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Publicado em 23 de setembro de 2025 às 08:23
Arrastados no mar por uma corrente de retorno, Magdo Cancio Batista, de 51 anos, e o sobrinho Felipe Henrique Batista da Cruz, de 27, morreram afogados na Praia da Gamboa, em Itapemirim, no Sul do Espírito Santo, na tarde de segunda-feira (22). O fenômeno natural é perigoso, mas comum em muitas praias, e pode ser identificado e evitado pelos banhistas. Veja o que dizem especialistas sobre o assunto.>
A corrente de retorno é transversal à praia, formando uma espécie de corredor que leva a água da parte mais rasa em direção às regiões mais fundas. A professora Jacqueline Albino, subchefe do Departamento de Oceanografia e Ecologia da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), explica como o fenômeno acontece. >
“Ela ocorre quando há uma convergência de duas ondas. Nesse ponto de encontro, o volume de água é maior, assim como a energia. Então, em vez de a energia da onda se dissipar no espraiamento depois da arrebentação, ela retorna. Com essa força, a água é capaz de carregar sedimentos e até uma pessoa”, afirma.>
Com essa mudança no sentido, a água aumenta a profundidade do mar nesse “corredor” e, quanto maior for a profundidade, maior será a velocidade da corrente. Assim, o banhista pode ser levado para uma área sem apoio dos pés e se desesperar ou se cansar na tentativa de nadar de volta para a faixa rasa.>
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Além do encontro das ondas, outros fatores influenciam na formação das correntes de retorno, como a inclinação da praia e a sua exposição. “É preciso ter uma declividade média ou alta depois da arrebentação. Praias mais expostas e abertas também propiciam a formação”, disse Jacqueline Albino. >
O mestre em Oceanografia Física pela Ufes João Koppe ressalta que variáveis como movimento da água ao longo da praia, volume da maré e até a fase da lua também interferem. “Quanto menor a maré, maior a probabilidade de retorno, e a maré baixa é intensificada nas luas cheia e nova”, esclarece.>
Segundo o oceanógrafo, se o vento soprar no sentido longitudinal (paralelo à praia), o fenômeno também é favorecido. Já praias mais acidentadas ou com pedras — formando o que é chamado de “terraços de abrasão” — apresentam menor chance de ocorrência.>
De acordo com Jacqueline Albino, as correntes de retorno são típicas de algumas praias, mas podem ocorrer de forma temporária em outras. Isso depende do nível do mar, da intensidade e direção do vento e até da ocorrência de tempestades. >
Especialistas ouvidos por A Gazeta destacam três principais sinais:>
Jacqueline Albino
Subchefe do Departamento de Oceanografia e Ecologia da UfesCaso o banhista seja surpreendido pelo fenômeno, o mais importante é manter a calma. A orientação do salva-vidas Roberto Emblich é nadar para os lados — nunca contra a corrente, em direção perpendicular à praia. >
Roberto Emblich
Salva-vidasJacqueline Albino reforça: “Às vezes, a corrente nem leva o banhista para tão longe, mas a velocidade do nado pode ser inferior à da corrente, gerando cansaço e risco de afogamento por fadiga. O segredo é nadar para onde as ondas estão arrebentando e usar o embalo para voltar à praia”.>
Saber identificar o fenômeno ajuda a se proteger e também a ajudar outras pessoas. Mas, segundo Roberto Emblich, quem não tem preparo para salvamento não deve entrar no mar. “Quem não é habilitado pode tentar ajudar e acabar se afogando também. O que se pode fazer é jogar uma prancha ou boia para a vítima e acionar o salva-vidas”, orienta.>
*Com informações de matéria originalmente publicada em A Gazeta em 18 de dezembro de 2018>
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