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Saúde

Clínica corta serviço e crianças com câncer ficam sem tratamento por planos no ES

Com a suspensão dos serviços pediátricos, crianças e adolescentes que fazem quimioterapia na unidade da Medquimheo-Oncoclínicas da Serra podem ficar sem assistência
Aline Nunes

Publicado em 

23 mai 2025 às 17:20

Publicado em 23 de Maio de 2025 às 17:20

Inaiara e o filho Arthur Filipe: o adolescente já passou por mais de 100 sessões de quimioterapia
Inaiara e o filho Arthur Filipe: o adolescente já passou por mais de 100 sessões de quimioterapia Crédito: Acervo pessoal
A Medquimheo-Oncoclíninicas vai encerrar o atendimento de pacientes com câncer infantil no Espírito Santo a partir da próxima semana. A unidade da Serra, que oferecia o tratamento, não vai ter mais o serviço oncopediátrico. Com a suspensão, crianças e adolescentes que fazem quimioterapia podem ficar sem assistência. 
O encerramento das atividades atinge usuários de diversos planos de saúde, como Samp-São Bernardo, Bradesco, Petrobras e Vale, e também atendimentos particulares. Mães de pacientes já recorreram às operadoras e à Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), mas não conseguiram uma solução.  No último procedimento realizado na clínica, algumas foram orientadas a seguir com o tratamento dos filhos pelo SUS, porém estão preocupadas com a possibilidade de o serviço público não suportar o aumento da demanda de quimioterapia semanal e disponibilidade de especialista 24 horas. 
A administradora de empresas Inaiara Bezerra conta que o filho está em tratamento de leucemia (tipo de câncer que afeta as células sanguíneas) desde 2023. Arthur Filipe Bezerra Viana, de 15 anos, já passou por mais de 100 sessões, mas ainda tem pelo menos um ano de quimioterapia semanal para realizar. 
"O grau dele é de alto risco. Como respondeu bem à quimioterapia, segue um protocolo brasileiro e precisa fazer o procedimento por mais um ano. Mas, na última semana de abril, fomos informados que não terá mais oncopediatria na clínica a partir de 26 de maio. Sem tempo hábil para qualquer decisão. A meu ver, agiram com total irresponsabilidade", ressalta Inaiara. 
Clínica corta serviço e crianças com câncer ficam sem tratamento por planos no ES
Usuária do plano Samp-São Bernardo, Inaiara diz que já procurou a operadora e também a ANS. Porém, ainda não tem solução em vista para o seu filho. "Mas sem quimioterapia nossas crianças não podem ficar!"
Professora de música, Marília Frank da Silva Maia vive drama semelhante com o filho Alvaro da Silva Maia, de 6 anos, em tratamento contra leucemia, cujas sessões de quimioterapia só terminam em dezembro. 
"É uma sensação de impotência muito grande. O câncer é uma doença grave e não podemos parar o tratamento. Mas o aviso de que a clínica não iria mais trabalhar com crianças oncológicas veio de uma hora para outra. Pacientes de todos os planos (menos Unimed) estão desamparados", lamenta Marília, que é usuária do Petrobras Saúde. 
Além da quimio, Marilia está aflita sobre como vai manter a assistência clínica para Alvaro. Ela diz que, hoje, há um acompanhamento 24 horas e, se dá uma febre no filho, por exemplo, pode ligar para o plantonista. 
"Em uma criança com câncer, tudo se agrava com muita facilidade e rapidez. A temperatura de 34,4 graus não seria febre, mas, no paciente oncológico, é. Meu filho nem pode ir para a escolinha ainda devido a seu quadro. As pessoas não têm noção do que uma família que tem criança com câncer passa. É muita aflição. São noites sem dormir. É um tratamento sofrido e, mesmo se houvesse médicos dentro de casa, estaria preocupada."
Mesmo para o filho da administradora Fernanda Cardoso, que encerrou o protocolo de tratamento quimioterápico de dois anos e meio, a suspensão dos serviços oncopediátricos pela Medquimheo-Oncoclínicas pode se tornar um problema. Ela diz que Arthur Cardoso Wandekoken, 7 anos, ainda vai precisar de acompanhamento sistemático por pelo menos cinco anos. 
"Todos somos atingidos com o encerramento da pediatria nessa clínica. Não temos outra para ir. No mesmo dia que a gente foi informado que não teria oncopediatra, tanto para consultas quanto medicação, imediatamente fui atrás do plano (Bradesco Saúde) para ver se me encaminhavam para outro lugar. Mas no hospital que indicaram o atendimento é só para adultos", descreve Fernanda, acrescentando que ainda não teve retorno da operadora de saúde nem da ANS sobre a situação. 
Fernanda Cardoso se queixa que paga caro para ter plano e, agora, não há uma opção para atender os usuários das operadoras de saúde na Grande Vitória. 
"Hoje é meu filho, mas amanhã pode ser outra criança. Ninguém quer um diagnóstico desses, só que essa deve ser uma briga de todas as mães, de todas as famílias. Saber que seu filho foi diagnosticado com câncer e não ter para onde levar, é inadmissível", desabafa. 
Na unidade Oncoclínicas, ela recebeu o encaminhamento para que o filho seja atendido no serviço público. "Não posso ficar de braços cruzados. Fui até o Hospital Infantil agendar consulta porque o Arthur precisa de acompanhamento.  Mas fico pensando se o SUS vai dar conta da atual realidade. Imagine absorver essa nova demanda dos planos."
Marilia, mãe de Álvaro, também vai recorrer ao SUS enquanto não há uma solução para o seu filho oferecida pelo plano. "Já estou com os papéis e vou dar entrada porque, na segunda-feira, preciso ter lugar para levá-lo. As pessoas precisam entender a gravidade da situação, mesmo que não tenham paciente oncológico. Outras crianças vão ser diagnosticadas esta semana. Não podemos pegar a vaga de quem só tem o SUS", frisa. 

Atendimento na rede pública

Na rede pública, a referência de atendimento para oncopediatria é o Hospital Infantil Nossa Senhora da Glória (Hinsg), em Vitória. Conforme informações da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), é uma unidade porta aberta, ou seja, as famílias podem buscar atendimento diretamente, sem necessidade de encaminhamento de outros serviços. 
Atualmente, há cerca de 120 pacientes de até 19 anos incompletos fazendo sessões de quimioterapia e mais de 600 crianças e adolescentes sendo acompanhados pelo hospital, que segue os protocolos utilizados no SUS. 

O que dizem as empresas

Tanto a Oncoclínicas, uma rede nacional que adquiriu a Medquimheo no Espírito Santo em 2022, quanto as operadoras de saúde responderam à reportagem de A Gazeta por nota. A Unimed Vitória, que tem serviço próprio de oncologia, também se manifestou. Veja o que disseram: 

Oncoclínicas

A Medquimheo informa que a equipe médica de oncologia pediátrica está encerrando os atendimentos em sua unidade. No entanto, os serviços de infusão continuarão sendo ofertados, mediante a indicação médica. As medidas de transição estão sendo conduzidas pelas operadoras de saúde junto aos familiares, com o suporte da nossa equipe de apoio ao paciente, a fim de assegurar a continuidade dos cuidados. Para esclarecimento de dúvidas, estamos à disposição pelos nossos canais de atendimento, pelo telefone (27) 99294-9192.

Saúde Petrobras

A Saúde Petrobras foi notificada, pela Oncoclínicas, sobre a interrupção do atendimento da especialidade de oncologia pediátrica para beneficiários do plano, a partir do mês de julho, devido ao processo de renegociação da remuneração entre os oncologistas pediátricos e todos os hospitais e clínicas da Grande Vitória, situação que impacta todos os hospitais, clínicas e planos de saúde que operam na região.

O plano está acompanhando as negociações entre as partes, empenhados em garantir a continuidade de atendimento aos nossos beneficiários. A Saúde Petrobras esclarece que, em caso de indisponibilidade de profissional ou unidade de saúde da rede credenciada, nossos beneficiários podem nos acionar e abrir um pedido solicitando Garantia do Atendimento. 

Nessa modalidade, o plano busca um profissional ou unidade habilitado para o serviço requerido, que pode ser até mesmo um não-credenciado, e agenda o atendimento em nome do paciente, garantindo que a pessoa receba o cuidado de saúde que necessita.

Vale

A empresa esclarece que a especialidade continua credenciada. Em localidades onde há indisponibilidade de profissionais, a operadora da assistência médica suplementar reforça o empenho em buscar soluções que permitam a continuidade do tratamento.

Samp-São Bernardo

A operadora de saúde informa que já busca alternativas para prestação e assistência aos pacientes que dependem do serviço oncopediátrico. Tão logo a operadora tenha o processo concluído, as famílias serão informadas e a assistência garantida.

Bradesco Saúde

Para garantir a qualidade do atendimento aos seus beneficiários, a Bradesco Saúde busca constantemente expandir sua rede credenciada com parceiros de referência na região. A companhia ressalta ainda que cumpre rigorosamente a regulamentação do setor para prestação da assistência aos beneficiários.

Unimed Vitória

A Unimed Vitória informa que a demanda por oncopediatria é atendida em sua unidade própria, a Unimed Oncologia, reafirmando seu compromisso de humanizar o cuidado e oferecer um serviço de excelência. Localizada no edifício Vértice, na Enseada do Suá, em Vitória, a Unimed Oncologia é um ambiente moderno, completo e acolhedor, que garante maior conforto e privacidade aos pacientes oncológicos e seus acompanhantes. Entre os principais diferenciais da Unimed Oncologia estão os espaços individuais para as sessões de quimioterapia, o maior número de leitos e poltronas — o que agiliza o fluxo de atendimento —, a ampliação dos consultórios para cirurgiões e outras especialidades, além de um leito exclusivo para o público pediátrico e equipamentos para crioterapia.

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