar de quem faz parte da equipe que possam indicar que algo não está bem. “A liderança tem que tomar esse papel até para oferecer ajuda. Algumas pessoas podem não se sentir a vontade de pedir ajuda, por isso o gestor precisa estar atento para qualquer sinal de desiquilíbrio. Reuniões semanais de cerca de 15 minutos podem ajudar nesse processo”, avalia.
Além do receio de contrair a doença, o medo de errar pode provocar estresse e ansiedade ainda maior. Gisélia lembra que isso ocorre por conta da grande pressão por resultado, por entrega e por assertividade.
“As empresas estão mais seletivas e, por isso, o funcionário fica mais temeroso em relação às falhas. Um outro motivo também são as demissões que ainda estão tendo em massa e esse profissional fica com medo de ser o próximo. Esse fantasma é uma sombra que deixa a pessoa com medo de errar, causando transtorno de ansiedade, dificuldade de sono, de alimentação e isso pode levar a outras complicações emocionais”, destaca.

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