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Greve na Ufes: professores liberam portões, mas alunos bloqueiam entrada

Greve na Ufes: professores liberam portões, mas alunos bloqueiam entrada

Após notificação extrajudicial feita pela universidade, docentes liberaram acesso nesta quinta (18); mas movimento estudantil retomou bloqueio com demandas para a comunidade acadêmica

Publicado em 18 de abril de 2024 às 14:16- Atualizado há um mês

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Estudantes da Universidade Federal do Espírito Santo durante greve no campus de Goiabeiras
Entrada do campus de Goiabeiras foi fechada por estudantes nesta quinta-feira (18). (Vitor Jubini)
João Barbosa
Repórter / [email protected]
Felipe Sena
Repórter / [email protected]

Mais uma vez, a Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) amanheceu com os portões fechados. Desde a última segunda-feira (15), quanto teve início a greve de professores universitários, a Associação dos Docentes da Ufes (Adufes) promovia o bloqueio da entrada do campus de Goiabeiras, em Vitória.

Entretanto, diante de uma notificação extrajudicial enviada pela Administração Central da Ufes aos grevistas na noite desta quarta-feira (17), os portões foram liberados pelos professores. Porém, nesta quinta-feira (18), o fechamento foi organizado pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE).

Com a paralisação, o DCE afirma buscar pela reivindicação de demandas consideradas essenciais para a comunidade acadêmica. Por meio das redes sociais, os estudantes destacaram os pontos que motivam a paralisação:

  • Revogação da resolução que associa assistência estudantil ao calendário letivo;
  • Jantar em Maruípe;
  • Revogação da portaria 23/2016 que restringe manifestações culturais no campus;
  • Melhoria na iluminação do campus, garantindo um ambiente mais seguro para todos;
  • Implementação de cotas trans e unificação do sistema quanto ao nome social;
  • Aumento da assistência para estudantes com deficiência;
  • Criação de Comissão de Avaliação, sob responsabilidade da Secretaria de Inclusão e Acessibilidade (SIAC);
  • Ampliação de acessibilidade no RU para pessoas com deficiência e neuro divergentes;
  • Reabertura do 'RUzinho' de Goiabeiras.

“Este dia de mobilização é crucial para expressarmos nossas necessidades e lutar por melhorias significativas em nossa universidade”, diz o comunicado do DCE.

O que diz a Ufes

Em nota divulgada no começo da noite desta quinta-feira (18) nas redes sociais, a Ufes informa que representantes da Administração Central participaram, durante a tarde, de uma reunião aberta com dirigentes do movimento de paralisação dos alunos e do Diretório Central dos Estudantes (DCE).  apresentassem as reivindicações pautadas durante a paralisação das atividades com a ação de bloqueio dos acessos ao campus.

"Ao final da reunião, foi deliberado que a gestão da universidade fará a convocação de uma sessão extraordinária do Conselho Universitário para a apresentação das reivindicações do movimento estudantil, em caráter de urgência, considerando que os estudantes farão a liberação dos portões de acesso ao campus, proposta que será analisada pelo movimento em plenária ainda nesta quinta-feira (18)", diz a nota da Ufes.

Ainda na nota, a Ufes reforçou a necessidade de abertura imediata dos portões de acesso ao campus de Goiabeiras, com a garantia do direito constitucional de ir e vir da comunidade.

Desenrolar da greve de professores

paralisação dos docentes da Ufes teve início na segunda-feira (15). Desde então, todas as entradas da universidade foram bloqueadas, deixando cerca de 11 mil alunos de cursos superiores sem aula e sem acesso ao restaurante universitário (RU). Naquele dia, bancários não puderam trabalhar e 445 alunos da Escola Municipal de Ensino Fundamental (EMEF) Experimental de Vitória ficaram sem acesso ao prédio escolar, situado dentro do campus.

Já na terça-feira (16), o acesso foi parcialmente liberado no Portão Norte no campus de Goiabeiras, permitindo que o RU funcionasse, assim como as agências bancárias e a escola da prefeitura. Na quarta-feira (17), a reportagem de A Gazeta constatou que essa situação se manteve.

No comunicado divulgado na noite de quarta (17) sobre a notificação extrajudicial ao movimento grevista, a Ufes destacou que o fechamento dos portões foi mantido mesmo após ter apresentado vários argumentos à Adufes sobre a necessidade de abertura, inclusive tendo apelado para a garantia do direito constitucional de ir e vir da comunidade, em reunião realizada com o comando de greve na terça-feira (16).

"O bloqueio dos acessos, que segundo informações veiculadas pela Adufes em suas redes sociais deve ser mantido até sexta-feira (19), desrespeita a Lei de Greve (Lei 7.783/89), que proíbe aos grevistas impedir o acesso ao trabalho, além do direito de ir e vir, assegurado pela Constituição Federal", argumenta a universidade no comunicado.

A Associação dos Docentes da Ufes (Adufes) confirma que recebeu uma notificação extrajudicial do Gabinete da Reitoria da Ufes para a desocupação dos portões de acesso à universidade. Segundo a associação, havia um compromisso firmado pelo reitor Eustáquio de Castro, na segunda-feira (15), de não judicializar a greve. "Mas o teor do documento enviado, repleto de argumentos jurídicos, é o passo que antecede a ação judicial", diz comunicado publicado pela entidade.

A Adufes ressalta que a plenária do movimento deliberou pela abertura do portão norte do campus de Goiabeiras e dos portões de pedestres. E destaca que, com isso, o Restaurante Universitário (RU) está funcionando normalmente e o acesso à Escola Experimental, da Prefeitura de Vitória, também está aberto. Além disso, acrescenta que o evento do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (Pibid), nesta quarta-feira (17), no Teatro Universitário, também transcorreu normalmente.

"A decisão pelo piquete, que é ferramenta histórica dos movimentos grevistas, também se baseia nos inúmeros relatos de assédio a docentes que deflagraram greve, assim como contra estudantes, o que protege as pessoas que estão sob ameaça", diz o comunicado da Adufes.

"O comando de greve reafirma que cumpre seus compromissos e espera que a Administração Central da Ufes cumpra com os seus ao invés de partir para a judicialização, intimidação, obstrução de negociações e ofensas gratuitas dentro das dependências da única universidade pública do Estado", acrescenta o texto divulgado pela associação.

MPF pede esclarecimentos

O Ministério Público Federal (MPF) enviou ofícios tanto à Ufes quanto à Adufes pedindo que sejam prestados esclarecimentos, em um prazo de cinco dias, a respeito das ações praticadas durante a greve, entre elas, o fechamento dos portões do campus de Goiabeiras. Um terceiro ofício, com o mesmo prazo, também foi enviado ao Sindicato dos Trabalhadores da Ufes (Sintufes), que representa trabalhadores das áreas técnicas e administrativas, em greve desde o dia 13 de março.

Por meio das assessorias de imprensa, Adufes e Sintufes disseram que ainda não receberam o ofício. Já a Administração Central da Ufes informou que recebeu o ofício do MPF na tarde de quarta.

"A Administração Central da Ufes informa, ainda, que a notificação extrajudicial feita à Adufes foi motivada pelo não atendimento da solicitação de desbloqueio dos portões, feita pelos representantes da gestão da Universidade nas duas reuniões de interlocução com o comando de greve docente. Não houve relação com o ofício recebido do MPF", diz nota enviada à reportagem.

Greve na Ufes - professores liberam portões, mas alunos bloqueiam entrada
Errata Atualização
18 de abril de 2024 às 20:11

Esta reportagem foi atualizada com nota publicada pela Ufes nas redes sociais sobre a manifestação dos estudantes que fechou os portões do campus de Goiabeiras.

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