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Covid-19: por que ES reduziu novamente intervalo da dose de reforço?

Para esclarecer o motivo da decisão, anunciada nesta quinta-feira (21), o secretário de Estado da Saúde, Nésio Fernandes, conversou com a reportagem de A Gazeta

Vitória / Rede Gazeta
Publicado em 21/10/2021 às 21h38
Vacina
Por que o ES reduziu de novo o intervalo da dose de reforço?. Crédito: wirestock/Freepik

Com o anúncio realizado nesta quinta-feira (21) pelo governo do Espírito Santo, de que o intervalo de tempo de aplicação da dose de reforço contra a Covid-19 em idosos a partir de 60 anos passará a ser de quatro meses em vez de cinco desde a aplicação da segunda dose (ou dose única), dúvidas surgiram entre os leitores de A Gazeta. Para esclarecer o motivo da redução, o secretário de Estado da Saúde, Nésio Fernandes, conversou com a reportagem.

A explicação para a redução do intervalo está relacionada à média móvel de óbitos por 14 dias, que, em agosto, havia chegado ao patamar de 4,5 mortes por dia entre as pessoas com mais de 60 anos, e passou a 9 óbitos diários em setembro. Para conter o avanço ou evitar a estabilização no novo patamar, a redução do prazo seria uma medida segura, segundo o secretário.

Nésio Fernandes afirma que a organização da dose de reforço cabe à autoridade sanitária nesse momento. "E o sistema imune dos idosos responde menos ao estímulo das duas doses do que em outras faixas etárias. É possível que o esquema de aplicação da terceira dose possa ser com 4 ou 5 meses a partir da própria primeira dose — que é quando podemos dar um novo estímulo à produção de anticorpos. Logo, 16 semanas após a segunda dose, é plenamente razoável", disse.

Nésio Fernandes

Secretário de Estado da Saúde

"Em outros Estados da federação, também já foi adotado um intervalo mais curto para a dose de reforço. O Rio de Janeiro, por exemplo, autorizou com três meses a partir da segunda dose. O Mato Grosso do Sul também adotou quatro meses depois da D2. Outros caminham nessa direção"

Para quem não se sente confortável em tomar a terceira dose com intervalo menor, o secretário explica ser facultado aos idosos esperarem cinco ou seis meses. "É preciso entender que estariam abrindo mão de proteção a mais, no entanto. Logo veremos o resultado. Na prática, na vida real, em 30 ou 60 dias depois do reforço, poderemos já observar o comportamento quanto aos óbitos", acrescentou.

Nésio Fernandes e Luiz Carlos Reblin em coletiva de imprensa virtual nesta quinta (21)
Nésio Fernandes e Luiz Carlos Reblin em coletiva de imprensa virtual nesta quinta (21). Crédito: Divulgação/Sesa

QUEDA NA PRODUÇÃO DE ANTICORPOS

O secretário de Estado da Saúde também destacou que importantes estudos vêm apresentando resultados semelhantes ao avaliarem a queda na produção de anticorpos a partir de três a quatro meses da aplicação do imunizante. "Nesse sentido, não preciso esperar essa queda acontecer para garantir um reforço aos idosos. Sabendo haver esse declínio da resposta imune após a segunda dose, posso garantir um reforço aos idosos a partir desse período e ampliar a resposta qualificada quanto ao vírus", esclareceu.

Para Nésio, a redução no intervalo de aplicação da dose de reforço traz apenas benefícios e deve garantir que em meados de novembro haja cobertura de toda a população capixaba. "E, tendo certeza da eficácia apontada em estudos sérios, por que não antecipar?", questionou.

O médico infectologista Lauro Ferreira Pinto concorda com o secretário. "Estamos observando que muitos idosos vacinados meses atrás, principalmente com a Coronavac, que estão demorando a fazer o reforço. Às vezes, porque demorou um pouco para a vacina ficar disponível. É muito importante proteger esses idosos. Estamos vendo idosos não vacinados com reforço que estão adoecendo com mais gravidade. Então a antecipação do reforço é porque hoje sabemos que, em pacientes muito idosos, a vacina tem uma proteção que perde a funcionalidade com o tempo", destacou.

Lauro Ferreira Pinto

Médico infectologista

"A antecipação do reforço tem intenção de proteger os idosos com mais agilidade, por serem mais vulneráveis. Os muito idosos se comportam como imunossuprimidos em relação à Covid-19, então é importante que a proteção vacinal deles seja bem ativa"

MINISTÉRIO DA SAÚDE

Quanto a não aguardar um consenso definido pelo Ministério da Saúde, o secretário Nésio Fernandes afirmou que o órgão tem demonstrado lentidão para tomar decisões importantes quanto ao enfrentamento da pandemia. "Desde o início isso vem acontecendo e já temos um grau de autonomia para tomar decisões. O que decidimos até agora no Espírito Santo, na verdade, sempre foi uma ante sala das decisões nacionais e semanas depois o Brasil fazia também, podemos falar que fomos vanguardistas", brincou.

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