Reporter / [email protected]
Publicado em 20 de maio de 2025 às 15:09
A assistente administrativa Camila Lopes Mercês, de 27 anos, afirma estar vivendo dias de apreensão após o nascimento da segunda filha, ocorrido no Hospital Materno Infantil da Serra. Segundo ela, a bebê sofreu uma fratura durante o parto realizado no último dia 12 de maio, em decorrência de erro médico na cesariana. Os nomes dos profissionais envolvidos não foram fornecidos. >
Camila conta que chegou à maternidade na madrugada do dia 12, já em trabalho de parto. Segundo o relato dela em conversa com a reportagem de A Gazeta, o médico de plantão na madrugada teria demonstrado dúvidas sobre o quadro clínico e a manteve em observação por cerca de uma hora, enquanto buscava orientação com outra profissional por telefone. Posteriormente, a internação foi decidida.>
"Ele disse que, se eu entrasse em trabalho de parto efetivo ainda na madrugada, fariam a cesárea. Caso contrário, o plantão da manhã decidiria", lembra Camila. Ela afirma que o médico do plantão seguinte teria optado pela cirurgia sem realizar novos exames ou reavaliações.>
Camila Lopes Mercês
Mãe e assistente administrativaDurante o parto, Camila contou ter sido informada pela equipe que a bebê apresentava uma luxação. A justificativa, segundo ela, foi de que poderia se tratar de uma má formação devido à posição fetal. No entanto, a mãe afirma que o marido, presente na sala, relatou que a criança foi puxada pela perna. "O médico disse que ela estava sentada no último ultrassom, mas que saiu de cotovelo. Ele afirmou que tentou colocá-la de volta para girar e, como não achou a cabeça, puxou pela perna", relata.>
>
Camila diz não ter recebido pedido de desculpas ou admissão de responsabilidade por parte da equipe médica. "Tentaram justificar o injustificável", afirma. Ela também narra que o primeiro contato da ouvidoria do hospital ocorreu no próprio dia do parto, perguntando por que ainda não havia feito uma reclamação formal. "Expliquei que aguardaria os laudos médicos e os retornos com especialistas para entender melhor o que estava acontecendo", complementou a mãe.>
A recém-nascida está em acompanhamento com um ortopedista e permanece com a perninha imobilizada com gesso. A mãe afirma que a filha está sem dores, mas enfrenta dificuldades para mamar e só consegue se alimentar sentada. "A previsão é de dois meses com o gesso. A cada semana, o ortopedista vai avaliar o crescimento dela", explica.>
Segundo Camila, ainda não houve acompanhamento médico pós-parto para ela. "Estou totalmente focada nela. Não consegui sequer cuidar dos meus pontos", lamenta. Ela afirma que está tomando providências jurídicas, embora ainda não tenha registrado a reclamação formal na ouvidoria. “Pretendo fazer isso após a próxima consulta com a pediatra.”>
O maior temor da mãe agora é em relação ao desenvolvimento da filha. "Meu medo é que esse terror dure mais do que dois meses. Tenho receio de sequelas e de como isso vai afetar o crescimento dela", disse a assistente administrativa.>
Camila também desabafou dizendo ter se arrependido de escolher o hospital para realizar o parto do bebê. "Me senti muito culpada por escolher aquele hospital e por não conseguir segurar a gravidez até as 39 semanas, embora saiba que não foi minha culpa. Desde que soube da fratura, só penso em que ela fique bem — preferia que tivesse acontecido comigo, e não com ela.">
Camila afirma esperar que as medidas cabíveis sejam tomadas. "Não quero que ninguém passe por isso de novo. Só quero que o hospital e a equipe médica arquem com as consequências de seus atos", declara.>
A reportagem de A Gazeta entrou em contato com a Prefeitura da Serra sobre o episódio ocorrido no Hospital Materno Infantil e também com a Santa Casa de Vitória, responsável pela administração da unidade. Além disso, a Secretaria de Estado da Saúde foi procurada, assim como o Conselho Regional de Medicina (CRM-ES) (Sesa).>
Por nota, A Secretaria de Saúde da Serra informou ter tomado conhecimento do ocorrido e que está apurando, junto à Organização responsável por administrar o Hospital Municipal Materno Infantil, a veracidade e responsabilidade dos fatos. "A Sesa informa ainda que preza pelas boas práticas no exercício da medicina e no atendimento aos usuários da rede municipal de saúde", finaliza a pasta>
Já o CRM-ES salientou que não se manifesta sobre casos concretos, a não ser nos autos. Conforme disposto no Código de Processo Ético Profissional, todos os trâmites processuais correm em segredo de Justiça.>
"Toda denúncia feita ao CRM-ES é rigorosamente apurada. Depois que ela é oficialmente feita, abre-se sindicância e, após a conclusão dela, em caso de indício de falta ética, é aberto processo ético-profissional", finalizou o órgão.>
A Santa Casa de Vitória e a Secretaria Estadual de Saúde não se manifestaram até a publicação do texto e o espaço segue aberto para um posicionamento. >
Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem.
Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta