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Luciney Araújo
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O segredo que impede o mar de "engolir" a areia na Praia de Camburi

Sistema construído em Vitória na década de 1970 foi combinado com uma obra de engordamento da praia, realizada em 1999. Entenda

Isaac Ribeiro

Repórter

Publicado em 11 de Maio de 2022 às 10:53

Publicado em

11 mai 2022 às 10:53
Imagens de drone da Praia de Camburi
Imagens de drone da Praia de Camburi - Pier de Iemanjá Crédito: Luciney Araújo
O segredo que impede o mar de "engolir" a areia na Praia de Camburi
Para impedir o impacto destrutivo da erosão causada pelo avanço do mar, obras de engenharia foram executadas ao longo da região costeira do Espírito Santo. Um exemplo disso foram as intervenções realizadas na Praia de Camburi, em Vitória.
A mais recente ocorreu em 2020 com a ampliação da faixa de areia, ou engordamento de praia, quando são colocados mais sedimentos na extensão litorânea. A faixa de areia teve 1.180 metros restaurados e 59,1 metros de largura.
Na década de 1970, o trecho recebeu estruturas de pedra para bloquear o transporte de sedimentos: os espigões, ou píeres. A praia de Camburi tem dois deles. Outra intervenção, conhecida como Píer de Iemanjá, é um guia corrente.
Imagens de drone da Praia de Camburi
Imagens de drone da Praia de Camburi - Pier de Iemanjá Crédito: Luciney Araújo
"Espigões têm a função de bloquear transporte de sedimentos que vem ao longo da costa em função de uma corrente longitudinal. O guia corrente tem uma forma transversal à linha costa. Ele impede que as ondas levem sedimento para o rio ou para o canal "
Jacqueline Albino - Professora doutora do Departamento de Oceanografia e Ecologia da Ufes
Jacqueline conta que, na década de 1990, a calçada da orla de Camburi estava quebrada em função da erosão. À época, o governo optou por fazer um estudo e o resultado apontou que a alternativa era fazer uma alimentação artificial de areia na praia.
“Eles aumentaram a faixa de areia, colocaram estruturas duras como aqueles espigões. Colocaram as estruturas para conter o transporte de sedimento daqueles lugares. Essa obra é um sucesso”, ressalta.
A pesquisadora destaca que, antes da obra, é preciso fazer estudos locais afim de construir uma base de dados que permita que os técnicos conheçam a dinâmica do local para realizar simulações do que é necessário àquele espaço.
Outra ferramenta utilizada são os programas de computador que fazem modelagens que mostram como o ambiente pode reagir à obra e aos sedimentos escolhidos. Assim, é possível prever como o grão utilizado vai interagir com a região afetada pela erosão.
“Em Camburi foi escolhido o sedimento certo. A praia interage com o tamanho do grão, com a onda e com a forma do mar. Não pode jogar qualquer grão. As ondas decidem o que vai acontecer. Por isso é importante fazer as modelagens”, orienta.
A especialista explica que, se as intervenções não tivessem sido feitas, a faixa de areia da praia estaria menor. De acordo com a pesquisadora, a erosão aumentaria à medida em que a praia sofresse influência das condições climáticas e meteorológicas.

MONITORAMENTO DE PRAIAS

O secretário de Meio Ambiente de Vitória, Tarcísio Foeger, é geógrafo. Ele informou que, assim como acontece em Camburi, o Executivo municipal monitora pontos de erosão nas praias do Iate Clube, Guarderia e a Curva da Jurema.
Ele explica que pelas caraterísticas geológicas e geomorfológicas da ilha de Vitória, o município conta com boa parte dela bem abrigada com formação de manguezais, restingas e apicuns.
"Isso faz com que haja uma estabilidade considerada. A parte mais erosiva de Vitória é essa mais aberta, mais exposta ao mar. Quando falamos de engordamento para conter erosão, temos o momento antes da obra, a obra em si e o pós-obra"
Tarcísio Foeger - Secretário de Meio Ambiente de Vitória
De acordo Tarcísio, antes do início da obra é necessário estudar o comportamento do mar na região para entender a movimentação erosiva. Na execução, é importante se atentar às diretrizes do projeto. Já o pós-obra é monitorar o que foi feito e as variações.
“Na engorda, até o tipo de areia é importante. Se é uma areia mais densa, mais pesada, tem probabilidade de ficar mais no ambiente. Quando a areia leve é, fina, é facilmente carregada. A jazida tem de ser de fonte licenciada e com toda análise de elementos patológicos realizada”, explica o secretário municipal.
Erosão na Praia do Iate, em Vitória
Erosão na Praia do Iate, em Vitória Crédito: Ricardo Medeiros

O QUE CAUSA EROSÃO EM CAMBURI?

Os especialistas apontam que na década de 1960 a região da Praia de Camburi passou a sofrer alteração no padrão de ondas. 
A geógrafa e doutora em Oceanografia Giseli Machado explicou que o canal de acesso ao Porto de Tubarão fez com que as ondas ficassem mais altas.
"O canal de acesso ao porto alterou a energia das ondas no centro do arco praial. As ondas ficaram mais altas desencadeando processos erosivos mais intensos"
Gisele Machado - Geógrafa e doutora em Oceanografia
A areia, representada por dunas ou falésias, servem como depósitos naturais de sedimentos que abastecem o mar. As ondas mais fortes, quando batem nas dunas, gastam a energia, amortecem e movimentam a areia de acordo com a necessidade. 
Em outro momento, o sedimento transportado é devolvido ao local de origem. No entanto, o aterro aliado a dragagem de areia (para viabilizar o tráfego de navios) em zonas submersas do entorno podem ter contribuído para a erosão. 
Na década de 1970, foram construídos os dois espigões (píeres) para represar os sedimentos que eram levados para fora da Praia de Camburi pelas correntes longitudinais, aquelas presentes perto da praia. Com o tempo, a erosão continuou porque a praia já apresentava falta de sedimentos.
Em 1999, a praia sofreu o primeiro processo de engordamento artificial, como solução do processo erosivo iniciado na década de 1970. À época, foram despejados 970 mil m³ de areia entre os píeres.
Giseli explicou que a areia foi retirada de uma jazida no fundo do mar e colocada na praia. Com a praia maior, ou seja, a maior disponibilidade de areia e a instalação dos espigões, a erosão na praia foi contida. Agora, é monitorada e passa por manutenções.

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