Outra morte inaceitável
A morte da pequena Laura é um momento que exige reflexão. É mais uma morte no trânsito, que tem feito vítimas todos os dias. É inaceitável que uma criança de cinco anos, com uma vida inteira pela frente, seja morta por um motorista que furou um sinal vermelho. Ela e a mãe estavam na faixa de pedestres! E foi justamente na faixa, planejada pra ser o local mais seguro, que essa família foi destruída.
Quem anda nas ruas já se deparou com motoristas e motociclistas em altíssima velocidade onde o limite permitido não chega a 40km. As tragédias no trânsito impõem uma ação mais enérgica da Polícia Rodoviária Federal, do Batalhão da Trânsito da Polícia Militar, das Guardas Municipais, do Detran|ES. Assim como também impõe uma atuação firme do Ministério Público e da Justiça na defesa das vítimas e na punição dos infratores.
Se nada for feito, a imprudência vai continuar encontrando amparo na impunidade.
- Laura estava sentindo dores e foi levada pela mãe ao Pronto Atendimento (PA) da Glória, na noite de quarta-feira (21). Após o atendimento, a mãe — com a menina no colo — seguia ao encontro do marido, que a aguardava de carro numa rua transversal. No momento em que atravessavam a faixa de pedestres, foram atingidas por um carro e arremessadas por cerca de 20 metros.
- Imagens de câmera de monitoramento mostram que o sinal para pedestres estava aberto e que o motorista avança sobre a faixa. As duas ficaram caídas no asfalto e o motorista do veículo não voltou para prestar socorro.
- O condutor levou o carro para uma oficina e, uma hora e vinte depois do acidente, Wenderson Fagundes Melo, de 20 anos, compareceu à Delegacia Regional de Vila Velha. Ele foi autuado por lesão corporal culposa, mas acabou liberado após pagar fiança. O valor estipulado pela autoridade policial não foi revelado pela Polícia Civil.
- A mãe teve fraturas pelo corpo e vai precisar passar por cirurgias. A criança já foi internada em estado gravíssimo, intubada e sem reagir a estímulos. Na tarde de sexta-feira (23) teve a morte cerebral confirmada.
- Em vídeo enviado à reportagem, o motorista pediu perdão e disse: "Se precisar ficar preso, ficarei preso".