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Coronavírus

Especialistas apontam como população já está vivendo 'novo normal'

Pandemia mudou hábitos, as interações sociais e formato do mercado de trabalho. Já o funcionamento de outras áreas, como a edução presencial, ainda não está definido
Redação de A Gazeta

Publicado em 

29 jul 2020 às 11:05

Publicado em 29 de Julho de 2020 às 11:05

A Igreja de Jesus Cristo dos Últimos vai doar um total de 3 milhões de máscaras para todo o país
Máscaras são fundamentais no combate à disseminação do novo coronavírus Crédito: Divulgação
De meados de março pra cá, não há quem não tenha deixado hábitos e adquirido outros devido à pandemia do novo coronavírus. Pelo menos duas medidas se tornaram essenciais: usar máscaras e higienizar bem as mãos.  Mas a chegada do vírus, que ainda desafia a ciência,  provocou mudanças em diversas áreas da vida do capixaba, o já tão falado "novo normal".  
"O novo normal é uma adaptação à nossa realidade habitual. É voltar a fazer o que fazíamos, mas levando em consideração as precauções, mantendo o distanciamento com terceiros, evitando lugares aglomerados e de confinamento. É retornar para nossas atividades com novas regras, quem for resistente em se adaptar vai sofrer mais", afirmou Rubia Miossi, infectologista que acompanha a pandemia no Espírito Santo desde o começo. 
Para a médica, essas regras já fazem parte do novo normal, ou seja, o capixaba precisa delas para qualquer atividade que for realizar.  "A vida vai voltando à rotina, mas os cuidados com a saúde se tornaram ainda mais fundamentais, pois conhecemos o risco dessa doença e a sua gravidade de fato existe", ressaltou Miossi. 

RECURSOS HUMANOS

Quando observamos o ramo profissional, o "novo normal" tem trabalhadores produzindo de casa. O home office era uma alternativa pensada pelos empregadores e empregados, mas que ainda engatinhava. A pandemia acelerou a aplicação deste formato de produção
"O home office, que veio com o distanciamento social, talvez tenha sido feito de maneira amadora. As pessoas tiveram que abrir, do nada, um espaço para o trabalho em casa. Mas essa mudança na forma de trabalhar contou com o auxílio da tecnologia e provou que as pessoas não precisam estar no mesmo lugar, mesmo que trabalhem em equipe", pontuou Kátia Vasconcelos, presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-ES).
Assim,  as relações de trabalho deixaram de depender do mesmo local e de uma supervisão. A gestão de funcionários deixou de ser responsável por observar, tomar conta,  o tempo todo.
Oportunidades de emprego na área de tecnologia da informação
Oportunidades de emprego na área de tecnologia da informação Crédito: Pixabay
"A liderança, agora, tem que ser mais orientadora que supervisora e desenvolver habilidades que não são do núcleo do conhecimento técnico, mas sim conhecimentos mais humanos: capacidade de comunicação, de entender o outro lado, ter escuta empática e resolver problemas que envolvam questões da ordem humana. Os líderes de controle estão gerando constrangimento e aquele que tiver capacidade de ser mais humano vai tirar o melhor da equipe", pontuou Kátia.
A necessidade do distanciamento social  também gerou reflexo no recrutamento de novos funcionários. As etapas da seleção,  entrevistas e até dinâmicas de grupo passaram a ser realizadas on-line. Mas isso também tornou imprescindível recursos tecnológicos e posturas: uma boa internet, câmera adequada e imagem pessoal. 

CONSTRUÇÃO SOCIAL

No Brasil como um todo, assim como as epidemias da gripe espanhola e febre amarela, a Covid-19 deverá trazer para o "novo normal" avanços na área médica e científica. O sociólogo Marcelo Fetz explica que, com base na história, também há semelhança na forma como as pessoas e o governo brasileiro reagiram.
"O novo normal é uma reflexão dos nossos comportamentos. A reforma completa do que temos hoje como sociedade, do consumo, o impacto ambiental, o avanço da fronteira agrícola, o próprio novo coronavírus que foi uma adaptação de um vírus animal. É uma reconstrução estrutural, pois essa e outras pandemias  tem uma relação de causa e efeito com nossas práticas. Precisamos repensar como colaboramos com o aumento do aquecimento global, que somado de maneira planetária, volta e meia produz esses estopins que prejudicam a saúde no mundo", pontua Fetz, que também é professor da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes)
Data: 26/03/2020 - ES - Vitória - Movimento de pessoas no calçadão da Praia de Camburi durante pandemia do Covid-19
Movimento de pessoas no calçadão da Praia de Camburi durante pandemia do Covid-19 Crédito: Carlos Alberto Silva
Na política, o sociólogo diz que as expectativas não são boas. "Nosso histórico não é positivo. Não tivemos um movimento coordenado nacionalmente, uma política de quarentena, ou seja, a intervenção do Estado diretamente para quebra da rotina da população", afirmou Marcelo.

DESINFORMAÇÃO

O novo normal exibiu os danos provocados pela desinformação. Na gripe espanhola de 1818,  quem fazia o papel de distribuir a informação sobre a doença no dia a dia das pessoas era a imprensa, um meio concentrado de produção de notícias, institucionalizada e regulada.  "Hoje  temos a possibilidade de auto produção de conteúdo, agentes isolados passam a produzir informações de forma heterogênica. Com isso, o negacionismo e conservadorismo  que havia na gripe espanhola - considerada uma doença só de idosos ou que era apenas uma gripe -  em menor escala,  se espalhou rapidamente e se tornou danoso na pandemia do novo coronavírus", observou. 

EDUCAÇÃO

O "novo normal" no ensino ainda é uma incógnita. Apesar de não haver ainda no Espírito Santo, e na maioria dos Estados do país, um protocolo seguro para o retorno das aulas, o aumento da desigualdade é um fator que só cresce com o passar o tempo. 
"Não há um projeto de educação estadual ou nacional, alunos cada vez mais frustados, vários sem condições de aprender. Falta ter professores para tomar as decisões, pois na formação deles também aprendem a serem gestores educacionais. É preciso ter segurança epidemiológica para se ter aulas novamente", observou Daniel Cara, professor da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP). 
A pandemia trouxe a busca de alternativas rápidas para dar aos alunos acesso à internet, agora percebida como essencial ao estudante de qualquer rede de ensino. No entanto, não  discutiu-se  sobre distribuição de equipamentos eletrônicos.
"Não houve nenhum esforço massificado. Celular não é equipamento adequado, tem que ser tablet ou computador e isso não foi discutido no Brasil.  Isso revelou uma face mais perversa e que amplia a desigualdade pois não houve a democratização do acesso a equipamento e internet", pontuou o professor. 

PSICOLÓGICO

A distancia entre as pessoas marca o "novo normal", fato que se reflete diretamente no comportamento humano como explica o professor de Psicologia da Ufes, Adriano Jardim. "As pessoas, do ponto de vista psicológico, ainda estão em choque. Estamos com uma sociedade ainda muito desorientada e que não sabe como se posicionar, muita gente com depressão, com dificuldade para dormir e ajustar o  bio-ritmo", observou.
O professor disse que a disseminação do novo coronavírus mostrou como não sabemos lidar com o coletivo e que precisamos compreender um mundo novo,  com distância física, preocupação com limpeza e a necessidade dos comportamentos em conjunto.
Meditação para iniciantes
Em meio às dificuldades também é preciso cuidar do aspecto psicológico Crédito: Andrea Piacquadio/Pexels
"Se uma pessoa tiver um comportamento errado, ela compromete toda a população. Determinados comportamentos de individualismo como antes, não são sustentados mais, pois está sendo gerado um novo código ético com base na cooperação para responder aos problemas globais", observou Jardim. 

ATIVIDADE FÍSICA

O isolamento social fez com que a tecnologia se aliasse ao conhecimento de educadores físicos e nutricionistas para manter o bem-estar das pessoas. Sabendo que a imunidade depende de uma boa alimentação e rotina de exercícios, muita gente priorizou se fortalecer fisicamente ou simplesmente manter o ritmo de atividades.
De acordo com o diretor técnico da Bodytech, Eduardo Netto,  30% dos novos alunos nas academias são indivíduos que buscam saúde e não estética. "A pandemia evidenciou a necessidade  da atividade física, desde o físico, a perda de peso e até a melhora do bom humor. E mais que isso, mostrou que não é preciso muito para que não tenhamos um comportamento sedentário.  Pessoas aprenderam a treinar em casa, assistir treinos on-line, a academia passou a ser virtual também", destacou Netto. 
Homem correndo na praia de máscara
Máscara também podem ser usadas durante a atividade física Crédito: Shutterstock
O comportamento sedentário usava como desculpas a falta de tempo, a intimidação e a falta de dinheiro para ir a uma academia. "Agora, temos  aplicativo que custa 20 reais, com aulas que podem ser assistidas na frente do computador ou do celular, que duram  20 minutos por dia. Com o tempo de deslocamento de uma reunião que agora é online, já é possível se exercitar", completou Netto.
Para o sociólogo Marcelo Fetz, quanto aos hábitos e cuidados, o "novo normal" não é algo que vai durar muito. "Certamente haverá um aprendizado no ponto de vista científico, acelerou processos da ciência e as tomadas de decisões políticas. Área sanitária ganhou importância, além de mudanças institucionais e comportamentais, um novo mundo social. Mas não creio que isso deva se manter após a chegada de uma vacina. Será como uma máquina do tempo voltando às velhas normas de sociabilidade", descreve.

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