O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) investiga a origem das peças plásticas encontradas na faixa de areia das praias de Manguinhos e Curva da Baleia, em Jacaraípe, na Serra, bem como em Vila Velha, Fundão e Aracruz, desde o mês de junho. Os responsáveis poderão ser responsabilizados pelos danos ambientais.
Segundo o Ibama, que foi acionado pelo Instituto de Pesquisa e Reabilitação de Animais Marinhos do Espírito Santo (Ipram), as apurações realizadas até o momento indicam que o material encontrado pode corresponder a biomídias utilizadas em sistemas de tratamento de esgoto ou de resíduos gerados durante processos fabris (efluentes industriais).
Essas pequenas peças são utilizadas em reatores biológicos para fixar e multiplicar microrganismos benéficos, responsáveis pela decomposição rápida da matéria orgânica presente nos efluentes e eliminação dos poluentes.
Entretanto, as biomídias costumam ser produzidas com material resistente à biodegradação e, quando descartadas de forma inadequada, podem permanecer no ambiente por longos períodos.
“As peças, inteiras ou fragmentadas, também podem ser ingeridas pela fauna e, ao se degradarem, dar origem a microplásticos, com potenciais impactos sobre os organismos aquáticos e a cadeia trófica”, reforçou o Ibama, que busca apoio junto a órgãos ambientais estaduais para identificar a origem do material, uma vez que não dispõe de laboratório para análise específica desse tipo de componente.
Ainda de acordo com o instituto, somente após a identificação da origem do material e o esclarecimento das circunstâncias em que as peças foram liberadas, será possível avaliar possíveis infrações ambientais e adotar as medidas administrativas cabíveis, incluindo a aplicação de penalidades e a determinação de medidas de reparação ou compensação dos danos ambientais.
Os primeiros registros das peças em praias do Espírito Santo ocorreram na primeira quinzena de junho, quando moradores encontraram grande quantidade das peças espalhadas nas praias da Serra. Equipes da Secretaria de Serviços do município realizaram a limpeza da faixa de areia. Na ocasião, a Companhia Espírito-Santense de Saneamento (Cesan) informou que não utiliza esse tipo de material em suas Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs).
No fim de junho, o Instituto de Pesquisa e Reabilitação de Animais Marinhos do Espírito Santo (Ipram) voltou a localizar biomídias nas praias de Aracruz e Fundão. Dias depois, novas peças foram encontradas dentro de tubos armazenados em um ferro-velho de Terra Vermelha, em Vila Velha, além da faixa de areia na foz do Rio Jucu, na Barra do Jucu.
“Foi aí que começamos a nos perguntar se a fonte da poluição não estaria no interior do continente, vindo pelos cursos de água doce até o mar”, relatou o IPRAM.
No dia 31 de julho, equipes de monitoramento voltaram a localizar biomídias em Aracruz. Diante das novas evidências, o instituto encaminhou um ofício ao Ibama.
Em Vila Velha, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente informou que a quantidade de peças encontrada na foz do Rio Jucu ainda é pequena em comparação com outros municípios, mas afirmou que acompanha o caso em conjunto com os demais órgãos envolvidos.
“As equipes permanecem atentas e qualquer nova informação será compartilhada com os órgãos competentes para auxiliar na investigação e na adoção das medidas necessárias. Quem encontrar esse material no litoral de Vila Velha também pode entrar em contato com a Ouvidoria Municipal pelo telefone 162”, informou a secretaria.
A reportagem também solicitou posicionamento às prefeituras da Serra, Aracruz e Fundão.