Repórter / [email protected]
Publicado em 22 de abril de 2023 às 12:03
Devanir Sales, de 78 anos, está se recuperando de uma cirurgia que fez nos olhos e mesmo assim recebeu a equipe da TV Gazeta para falar sobre o resultado do julgamento de Georgeval Alves Gonçalves, condenado por estuprar, torturar e matar dois netos dela. O crime aconteceu no dia 21 de abril de 2018. Kauã Sales Butkovsky, de 6 anos, era enteado dele, e Joaquim Alves Sales, 3 anos, filho do ex-pastor – que foi condenado a 146 anos e 4 meses de prisão após o julgamento concluído na última quarta-feira (19).>
Nesta sexta-feira (21), Devanir conversou, com exclusividade, com o repórter Tiago Félix, da TV Gazeta. Ela comentou o resultado do julgamento do ex-pastor. Durante a entrevista, ela disse que não o perdoa, falou da saudade dos netos e da vida da neta Juliana Sales. >
Após o crime e as prisões dos ex-pastores, foi ela quem ficou com a guarda provisória do filho mais novo que Juliana teve com Georgeval. À época, o menino tinha nove meses. Um tempo depois, Juliana teve a guarda recuperada e está com a criança, após a Justiça determinar que não havia indícios nos autos que indicassem que ela teria cometido algum desses crimes. Assim, a ex-pastora não virou ré no processo.>
Devanir Sales é mãe do pai de Juliana. Moradora do bairro Interlagos, em Linhares, ela trabalha como cabeleireira, costureira e artesã. A bisavó de Kauã e Joaquim contou que foi ela quem ajudou a criar a neta Juliana. Antes da tragédia, via os bisnetos com frequência.>
>
Devanir Sales
Bisavó de Kauã e JoaquimQuando soube do incêndio, por volta de 4h, Devanir não conseguiu mais dormir. Ela contou que estava em casa, no bairro Interlagos, e entrou em pânico. Ao relembrar o caso, a bisavó dos meninos demorou a acreditar que os dois bisnetos tinham morrido em um incêndio.>
"Parecia que estavam gritando: 'Vovó, me acode!'. Eu estava tremendo tanto que eu queria pular a janela para socorrer eles, mas não teve como eu ir. Como você imagina que aquele ser humano (Georgeval) tem uma mente tão cruel?", questiona.>
Juliana Sales, que também era pastora na época do fato e esposa de Georgeval, não foi a julgamento. Ela foi presa duas vezes durante a apuração do caso. A primeira foi em junho de 2018, mas conseguiu liberdade no dia 7 de novembro do mesmo ano.>
Uma semana depois, Juliana foi detida novamente e ficou presa, provisoriamente, até o dia 30 de janeiro de 2019. Depois, não voltou mais para a prisão. Nesta ocasião, a mãe de Joaquim e Kauã foi acolhida na casa da avó paterna, Devanir.>
Devanir Sales
Bisavó de Kauã e JoaquimO pai de Juliana morava em um imóvel aos fundos e ela sempre o visitava. Depois da morte das crianças, a cabeleireira percebeu que a neta havia parado de comer e beber por cerca de 15 dias. Ela lembra que Juliana chorava muito e pedia os filhos de volta.>
"Tive que ligar para a mãe dela levá-la ao médico. Ela chorava, ajoelhada no chão, pedindo os filhos de volta, dizendo que o que aconteceu era uma covardia. Aquilo dói na gente. Ela faz tratamento até hoje. Depois que ela teve uma melhora e fez um curso de salva-vidas, fez um curso de enfermagem, está para terminar. Hoje ela conversa e tudo, mas a gente que é mãe sabe que não passa a dor", lamenta Devanir.>
Quase cinco anos depois da morte dos irmãos Kauã e Joaquim, o ex-pastor Georgeval Alves Gonçalves foi levado ao banco dos réus no Fórum Desembargador Mendes Wanderley, no bairro Três Barras, em Linhares. >
O julgamento começou terça-feira (18) e terminou na quarta-feira (19). Em nenhum dos dois dias, os familiares de Juliana Alves, mãe das crianças, acompanharam os trabalhos presididos pelo juiz Tiago Camata. >
Devanir Sales
Bisavó de Kauã e JoaquimQuestionada sobre o paradeiro de Juliana e o motivo dela nunca ter dado entrevista ou se pronunciado sobre o caso, a avó revelou que a mãe de Kauã e Joaquim se casou novamente e está morando em Guarapari com o novo companheiro. >
"Ela não sabia disso. Ela era muito caprichosa, não deixava eles sozinhos, todo dia a babá estava lá cuidando, eu via. Cuidava perfeitamente. Não sei porque ela nunca deu entrevista. O que ela passou, acho que não tem força para falar, ela desmaia. O coração dela não está no normal, a mente dela está fervendo", destaca.>
Após dois dias de julgamento, os jurados de Linhares decidiram condenar Georgeval Alves Gonçalves a 146 anos e 4 meses de prisão pelos crimes de homicídio qualificado, estupro de vulnerável e tortura contra os meninos Kauã e Joaquim.>
Devanir Sales
Bisavó de Kauã e JoaquimDevanir disse que após a condenação de Georgeval, está tentando seguir a vida. "Estou com Deus. Ele que me guia, tenho muita fé que eu vou vencer, em nome de Jesus", finalizou.>
Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem.
Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta