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Menina morreu

'Dor e revolta', diz mãe de vítima de falso médico que vai a júri no ES

Julgamento de Leonardo Luz Moreira acontecerá nesta semana, na quinta-feira (27), no Fórum de São Mateus, Norte do Espírito Santo

Publicado em 24 de Fevereiro de 2025 às 10:30

Vinícius Lodi

Publicado em 

24 fev 2025 às 10:30
Dois anos: mãe de menina morta após atendimento de falso médico espera por Justiça
Dois anos: mãe de menina morta após atendimento de falso médico espera por Justiça Crédito: Raphel Verly
A mãe da criança que foi vítima do falso médico Leonardo Luz Moreira pede por justiça. Quatro anos após a morte da filha Ana Luisa Ferreira Marcelino da Silva, de 10 anos, ocorrida no Hospital Roberto Silvares, em São Mateus, no Norte do Espírito Santo, Alessandra Ferreira Marcelino diz lutar para que nenhuma outra família passe por uma experiência como essa. O homem é acusado de homicídio qualificado, exercício ilegal da medicina e falsidade ideológica, e vai a júri popular no Fórum de São Mateus, às 8h, na próxima quinta-feira (27).
"Durante esses 4 anos temos lutado por justiça. Nossa incessante luta, todo esse clamor, é para que nenhuma família, nenhuma criança venha passar por esse sentimento de dor e revolta que a nossa família tem passado. Acreditamos no Ministério Público e na Justiça do nosso país"
Alessandra Ferreira Marcelino - Mãe de Ana Luisa, vítima do falso médico

Réu preso em 2024

Leonardo foi preso em dezembro de 2024, após a Justiça atender a um pedido do Ministério Público pela prisão preventiva. Segundo o MPES, ele foi detido pela Polícia Militar do Paraná, onde dizia residir, depois que investigações apontaram que cursava Medicina presencialmente em uma universidade no Paraguai. Dessa forma, descumpria a ordem judicial de não deixar o país sem autorização, representando risco à aplicação da lei penal e à ordem pública.
Após a prisão, conforme o MPES, o réu contratou uma banca de advogados do Paraná para realizar sua defesa no julgamento.
Leonardo já havia sido preso em 18 de agosto de 2021 pela Polícia Federal em operação voltada ao combate de prática ilegal de Medicina.

Pedido negado

O Tribunal de Justiça negou um pedido da defesa do falso médico Leonardo Luz Moreira para desaforar — ou seja, transferir de comarca, fórum. A defesa citou que a cidade seria "pequena" para o júri (veja mais abaixo).
A reportagem apurou que o juiz Felipe Rocha Silveira, da 1ª Vara Criminal de São Mateus, já havia negado um primeiro pedido de desaforamento, decisão mantida pelo Tribunal de Justiça (TJES).
A defesa argumentou que "não há na pequena cidade de São Mateus situação ideal para que o júri ocorra em cenário imparcial" e sugeriu que o julgamento fosse realizado na Capital.
Sobre isso, o juiz Felipe Silveira rebateu: "Cumpre ressaltar que, segundo os dados catalogados pelo IBGE através do Censo Demográfico, São Mateus chegou à população de 123.752 habitantes, não se tratando de uma cidade pequena", pontuou.

Relembre o caso

Em 2021, logo após a morte da menina de 10 anos, as investigações da Polícia Civil e da Polícia Federal apontaram que Leonardo Luz Moreira, se matriculou em uma faculdade de Medicina na Bolívia, onde estudou por um semestre.
Em seguida, solicitou transferência para uma faculdade brasileira e teria adulterado os registros para computarem, ao invés de seis meses, quatro anos de estudo. Ainda conforme as investigações, o falso médico foi contratado por diversas prefeituras do Norte capixaba e também pelo governo do Estado. Pelos serviços de falsificação, segundo a Polícia Federal, o falso médico cobrava entre R$ 20 mil e R$ 40 mil. "O acusado foi o primeiro a fazer esse esquema.
Logo após virem a público as denúncias contra o falso médico, a professora Alessandra Ferreira Marcelino relatou à reportagem de A Gazeta, na época, que a filha dela, Ana Luisa, de 10 anos, morreu pouco tempo após receber prescrição médica do suposto médico. “Ele matou a minha filha”, afirmou.
Segundo a mãe, o falso médico disse que o caso se tratava de uma gastroenterite e que não adiantaria medicar a menina, pois a mucosa dela estava irritada. A mulher contou que ainda pediu uma receita médica ao homem e ele teria dito para ela continuar dando o medicamento que usou quando a menina começou a vomitar e que poderia dar até refrigerante, se ela pedisse, para não contrariá-la.
Após receber a prescrição médica do homem, a mãe afirma que ela e a filha foram para a sala de medicação, onde o quadro de saúde da filha começou a piorar.
“Na hora que a enfermeira pulsionou a veia dela, minha filha começou a ficar pálida. Quando aplicou a injeção de medicação, minha filha começou a gritar ‘mamãe, meu coração está doendo’, a enfermeira foi retirando tudo e minha filha começou a convulsionar na minha frente”, relata.
Neste momento, as enfermeiras começaram a tentar reanimar a menina e, segundo a mãe, o médico afirmou que a criança havia "voltado”. “Ele disse que minha filha era uma leoa, uma guerreira. Menos de cinco minutos depois, ele voltou e disse que ela havia falecido, já nas primeiras horas do dia 12 de janeiro”, contou à época.

O outro lado

Em nota assinada pelos advogados paranaenses Bruna Mitsui Hara, Roberto Mitsuru Enuki Junior, Mateus Henrique Lino da Silva e Victor Hudson Niquele Santos, dos escritórios Hara Lino Advocacia e Roberto Enuki Advocacia Criminal Especializada, responsáveis pela defesa de Leonardo Luz Moreira, a equipe jurídica afirmou estar confiante de que "os fatos serão esclarecidos". Destacaram ainda que Leonardo "sempre colaborou com as autoridades" e que ele está "à disposição para prestar quaisquer esclarecimentos necessários na sessão plenária designada para a próxima semana".
A defesa acrescentou acreditar na justiça e que vai buscar demonstrar que "os fatos não ocorreram conforme a denúncia do Ministério Público".

Nota da defesa do falso médico (na íntegra)

A defesa do Sr. Leonardo Luz Moreira afirma que está confiante de que os fatos serão esclarecidos e que a verdade prevalecerá. O Sr. Leonardo Luz Moreira sempre colaborou com as autoridades e está à disposição para prestar quaisquer esclarecimentos necessários na sessão plenária designada para a próxima semana. A defesa reitera que o Sr. Leonardo confia no sistema de justiça. Ainda, buscamos demonstrar que os fatos não ocorreram conforme a denúncia do Ministério Público e que trabalhará para demonstrar como os fatos aconteceram verdadeiramente. 

 Quanto ao pedido de desaforamento formulado, esse se justifica pela pressão política exercida sobre os jurados da Comarca, uma vez que há um vídeo postado nas redes sociais onde aparece a Vereadora Valdirene Bernadino e a vice-prefeita Raquel Rocha convocando a população para uma manifestação no dia da sessão plenária. 

 Ainda, a decisão publicada se trata do indeferimento do pedido de suspensão da sessão plenária até o julgamento final do pedido de desaforamento, que ainda está em curso. 

 O julgamento pelos jurados na sessão plenária deve ser imparcial e livre de pressão social ou política, sendo que no caso em voga não se observa. Agradecemos a compreensão da imprensa e da sociedade em geral neste momento delicado. Reiteramos nosso compromisso com a transparência e a ética em todo o processo.

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