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Empresa de SP vai ao STJ contra uso de linhas da Itapemirim pela Águia Branca

Empresa de SP vai ao STJ contra uso de linhas da Itapemirim pela Águia Branca

Suzantur manifesta que investiu no reestabelecimento das operações da empresa capixaba que faliu e vai sair no prejuízo com transferência de 125 linhas

Publicado em 5 de setembro de 2025 às 16:26

Ônibus da Viação Águia Branca
Águia Branca e Suzantur travam batalha na Justiça Crédito: Viação Águia Branca/Divulgação

A transportadora paulista Suzantur acionou o Superior Tribunal de Justiça (STJ) na última quarta-feira (3) para continuar na operação das 125 linhas da Viação Itapemirim, que por decisão judicial foram transferidas para a Águia Branca. No pedido de tutela cautelar antecedente, ao qual A Gazeta teve acesso, a empresa de São Paulo ainda requer manifestação da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

As linhas da Itapemirim ficaram com a Suzantur por mais de dois anos por meio de um processo de arrendamento, uma vez que ainda não ocorreu o leilão definitivo da viação capixaba que faliu. Durante esse período, a empresa paulista pagava cerca de R$ 200 mil mensais aos credores.

Com o arrendamento chegando ao fim, a Águia Branca se interessou pelas operações, afirmando que poderia pagar R$ 1,2 milhão por mês aos credores, e a Justiça achou a proposta mais rentável, colocando-a no controle das linhas. O prazo para a empresa capixaba operar o serviço é de 1 ano, podendo ser prorrogável até ocorrer o leilão.

A Justiça paulista validou a transferência das linhas para a Águia Branca. Inconformada, a Suzantur entrou com o pedido de tutela cautelar antecedente no STJ, na última quarta-feira (3). No documento, o escritório de advocacia que atua na defesa da transportadora paulista manifestou que, antes do primeiro arrendamento, os bens e direitos da Itapemirim eram, literalmente, sucata.

“Com a atuação da arrendatária Suzantur no âmbito do arrendamento e dos vultosos investimentos por ela realizados – que ocorreram em razão da existência de salvaguardas contratuais –, houve recuperação dos ativos que estavam fadados ao perecimento absoluto!”, destacou a defesa.

A defesa alegou ainda que a necessidade de retomada das operações praticamente do zero demandou vultuosos investimentos pela Suzantur, inclusive coma a aquisição de novos ônibus. Por essa razão, o contrato de arrendamento dos ativos, em decisão confirmada pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), continha cláusulas de salvaguarda da transportadora paulista, garantindo-lhe direito a indenização por todos os investimentos comprovadamente realizados ao longo do arrendamento.

“Antes do arrendamento, nenhuma linha de ônibus circulava e todos os pontos de venda de passagens estavam fechados. Com a Suzantur, a Itapemirim voltou a ter vida, de modo que o leilão não mais venderia escombros, mas sim um negócio com substancioso valor de mercado, avaliado em pelo menos R$ 97 milhões, conforme laudo pericial contratado pela administradora judicial”, disse a defesa.

Foi marcado, então, o leilão definitivo dos bens da Itapemirim. No entanto, outras transportadoras questionaram a inclusão das salvaguardas que beneficiariam a Suzantur. Por conta disso, o certame não ocorreu e um novo edital foi publicado em 2025. Houve, porém, novos pedidos de impugnação.

Como os leilões marcados não ocorreram, o período de arrendamento de 2 anos das linhas da Itapemirim à Suzantur expirou e as mesmas empresas que impugnaram a disputa solicitaram à Justiça para obter o controle das operações. Foi aí que a Águia Branca apresentou a proposta mais vantajosa aos credores da falida e venceu o processo para arrendar o serviço.

A defesa da Suzantur, todavia, manifestou que esse novo arrendamento não faz sentido e defendeu a realização do leilão, que já deveria ter ocorrido desde março de 2025

Os advogados da Suzantur manifestam ainda que o Tribunal de Justiça de São Paulo determinou que a transportadora paulista interrompa a operação do arrendamento sem que a Águia Branca tenha aprovação do Cade e da ANTT sobre concentração de mercado e sobreposição de linhas.

Por conta dessas inconformidades apontadas, a Suzantur pede que possa continuar com as linhas da Itapemirim, até manifestação da ANTT e do Cade e a realização do leilão definitivo da falida.

A Águia Branca foi procurada pela reportagem e informou que não irá se manifestar sobre a decisão da Suzantur.

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