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Estudo

Vacina contra a gripe pode reduzir risco de complicações da Covid-19

Pesquisadores da University of Miami Miller School of Medicine, nos EUA, realizaram estudo que apontou que pacientes de Covid-19 que não tomaram a vacina da gripe tinham 20% mais risco de ir para a UTI

Publicado em 12 de Julho de 2021 às 21:01

Isaac Ribeiro

Publicado em 

12 jul 2021 às 21:01
Vacinação contra a Influenza é importante para evitar casos suspeitos de Covid-19 e diminuir pressão no Sistema Único de Saúde (SUS)
Vacinação contra a Influenza é importante para evitar casos suspeitos de Covid-19 e diminuir pressão no Sistema Único de Saúde (SUS) Crédito: Divulgação | Sesa
Um estudo conduzido por pesquisadores dos Estados Unidos divulgado nesta segunda-feira (12) sugere que a vacina contra o vírus Influenza, causador da gripe, pode diminuir os efeitos graves provocados por uma infecção pelo novo coronavírus e minimizar o risco de internação dos pacientes.
A notícia foi comentada hoje pelo subsecretário de Estado da Vigilância em Saúde, da Secretaria de Estado da Saúde, Luiz Carlos Reblin, durante coletiva de imprensa. Nesta semana, o Estado deve receber 1.130.000 doses do imunizante contra a gripe.
O secretário de Estado da Saúde, Nésio Fernandes, considera que a chegada das doses poderá reforçar o grau de proteção das crianças e adolescentes da população capixaba no que diz respeito à suscetibilidade às doenças respiratórias.
"Temos a expectativa de, em três meses, vencermos a maior parte de aplicação dessas doses. Principalmente, a expectativa de antecipar [a aplicação] na população infantil e adolescente e em quem já foi alcançado com uma das doses contra o novo coronavírus", explicou Nésio.
Luiz Carlos Reblin destacou que quando as pessoas estão vacinadas contra a Influenza, no caso do aparecimento dos sintomas respiratórios após a injeção, o diagnóstico para identificar infecção pelo vírus Sars-CoV-2 pode ficar mais fácil.
"Saiu hoje um estudo demonstrando que a vacina da gripe tem uma ação protetora importante contra sequelas que poderiam ser causadas pela Covid-19. Não estamos dizendo que a vacina da gripe protege contra a Covid, mas diminui o risco de sequelas para a Covid"
Luiz Carlos Reblin - Subsecretário de Vigilância em Saúde
Distribuição e vacinação na Grande Vitória
Luiz Carlos Reblin, subsecretário em Vigilância em Saúde  Crédito: Fernando Madeira
O médico infectologista e professor universitário Crispim Cerutti Júnior explicou que a dose contra a Influenza evita que o organismo receba uma carga de morbidade sobre o sistema respiratório.
"É uma resposta geral contra os vírus, que é estimulada sem muitas especificidades, mas tem uma resposta imune específica que só é desencadeada pelo próprio agente infeccioso. De qualquer maneira, é algo que ajuda no processo de defesa"
Crispim Cerutti Júnior - Médico infectologista
Na opinião do médico infectologista e doutor em Doenças Infecciosas, Lauro Ferreira Pinto, apesar do estudo apresentar vantagens da vacina da gripe na prevenção das complicações causadas pelo novo coronavírus, ainda é preciso cautela. Para ele, são necessários novos estudos para atestar o impacto da vacina contra a gripe em relação aos sintomas da Covid-19.
"Eles observaram que as pessoas vacinadas contra a gripe têm menos complicações por Covid, mas não têm menor mortalidade. A vacina de gripe, por si só, é muito importante porque reduz os riscos da própria gripe, que não são pequenos. O vírus H1N1 pode ser mortal, pode piorar várias comorbidades, pode piorar risco de infarto em quem é coronariano, por exemplo", detalhou Lauro.

O QUE O ESTUDO APONTOU

  • Os pesquisadores da University of Miami Miller School of Medicine, nos Estados Unidos, analisaram dados de cerca de 75 mil pacientes diagnosticados com Covid-19 dos Estados Unidos e de países da Europa.

  • Foram reunidos dois grupos, sendo que um deles recebeu a vacina contra a gripe e outro não.

  • Então, 120 dias após as pessoas testarem positivo, os pesquisadores observaram a incidência de 15 problemas provocados pela infecção do vírus Sars-CoV-2 como trombose venosa profunda, embolia pulmonar, sepse, ataque cardíaco, internação, encaminhamento para UTI e morte.

  • Quem não tomou a vacina da gripe tinha 20% mais risco de ir para a UTI.

  • Esse grupo também tinha 58% mais risco de sofrer um Acidente Vascular Cerebral (AVC), 58% mais risco de precisar de ajuda médica emergencial, 45% mais risco de desenvolver sepse e 40% mais risco de ter uma Trombose Venosa Profunda (TVP).

  • O risco de morte não foi reduzido pela vacina.
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