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Em Brasília

De olho na descarbonização, Vale avança na produção de briquete no ES

Gustavo Pimenta, CEO da Vale, destacou importância do projeto no Espírito Santo para descarbonização da cadeia siderúrgica, durante fórum sobre mineração

Publicado em 18 de Agosto de 2026 às 19:10

Leticia Orlandi

Publicado em 

18 ago 2026 às 19:10
Gustavo Pimenta é CEO da Vale
Gustavo Pimenta disse que a descarbonização é prioridade para a Vale. Divulgação

Durante o fórum “Destravando o Potencial da Mineração no Brasil”, realizado nesta terça-feira (18), em Brasília, o CEO da Vale, Gustavo Pimenta, reafirmou que a descarbonização da cadeia siderúrgica é uma prioridade estratégica para a companhia. 


Para o executivo, o movimento em direção ao "aço verde" não é apenas um compromisso ambiental, mas um objetivo de negócio, já que a redução de emissões no mundo amplia a demanda pelo minério de ferro de alto teor produzido pela Vale. 


Nesse cenário, o Espírito Santo ganha protagonismo com o avanço no ramp-up (aumento gradual de produção) das plantas de briquete instaladas na unidade de Tubarão, em Vitória, as primeiras da companhia, segundo destacou Pimenta, embora sem apresentar números. O produto complementa a produção de pelotas já existente. 


“Segue sendo um mercado importante onde vejo a oportunidade de avançarmos”, afirmou.


O briquete de minério de ferro tem potencial de reduzir em até 10% as emissões de gases de efeito estufa (GEE) no alto-forno ou possibilitar, no futuro, a produção de aço de zero emissão, quando o hidrogênio verde estiver disponível. 


Pimenta destacou que o Estado tem enorme potencial para a mineradora nesses projetos. Além dos briquetes, a Vale estuda o desenvolvimento do HBI (Hot Briquetted Iron) no Brasil, utilizando fontes renováveis de hidrogênio, o que permitiria exportar um produto metálico com maior valor agregado.


Pimenta mencionou que, embora conflitos no Oriente Médio tenham reduzido a velocidade de alguns projetos internacionais, a direção estratégica da Vale para o HBI no Brasil permanece firme.


A respeito do assunto, a Vale explicou que o briquete fornecido é adequado às necessidades operacionais específicas de cada cliente e, de forma geral, destina-se ao uso em alto-forno. 


"Nos últimos dois anos, a planta vem passando por um processo contínuo de aprimoramento, com avanços em processos e equipamentos. Entre as melhorias estão o maior controle da umidade na etapa de secagem do minério, o reforço das características de impermeabilidade do briquete, a evolução no design das briquetadeiras e ganhos consistentes na qualidade do produto final", informa a companhia.

Salto na arrecadação e potencial de minerais críticos

No evento em Brasília, na manhã desta terça-feira (18), foi lançado um estudo elaborado pela Vale com a consultoria Accenture, que mapeia as oportunidades para o setor mineral brasileiro até 2035. 


O estudo aponta que o mundo vive uma urgência por minerais como cobre, lítio, grafita e níquel. A própria descarbonização está entre as tendências globais que vão impulsionar a demanda por minerais críticos.


O relatório aponta que o Brasil pode alcançar uma arrecadação fiscal de R$ 1,3 trilhão na próxima década (2026-2035), um salto significativo em relação aos R$ 750 bilhões registrados no último ciclo.


Voltado para o desenvolvimento do mercado de mineração de todo o país, o documento será entregue para os candidatos à Presidência da República como uma contribuição para orientar políticas públicas que ajudem a fortalecer e modernizar os fundamentos da mineração brasileira, além de ampliar a atratividade do país para novos projetos minerários.


A urgência por esse crescimento é impulsionada pela demanda exponencial por minerais críticos. O estudo destaca que, até 2030, projeta-se que 40% das vendas globais de carros serão de modelos elétricos, disparando a necessidade de cobre e lítio.


O consumo de energia por centros de dados deve dobrar até 2030 devido ao avanço da inteligência artificial, exigindo infraestruturas ricas em minerais.


O estudo, apresentado por Rodolfo Eschenbach, presidente da Accenture para Brasil e América Latina, mostra que o país detém 67% das reservas mundiais de nióbio e cerca de 25% das de terras raras e grafita, posicionando o país como um parceiro estratégico global.

Impactos

O destravamento dessas oportunidades pode elevar o número de postos de trabalho na cadeia mineral brasileira de 3 milhões para 5,3 milhões de empregos. De acordo com o levantamento, o ganho de R$ 1,3 trilhão em impostos seria equivalente ao investimento necessário para criar 23,1 milhões de vagas em escolas de tempo integral ou à construção de 870 mil leitos hospitalares.


Para Gustavo Pimenta, a mineração brasileira tem o poder de ser um motor de crescimento econômico e inclusão social.


“Com uma agenda propositiva, a mineração pode se tornar uma plataforma poderosa de compartilhamento de valor com geração de emprego, renda, crescimento econômico e proteção ambiental.”


Contudo, o setor defende que, para capturar esse potencial, o país precisa de licenciamentos ambientais mais céleres, além de uma política nacional focada em minerais estratégicos.


Sobre a companhia entrar no mercado de terras raras e minerais críticos, apontados como promissores pelo estudo, Pimenta destacou que o assunto segue em estudo na empresa.

As agendas propostas para destravar o setor
1. Licenciamento e fundamentos da mineração: conhecimento geológico, gestão de títulos minerários e previsibilidade no licenciamento.

2. Cadeia mineral integrada: infraestrutura, disponibilidade de energia, processamento mineral e domínio tecnológico ao longo da cadeia.

3. Ambiente de negócios e segurança institucional: aspectos regulatórios, institucionais, financeiros (em um setor intensivo em capital) e tributários.

4. Valor compartilhado: agenda de impacto positivo e geração de valor social e ambiental para as comunidades/ territórios.
Painel de evento sobre mineração em Brasília
Painel de evento sobre o potencial da mineração, em Brasília Divulgação
Parceria entre Estado e iniciativa privada

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social

(BNDES), Aloizio Mercadante, reforçou a importância de reconstruir pontes estratégicas com o setor mineral, destacando que o banco está em um momento de expansão de crédito e apoio à neoindustrialização


Mercadante defendeu que o Brasil não deve ser apenas um exportador de minério bruto, mas buscar a fabricação local de baterias e células de energia.


Segundo o presidente do BNDES, o Brasil possui condições favoráveis para ampliar a participação nas cadeias globais ligadas à produção e ao processamento de minerais estratégicos. Para ele, o avanço da atividade mineral pode estar associado ao desenvolvimento de etapas de maior agregação de valor e ao fortalecimento de setores industriais relacionados. 


“O desafio é ampliar a integração entre a produção mineral e as atividades industriais associadas, especialmente em segmentos vinculados aos minerais estratégicos e críticos”, afirmou. 


A reportagem viajou a convite da Vale

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