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Mercado de trabalho

Trabalhadores acima dos 30 anos foram os mais demitidos na crise no ES

Pessoas com escolaridade mais baixa também foram prejudicadas. Para especialistas, dados mostram esforço das empresas em enxugar gastos
Caroline Freitas

Publicado em 

03 fev 2021 às 20:52

Publicado em 03 de Fevereiro de 2021 às 20:52

Em meio à pandemia, cinquentões são demitidos e dão lugar aos jovens de até 24 anos no ES
Trabalhadores acima dos 30 anos foram os mais demitidos na crise no ES Crédito: Freepik
A contratação de profissionais jovens, com menos de 29 anos de idade, foi o que garantiu o saldo positivo de vagas com carteira assinada no Espírito Santo em 2020. Para eles, foram criadas, 21.484 vagas no acumulado do ano. Por outro lado, os trabalhadores com idade superior foram atingidos em cheio pela crise provocada pelo novo coronavírus.
Em todas as faixas etárias a partir dos 30 anos de idade, o número de demissões realizadas no ano passado foi maior que o número de contratações, resultando no fechamento de 14.672 postos de trabalho para essa parcela da população. Os dados são do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério da Economia.
A maior parte das vagas abertas foi ocupada por profissionais com idade entre 18 e 24 anos de idade (17.102), seguidos pelos trabalhadores com até 17 anos (3.291). Já na faixa de 25 e 29 anos, houve 1.091 admissões a mais do que desligamentos.
O recorde de desligamentos foi registrado entre os profissionais com idades entre 50 e 64 anos, que perderam 7.965 postos de trabalho no ano passado. Os trabalhadores de 30 a 39 anos tiveram saldo negativo de 2.556 vagas, foram extintas 2.461 posições ocupadas por pessoas de 40 a 49 anos, e 1.690 vagas ocupadas por pessoas com 65 anos ou mais.

PROFISSIONAIS COM ENSINO MÉDIO COMPLETO FORAM BENEFICIADOS

Chama a atenção também o número de contratações de profissionais com ensino médio completo; foram eles que tiveram mais oportunidades no mercado de trabalho no ano passado, com 11.704 novas vagas. Na sequência, vem os profissionais com superior incompleto (854).
Os dados do Caged mostram que a crise pesou, sobretudo, sobre dois grupos opostos: os trabalhadores com pouco estudo e aqueles com ensino superior completo. Em todas as faixas de escolaridade cujo grau de instrução é de ensino médio incompleto ou menor houve mais demissões do que contratações. O mesmo aconteceu com aqueles que se graduaram na faculdade.
A explicação para esses dados, segundo especialistas, está na própria crise, que fez com que as empresas precisassem enxugar gastos.
“O ano de 2020 foi complicado. A crise afetou as finanças de todo mundo e foi preciso rever gastos. Então, as empresas acabaram optando por demitir profissionais com mais tempo de casa, que tinham um salário mais interessante, e optaram por recomeçar com pessoas com menos experiência, e com salários mais baixos”, explicou a diretora da Center RH, Eliana Machado.
Ela relatou que na maioria dos casos que observou, os empregadores sequer estavam insatisfeitos com o trabalho – valorizavam os profissionais –, mas, não viam alternativas além da demissão.
Se há necessidade de enxugar gastos, por que houve um crescimento em relação à contratação de jovens? Para os analistas, uma das razões é a maior facilidade de adaptação às mudanças intensificadas pela crise.
Justamente por terem menos experiência, os profissionais mais jovens tendem a aceitar salários mais baixos, e acabam sendo uma opção vantajosa em épocas de “vacas magras”.
“Hoje, as pessoas se casam mais tarde, têm filhos mais tarde, moram por mais tempo com os pais e topam quase qualquer coisa que aparece no mercado de trabalho quando são jovens. O custo operacional desses profissionais, portanto, acaba sendo menor que o de alguém com 35 ou 40 anos, que já está com a vida mais estruturada, com família para cuidar, aluguel para pagar. Quanto maior o número de responsabilidades que aquele profissional tem na vida pessoal, mais difícil é negociar salário, negociar carga horária”, avaliou a especialista em Carreiras e diretora da Efetive, Gisélia Freitas.
Ela frisa que, em alguns casos, as empresas estão optando até por contratar estagiários, que trabalham meio período, mas recebem menos que um salário e tem um custo tributário muitíssimo mais baixo, que contratar um profissional pela CLT, por exemplo.
Além da idade, outro aspecto que tem pesado na hora de escolher quem entra ou quem sai da empresa são as características das vagas mais demandadas. Têm sido mais frequentes as oportunidades para ocupar cargos operacionais, em áreas como saúde, construção civil e setor supermercadista, que tiveram crescimento durante a pandemia.
“Houve uma procura grande por profissionais como vendedor, empacotador, e trabalhador de logística. Mas também surgiram cargos auxiliares nas mais diversas áreas, e são ocupações que exigem ensino médio, técnico ou algum curso profissionalizante, pelo menos.”
Outro ponto em destaque é que profissionais com um pouco mais de escolaridade conseguem absorver as funções de alguém que estudou menos, mas dificilmente o inverso ocorre. Assim, as empresas acabam privilegiando o primeiro grupo em detrimento do segundo,  conforme salientou o diretor da Associação Brasileira de Recursos Humanos no Espírito Santo(ABRH-ES),  Sidcley Gabriel da Silva. 
“Em relação à idade, particularmente, a velocidade de recolocação tem sido menor, de fato. Mas é um reflexo da crise. Por outro lado, há mesmo uma dificuldade de colocação de pessoas com menor grau de instrução. A sugestão é para que as pessoas se atualizem, se enquadrem melhor, porque o mercado tem ficado mais exigente."

DADOS POR SETOR

Em quase todos os setores, os mais beneficiados na hora das contratações foram os profissionais com idades entre 18 e 24 anos de idade. Mesmo na agropecuária, que fechou o ano com saldo negativo de vagas com carteira assinada, as contratações dessa faixa etária superaram o número de demissões.
A construção teve saldo positivo de vagas para todas as faixas etárias abaixo dos 50 anos de idade, com destaque para os trabalhadores com idades entre 30 e 39 anos (com saldo positivo de 1.613), e os jovens de 18 a 14 anos (1.606).
Na indústria, o destaque também ficou por conta dos profissionais com idades entre 18 e 24 anos, que tiveram 4.159 novas chances. A partir dos 40, todas as faixas etárias acumulam mais demissões que contratações, com destaque para os profissionais com idades entre 50 e 64 anos, que perderam 1.768 postos de trabalho. Essa faixa etária também foi a que perdeu mais vagas (-4.419) no setor de serviços, que, aliás, foi a área que mais demitiu no ano, independentemente da idade.

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