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Professor será julgado por acidente que matou casal de idosos em Aracruz

Professor será julgado por acidente que matou casal de idosos em Aracruz

Yuri Oliveira Souza, de 25 anos, responde pelas mortes de Alberto João Maestrini, de 83 anos, e Lúcia Maria Cerchi Maestrini, de 79 anos, que voltavam para Santa Teresa

Publicado em 2 de junho de 2025 às 19:44

 - Atualizado há 9 meses

Estado em que ficou o carro das vítimas (esquerda) e o carro do suspeito (direita)
Estado em que ficou o carro das vítimas (esquerda) e o carro do suspeito (direita) Crédito: Divulgação | Polícia Civil

A Justiça acolheu a denúncia do Ministério Público  (MPES) e tornou réu o professor da Prefeitura da Serra, Yuri Oliveira Souza, de 25 anos, acusado de provocar o acidente que causou a morte do casal Alberto João Maestrini, de 83 anos, e Lúcia Maria Cerchi Maestrini, de 79 anos, na manhã do dia 8 de setembro do ano passado, na ES 257, em Aracruz, no Norte do Espírito Santo. A decisão, datada de 11 de abril deste ano, e obtida pela reportagem nesta segunda-feira (2), é assinada juíza Lara Carrera Arrabal Klein.

O casal retornava para Santa Teresa após fim de semana em casa de praia.
O casal retornava para Santa Teresa após fim de semana em casa de praia da família Crédito: Arquivo Pessoal

A Polícia Civil, no momento do indiciamento, e o Ministério Público, ao apresentar a denúncia, solicitaram à Justiça a prisão preventiva do acusado, pela prática dos crimes de homicídio qualificado, embriaguez ao volante e por isentar-se da responsabilidade do crime.

No entanto, a juíza Lara Carrera Arrabal Klein, que na decisão de recebimento da denúncia afirmou que "há indícios de autoria e materialidade", negou os pedidos de prisão. “Após examinar os autos, verifico que as medidas cautelares diversas da prisão, por ora, se mostram suficientes ao presente caso”, afirmou a magistrada. Veja as medidas cautelares impostas:

  • Proibição de frequentar bares, botequins, casas de show e congêneres;
  • Proibição de manter contato com as testemunhas e demais envolvidos no processo;
  • Proibição de se ausentar da comarca sem autorização judicial;
  • Recolhimento domiciliar no período noturno e nos dias de folga entre o período de 22h às 06h.

A decisão também acolheu a denúncia contra Tayla Coimbra da Silva, de 21 anos, que igualmente se tornou ré, acusada de prestar declarações falsas durante a fase do inquérito, para beneficiar o denunciado Yuri Oliveira Souza. A conduta, segundo a Justiça, evidencia o risco de interferência na produção de provas e na instrução criminal. Tayla também está submetida às mesmas medidas cautelares impostas a Yuri. Fontes do judiciário informaram que, caso essas medidas sejam descumpridas, poderá ser decretada a prisão preventiva.

Por fim, a decisão judicial marca para o dia 18 de junho de 2026, às 14h30, a Audiência de Instrução e Julgamento (AIJ) do caso, que, de acordo com fontes do judiciário, é o momento em que as partes apresentam provas e argumentos para esclarecer os fatos e subsidiar a decisão final do juiz. "Trata-se de um ato no qual são produzidas provas orais, como depoimentos e testemunhos, e as partes podem apresentar suas alegações finais", informou uma das fontes consultadas pela reportagem. 

Relembre o caso

No dia do acidente, os idosos retornavam para Santa Teresa, na região Serrana do Estado, após passarem o fim de semana na casa de praia deles, localizada no balneário de Mar Azul, em Aracruz. Durante o trajeto, foram surpreendidos pelo carro do professor, um Chevrolet Cruze branco, em alta velocidade, que atingiu a traseira do carro do casal - um Chevrolet Celta.

Com o impacto, o veículo em que estavam as vítimas saiu da pista, enquanto o Cruze seguiu por cerca de 900 metros. Uma testemunha, que trabalhava em um viveiro na região, viu todo o acidente, pegou uma motocicleta e foi até o carro do suspeito.

O delegado Roberto Fanti disse em novembro do ano passado que o professor apresentava sinais de embriaguez. “O motorista foi retirado do carro, que pegou fogo em seguida. Além disso, ele estava desnorteado e com sinais claros de embriaguez. Nas palavras da testemunha, ela salvou o motorista, porque ele teria morrido queimado. Logo depois, o suspeito se evadiu do local”, disse o então titular da Delegacia Especializada de Infrações Penais e Outras de Aracruz (Dipo) de Aracruz.

No carro, a polícia encontrou garrafas de bebidas alcoólicas e uma caixa térmica com gelo, sendo que a perícia comprovou que o veículo estava em alta velocidade. No dia seguinte ao acidente, o motorista se apresentou em uma delegacia, mas negou que tinha ingerido bebida.

“Também conseguimos identificar que o suspeito estava em uma festa, com uma amiga, na Barra do Sahy, apesar de algumas pessoas que estavam lá afirmarem que não viram ele ingerindo bebida alcoólica. Inclusive, uma delas também foi indiciada por falso testemunho”, disse o delegado.

Em nota, a Prefeitura da Serra informou que "o servidor em questão foi aprovado em um processo seletivo para atuar em designação temporária e, no momento de sua contratação, apresentou os documentos necessários para assumir o cargo sem restrição". A prefeitura acrescentou que "a Secretaria de Educação da Serra segue acompanhando o caso".

A reportagem tenta contato com a defesa dos citados.

*Com informações do repórter André Afonso, da TV Gazeta 

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