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Polícia cerca casa de advogado em Vitória suspeito de tráfico de drogas

Hugo Miguel Nunes fazia a defesa de Márcia Borlini Marim Sanches, presa por ameaçar testemunhas. A Polícia Civil cercou a casa dele, em Fradinhos, para cumprir mandado de prisão expedido em Minas Gerais

Vitória / Rede Gazeta
Publicado em 16/09/2021 às 22h41
Atualizado em 17/09/2021 às 06h12
Tentativa de prisão de advogado Hugo Ramos envolvido com tráfico
Casa do advogado Hugo Miguel Nunes envolvido com tráfico. Crédito: Caíque Verli

A Polícia cercou, até as 23h desta quinta-feira (16), a casa do advogado Hugo Miguel Nunes, 37 anos, com o objetivo de prendê-lo. Após 5 horas de cerco, e depois da liberação da família dele para entrar na residência, os policiais constataram que ele já havia deixado o local.  Ele era responsável pela defesa da advogada Márcia Borlini Marim Sanches, presa por ameaçar testemunhas um dia antes. Contra ele havia mandado de prisão em aberto por tráfico de drogas e ele já era considerado foragido. O documento está registrado no Banco Nacional de Mandados de Prisão (BNMP) do Conselho Nacional de Justiça. 

No início da noite desta quinta, a polícia chegou a casa do advogado, em Fradinhos, Vitória. Informações obtidas pelo repórter Caíque Verli, da TV Gazeta, eram de que viaturas cercaram a casa e drones ajudavam a monitorar a região. Membros da Comissão de Prerrogativas da Ordem dos Advogados do Brasil no Espírito Santo (OAB-ES), acompanharam a ação.

A informação era de que ele se recusava a sair de casa. Policiais no local informaram aos familiares do advogado que permaneceriam no local até as 6 horas de sexta-feira (17), quando, por lei, poderiam entrar na residência do advogado e efetuar a prisão.

Na tarde de quarta-feira (15), Hugo concedeu entrevista para A Gazeta  sobre a situação da Márcia.  Durante a tarde desta quinta-feira (16), ao ser novamente procurado pela reportagem, o advogado informou que tinha renunciado à defesa dela e que não mais se manifestaria sobre o processo. 

PROCESSO POR TRÁFICO TRAMITA EM MINAS GERAIS

O processo a que ele responde, por tráfico de drogas, tramita na Justiça de Minas Gerais. A maior parte das investigações está em segredo de Justiça, mas A Gazeta conseguiu apurar que elas foram iniciadas a partir de uma apreensão de drogas ocorrida em uma cidade do interior de Minas Gerais cujo destino era o Espírito Santo.

A apuração que se seguiu mostrou relações de criminosos levando informações para presídios capixabas, envolvendo ainda a participação de advogados. A prisão preventiva de Hugo foi solicitada e concedida. Fato semelhante ao que foi identificado, posteriormente, na Operação Armistício, do Grupo  de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Espírito Santo.

No andamento processual, que consta no site do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), há informação de que Hugo entrou com uma solicitação de revogação da prisão preventiva, pedido negado pelo juiz Maurílio Cardoso Naves. Na decisão é dito que o processo refere-se a uma “investigação policial relacionada à existência de organização criminosa voltada para o tráfico de drogas.” Ele já havia pedido um habeas corpus contra a prisão preventiva, que também havia sido negado.

É informado na decisão judicial que Hugo e outros advogados foram apontados em investigação policial como responsáveis pela comunicação de dois presos recolhidos em unidade de segurança máxima do Espírito Santo com o público externo.

Maurílio Cardoso Naves

Juiz de direito em MG

"Tais informações foram extraídas de telefones celulares apreendidos com outras pessoas investigadas, extração esta também autorizada judicialmente, de forma que existem indícios objetivos da participação do requerente no esquema criminoso investigado. A decisão que decretou a prisão preventiva do requerente, como dito, está embasada em elementos concretos, e, assim, devidamente fundamentada"

A tipificação penal constante no mandado de prisão é a Lei: 11343, art. 33, tráfico de drogas. No documento é dito: “O(a) Dr(a) Juiz(a), que assina o presente mandado de prisão, da Vara e Comarca que constam na presente ordem, manda a qualquer oficial de justiça de sua jurisdição ou qualquer autoridade policial competente e seus agentes, a quem for apresentado, que prenda e recolha a qualquer unidade prisional, à ordem e disposição deste juízo, a pessoa indicada e qualificada na presente ordem”.

ESCAPOU DE AÇÃO DE POLÍCIAS CAPIXABA E MINEIRA

Em outubro do ano passado foi realizada uma ação conjunta da Polícia Civil do Espírito Santo (PCES) e da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG). A operação visava cumprir quatro mandados de prisão preventiva e seis mandados de busca e apreensão contra advogados suspeitos de ligação com organizações criminosas que atuam no tráfico de drogas nos dois Estados.

Entre eles estava Hugo Nunes. “Ele não foi preso por não ter sido localizado”, explicou o delegado Guilherme Eugênio Rodrigues, da Delegacia Especializada de Narcóticos (Denarc) Guarapari.

A ação foi uma junção da Operação Vade Mecum, da Delegacia Especializada de Narcóticos (Denarc) Guarapari, e da Operação Marcos 4:22, da 4ª Delegacia de Polícia Civil de Muriaé, em Minas Gerais. Atuaram cerca de 30 policiais, entre equipes da PCMG, da Denarc Guarapari, da Superintendência de Polícia Regional Metropolitana (SPRM) e da Superintendência de Polícia Especializada (SPE).

SENTENÇA: MÁRCIA PEDIU AJUDA A HUGO NUNES PARA ESCONDER ARMA

Em outro processo, desta vez da advogada Márcia, em que ela foi condenada a 33 anos e 8 meses de prisão por tráfico de drogas, é citado que as investigações apontaram que ela solicitou ajuda de Hugo para esconder uma arma.

O fato ocorreu, segundo relatado na sentença, logo após Márcia ter sido presa em casa, durante a Operação Vade Mecum. “Quadra registrar que a ré Marcia, ao saber que haveria cumprimento de mandado de busca e apreensão na residência dela em Jardim Camburi, telefonou e solicitou ao réu Hugo Miguel Nunes, advogado dela, entrasse em contato com o réu Santillano Freire Sanches (ex-marido de Marcia), para que ele retirasse a arma de fogo que havia no local, o que foi efetivamente tentado por Santillano após comunicado por Hugo Miguel Nunes”, diz o texto da condenação.

Mas a arma acabou sendo localizada pela polícia. “Restou frustrado diante da célere e atenta atitude policial, que acionou o apoio de outras unidades policiais e impediu a realização deste ato, valendo registrar que o imóvel estava aberto e parcialmente revirado mesmo antes da Polícia Civil entrar no imóvel aludido, havendo informação nos autos que Santillano solicitou ao síndico do edifício que ele localizasse e realocasse a arma em questão”, é informado na sentença.

ADVOGADO ABANDONA A DEFESA DE MÁRCIA

Na tarde desta quinta-feira (15), ao ser procurado pela reportagem, o advogado Hugo Nunes informou haver renunciado à defesa de Márcia e que não mais se manifestaria sobre o processo.

Em relação ao mandado de prisão que existe contra ele, disse preferir não se manifestar. “Estou sob muita pressão. Já está tudo resolvido, caso contrário eu seria preso. Só tentei ajudar e estou sendo perseguido”, disse.

Em entrevista concedida nesta quarta-feira (14), Hugo disse haver uma perseguição contra advogados no Espírito Santo. “O que acontece no Espírito Santo é uma verdadeira perseguição aos advogados, porque o Judiciário capixaba está utilizando da prisão preventiva como punição aos advogados, antecipando pena condenatória”, explicou.

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