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Superação

Ex-moradora de rua expõe arte no TJES: 'Pintura é a minha salvação'

Ana Lilia, que antes vivia embaixo da Terceira Ponte e vendia seus quadros em sinais de trânsito para sobreviver, agora ocupa o espaço cultural do Tribunal de Justiça
Pedro Paulo Rocha

Publicado em 

17 set 2025 às 17:51

Publicado em 17 de Setembro de 2025 às 17:51

Durante nove anos, o ateliê de Ana Lilia, 56 anos, foi improvisado sob a Terceira Ponte, em Vitória. Entre o concreto e o barulho dos carros, a artista vendia quadros em sinais de trânsito para garantir o mínimo: comida, dinheiro, dignidade. Sua trajetória foi contada em A Gazeta em novembro do ano passado e também em reportagem exibida no programa Em Movimento, da TV Gazeta, no último sábado (13). A história causou comoção e, desde então, a vida de Ana Lilia tomou um novo rumo.
Hoje, Ana ocupa um espaço diferente. Suas obras deixaram os semáforos e chegaram às paredes do Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES). No espaço cultural da instituição, Ana apresenta a exposição Renascimento, composta por 35 telas feitas em eucatex reaproveitado, trabalhadas com óleo e acrílico, que estará disponível para o público até o fim deste mês, com entrada gratuita. A artista destaca que, mais do que uma mostra de arte, a exposição é o reflexo de sua trajetória de superação e de um recomeço que ela própria define como um “renascimento”.
AExposição
Os quadros de Ana Lilia estão na exposição "Renascimento" até o fim deste mês no TJES Crédito: Rafaela Aguiar/TJES
“É o renascimento de uma nova fase na minha vida. Uma fase de conhecimento, de aprimoramento, e a pintura é a minha salvação. Não me vejo fazendo outra coisa”, afirmou Ana, em entrevista ao programa Em Movimento, ao lembrar do período em que deixou as ruas e passou a viver em um abrigo de Vitória.

Arte como sobrevivência

Ana Lilia começou a pintar ainda na infância, aos 11 anos, mas foi na rua que a arte se tornou sustento. “Eu pinto, tenho dinheiro, tenho comida, tenho tudo o que preciso. Se não pinto, não tenho nada”, contou em entrevista para A Gazeta.
Hoje, cada tela carrega um novo significado. As cores representam não apenas o talento, mas a resistência de quem conheceu as dificuldades da rua. “As pessoas desconhecem a vida nas ruas. É uma sociedade diferente, com regras distintas e muito difíceis. Vejo minha vida retornando, pois não nasci na rua. Cheguei lá por acaso e agora estou conseguindo me reerguer”, relata.
Ana Lilia pinta quadro no abrigo em que mora atualmente, em Vitória
Ana Lilia pinta quadro no abrigo em que mora atualmente, em Vitória Crédito: Diego Araújo

O encontro com o TJES

A virada na história de Ana começou quando Fábio Buaiz de Lima, coordenador de gestão documental do TJES e responsável pelo espaço cultural da instituição, a reencontrou em um sinal de trânsito. Ele já conhecia a história da artista por uma reportagem e decidiu se aproximar.
“Ofereci, então, um espaço para ela, pois acredito na importância de oferecer apoio a pessoas em situação de vulnerabilidade. Acreditei que seria pertinente incluir essa questão no contexto do Tribunal de Justiça. Assim, ela apresentou esta exposição, que ressalta a palavra ‘renascimento’, representando sua superação pessoal. Embora ainda enfrente uma fase de transição desafiadora, sua determinação e superação diárias são evidentes”, conta Fábio.
A proposta se concretizou na exposição que, além de valorizar a produção artística, abre espaço para o diálogo sobre inclusão e cidadania dentro do tribunal. Para Fábio, a arte de Ana Lilia também simboliza um desafio maior: ampliar o acesso de pessoas em situação de vulnerabilidade a iniciativas culturais.
Quadros de Ana Lília em exibição no Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES)
Quadros de Ana Lilia em exposição no Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES) Crédito: Carol Veiga/TJES

Programação

A exposição Renascimento está aberta ao público até o dia 26 de setembro, de segunda a sexta-feira, das 12h às 19h. Além de contemplar o trabalho da artista, a mostra também disponibiliza as obras para venda. São quadros que, um dia, foram ofertados em sinais de trânsito e agora ocupam um espaço de valorização da cultura local.
“É gratificante quando as pessoas sorriem ao ouvir que não estou mais nas ruas. É um sorriso verdadeiro, e isso me fortalece. Ainda há muito a acontecer, este é apenas um degrau”, diz Ana, que hoje considera o abrigo onde vive como sua casa.
Este conteúdo é uma produção do 28º Curso de Residência em Jornalismo. A matéria teve edição de Weber Caldas, editor-adjunto do Núcleo de Reportagens de A Gazeta.

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