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Nova decisão

Condutor de lancha envolvida em acidente com morte vai a julgamento

Em 25 de julho de 2020, José Silvino Pinafo colidiu sua lancha contra uma estrutura de cimento na Baía de Vitória. No acidente, a namorada dele, de 25 anos, morreu e outras duas pessoas ficaram feridas; defesa vai recorrer

Publicado em 26 de Setembro de 2023 às 15:33

Vilmara Fernandes

Publicado em 

26 set 2023 às 15:33
Lancha Diamante, de propriedade de José Silvino Pinafo, que se envolveu em acidente na Baía de Vitória neste sábado (25)
Lancha Diamante, de propriedade de José Silvino Pinafo, que se envolveu em acidente na Baía de Vitória Crédito: Reprodução/Redes sociais
Três anos após o acidente náutico que resultou na morte de uma mulher de 25 anos, ocorrido na Baía de Vitória, a Primeira Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES) decidiu que o condutor da lancha, José Silvino Pinafo, deverá enfrentar o júri popular. Os desembargadores mudaram, por unanimidade, a decisão da Primeira Vara Criminal de Vitória, que tinha decidido que ele não deveria enfrentar o julgamento.
O acidente aconteceu em 25 de julho de 2020. Eram quase 18 horas quando o condutor colidiu a embarcação contra uma estrutura de cimento — uma passarela — da empresa Technip, no canal da Baía de Vitória. A namorada de Pinafo, a fisioterapeuta Bruna França Zocca, 25 anos, foi arremessada ao mar e morreu no local. Entre os sete passageiros, outras duas pessoas — o casal Manoel Carlos Monteiro Custódio e Muriel da Silva Ferreira Lima — tiveram lesões graves.
O relator do caso, o desembargador Pedro Valls Feu Rosa, disse em seu voto: “Há elementos indiciários acerca da embriaguez do acusado, bem como, indícios, com base nos vídeos das câmeras de videomonitoramento, de que o acusado trafegava com a lancha em alta velocidade”.
Condutor de lancha envolvida em acidente com morte vai a julgamento
E acrescentou, em relação à decisão do Juízo da Primeira Vara Criminal de Vitória: “Não cabe ao juiz singular, nessa fase, valorar se o réu conduzia a lancha com a plenitude de sua capacidade psíquica e motora, sem colocar, ou expor a risco a vida de outrem”.
Na sequência, decidiu: "Mediante tais fundamentos, dou provimento ao recurso ministerial, para pronunciar o acusado nos exatos termos da inicial acusatória, submetendo-o ao Tribunal do Júri", disse Feu Rosa em seu voto, sendo acompanhado pelos demais desembargadores da Câmara. 
Ele atendeu a um recurso do Ministério Público do Espírito Santo (MPES) contra a decisão do Juízo da Primeira Vara Criminal de Vitória. Não há informações sobre quando a data do julgamento será agendada. O advogado de Pinafo, Douglas Luz, informou que irá recorrer contra a decisão (confira mais abaixo).

“Dirigia em alta velocidade”, diz MPES

Em sua denúncia, o MPES diz que José Silvino estava sob a influência de álcool no dia do acidente e que ele estava navegando em local impróprio.
“O denunciado, assumindo o risco de produzir o resultado morte, em alta velocidade, sob influência de álcool e em local impróprio para navegação, conduzia a embarcação (lancha) denominada Diamante, quando colidiu contra o terminal de atracação da empresa TECHNIP, vitimando Bruna França Zocca.”
É informado, ainda, que, no acidente, a jovem foi arremessada ao mar, sendo socorrida por outras pessoas que estavam na lancha, mas as lesões sofridas por ela resultaram em sua morte. Na lancha, além do condutor e da jovem, estavam mais cinco pessoas. Bruna morreu, e o casal Manoel Carlos Monteiro Custódio e Muriel da Silva Ferreira Lima sofreu lesões graves.
“Apenas não consumando o triplo homicídio por circunstâncias alheias à vontade do agente, eis que Manoel e Muriel foram prontamente socorridos por uma ambulância do Samu e encaminhados ao Hospital, fato que lhes garantiu a sobrevida”, informa a denúncia.
Outro ponto do documento relata que Silvino acumula diversas multas de trânsito. “O denunciado ostenta atualmente 55 infrações de trânsito, 3 suspensões do direito de dirigir, bem como infração específica referente à condução de veículo automotor sob a influência álcool.”
Imagem passou na TV Gazeta nesta segunda (27). O casal estava na lancha que bateu em um píer no sábado em Vitória
Pinafo e Bruna, que morreu no acidente Crédito: Reprodução/TV Gazeta

O que diz a defesa de Pinafo

Por nota, Douglas Luz, advogado de defesa de Pinafo, informa que recebeu “com muito pesar o acórdão do TJES”: “Entendemos que foi uma decisão totalmente contrária às provas dos autos e por essa razão recorreremos”.
Ele acrescenta que o laudo da Marinha mostrou uma realidade contrária. “Aliás, é totalmente inconcebível não recorrer de um acórdão que prefere se basear em conjecturas em detrimento de provas técnicas científicas. Dizemos isso, pois o próprio laudo da Marinha do Brasil diz de forma expressa que não houve dolo eventual naquela situação.”
Adianta que respeita a decisão do TJES. “Mas adotaremos os mecanismos legais para combater o alusivo equívoco, assim como fizemos no início do processo quando Silvino foi preso indevidamente”, acrescenta.
Imagens obtidas pela TV Gazeta mostram bebidas alcoólicas no interior da lancha
Imagens obtidas pela TV Gazeta mostram bebidas alcoólicas no interior da lancha Crédito: TV Gazeta
À Primeira Câmara Criminal, o advogado informou que a estrutura contra a qual a lancha colidiu não tinha “qualquer tipo de iluminação". “Sem qualquer tipo de placa, sem qualquer tipo de sinalização de alerta, então ele, diante daquela estrutura, para a segurança das pessoas que estavam na embarcação, optou em desviar para a direita.”
E complementa: “E aí aconteceu a fatídica situação que é narrada nesse processo, ao se desviar para a direita, não sabia que logo mais à frente, ou seja, a boreste, havia uma plataforma ou uma passarela de ferro, na qual acabou colidindo e levaram os fatos aqui”.
Afirmou ainda que seu cliente, durante o trajeto com a lancha, não fez movimentos que indicassem que estava embriagado e que estava no limite de velocidade permitido.
“Todo o seu percurso, e aqui aponto e destaco, da Ilha do Boi até basicamente na Segunda Ponte, ali onde ocorreu o acidente, todo esse deslocamento levou cerca de 40 minutos, e todo esse percurso foi filmado, Excelências, tudo isso está dentro dos autos, está demonstrado nos autos. E devidamente comprovado que, durante esse percurso, ele não empregou velocidade excessiva”, destacou a defesa.
Seis meses após o acidente, em 31 de janeiro de 2021, a lancha Diamante foi alvo de um incêndio na Praia da Guarderia, em Vitória. Todas as pessoas a bordo conseguiram sair da embarcação a tempo e ninguém ficou ferido. Entre os passageiros estava Yuri Pinafo, o filho do proprietário da embarcação, José Silvino Pinafo.

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