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Pandemia afasta pacientes e número de exames para descobrir câncer cai no ES

Afastamento dos consultórios médicos gerou uma queda significativa na descoberta precoce de câncer no Espírito Santo

Vitória / Rede Gazeta
Publicado em 03/05/2021 às 11h03
Cientistas desenvolveram um novo exame de sangue capaz de detectar cinco tipos de câncer de forma precoce
As células canceígenas devem ser diagnosticadas o quanto antes. Crédito: Edward Jenner/ Pexels

Em razão dos cuidados diários com o coronavírus, muita gente tem deixado de lado exames anuais e as idas ao médico para investigar alterações no corpo. No entanto, o afastamento das pessoas dos consultórios gerou uma queda significativa na descoberta precoce de casos de câncer no Espírito Santo. 

Isso é notado em números. Em 2020, houve uma redução de 20%  no pedido de exames de biópsias - responsáveis por analisar a composição de tumores - no Espírito Santo, segundo dados da Secretaria Estadual de Saúde (Sesa).  Em 2019, foram 106.365 exames na rede pública. No primeiro ano da pandemia, número caiu para pouco mais de 84 mil.  

Na rede particular, não foi possível levantar o número geral de exames, uma vez que não há uma centralização de dados dos laboratórios que fazem biópsias. No entanto, um laboratório que tem várias unidades na Grande Vitória informou que, em 2020, houve uma queda de 41,7% nos pedidos de exames se comparado com o ano de 2019.

FATORES

Para o oncologista clínico da Rede Meridional, Fernando Zamprogno, a redução mais significativa no número de exames aconteceu entre os meses de junho e setembro de 2020. 

"As restrições de acesso aos colegas médicos, por conta da idade, e a dificuldade de conseguir leitos para fazer a retirada do material devido à Covid-19 levaram a menos investigações de nódulos", detalha o médico. 

O médico Loureno Cezana,  oncologista no Hospital Santa Rita, também pontua outros fatores. "O medo e insegurança de procurar serviços de saúde quando se tem um vírus novo circulando, a necessidade de adaptação dos consultórios para receber os pacientes e o direcionamento da rede de saúde de prevenção para o controle da Covid-19 tiveram impacto nos números", observou.

MAIS DE QUATRO MIL MORTES

Em janeiro e fevereiro deste ano, 462 pessoas morreram de câncer no Espírito Santo. Em todo o ano de 2020, tumores malignos tiraram a vida de 4.109 pessoas. No ano anterior,  o número foi de 4.759. 

Entre os homens,  o câncer de próstata foi o mais letal: foram 623 óbitos entre 2019 e 2020. Já entre as mulheres, a neoplasia que mais matou foi a da mama, com 680 registros, segundo dados do Sistema de Informação de Mortalidade Estadual da Sesa.

IMPORTÂNCIA DA BIÓPSIA

A biópsia é um exame investigativo, realizado por meio do material extraído do corpo do paciente e que aponta se o nódulo é de um tumor benigno ou maligno.

"Caso não seja descoberto na fase inicial, o tratamento do câncer, independente da parte do corpo que esteja localizado, terá menor possibilidade de sucesso", descreve Roberto Lima, mastologista e oncologista do Centro Capixaba de Oncologia (Cecon). 

Para Roberto Lima,  a queda nos números de consultas e biópsias só não foi maior porque não houve restrições às cirurgias oncológicas, mesmo com o sistema de saúde do Estado pressionado.

"Se esperar aparecer os sintomas para fazer um diagnóstico, a doença já pode estar em um estágio mais avançado. O câncer quando descoberto de maneira precoce é mais curável. A busca ativa é necessária e isso se faz com exames de colonoscopia, preventivo, próstata e outros de rotina, que devem ser feitos uma vez ao ano", pontuou. 

Uma orientação importante dada pelo oncologista Loureno Cezana é que até mesmo a manutenção do calendário vacinal torna quase mínima a possibilidade de alguns cânceres. As vacinas de  HPV e a vacina de hepatite B para adolescentes e crianças evitam, indiretamente, o câncer de colo de útero e o câncer de figado, respectivamente. 

O oncologista Fernando Zamprogno também pontua a necessidade de se manter os cuidados contra o coronavírus, mas sem deixar de buscar um atendimento médico. 

"As medidas restritivas de circulação de pessoas e distanciamento social são imprescindíveis. No entanto, as pessoas não devem deixar de ir aos médicos regularmente e fazer exames. E temos que enaltecer a vacinação, pois só assim a gente voltará para algo próximo ao que tínhamos. Enquanto isso, devemos continuar a lavar as mãos com água e sabão, usar a máscara dupla e evitar as aglomerações", enfatizou.

Mulher segurando laço rosa, símbolo da campanha de prevenção ao câncer de mama; outubro rosa
Laço rosa, símbolo da campanha de prevenção ao câncer de mama . Crédito: Shutterstock

TRATAMENTO NA REDE PÚBLICA

Na rede pública, o tratamento contra o câncer continua mesmo na pandemia. A Secretaria Estadual da Saúde explicou que o acesso aos procedimentos oncológicos está mantido, inclusive por decreto estadual, sendo que tanto os pacientes que já realizavam atendimentos quanto os novos permanecem sendo assistidos no Sistema Único de Saúde (SUS) de acordo com suas necessidades.

No atendimento público, o Espírito Santo conta com um estabelecimento de saúde habilitado para realizar o acompanhamento dos pacientes, que é o Centro de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Cacon).

Também há sete estabelecimentos de saúde habilitados como Unidade de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Unacon), sendo seis localizadas na região metropolitana e uma em Cachoeiro de Itapemirim, no Sul do Estado.

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