Em menos de uma semana, pelo menos 42 cabeças de gado morreram atingidas por raios em três cidades do Espírito Santo. Em fatalidades como essa, há quem acredite que seja possível reduzir os prejuízos destinando a carne desses animais para consumo. No entanto, de acordo com instrução normativa do Ministério da Agricultura, ela não pode ser consumida por humanos nem por bichos.
Segundo os médicos veterinários Rafael Fernandes e Tiago Nakano, do Instituto Estadual de Defesa Agropecuária e Florestal (Idaf), consumir animais que foram abatidos ou mortos sem passar pela inspeção antes ou após a morte, realizada por profissionais dos serviços de inspeção oficiais, pode colocar em risco a saúde do consumidor.
Eles explicam que o animal morto por descargas elétricas não deve ser consumido porque, além de não passar pelos procedimentos de inspeção higiênico-sanitária, ele não teve a devida sangria realizada. No entanto, há um conjunto de fatores que levam a não indicação dessa carne para consumo.
Carne de animais mortos por raio não é segura para consumo; entenda
"No caso dos animais mortos por raios, o sangue permanece dentro de órgãos e músculos. Como o sangue é um meio excelente para a proliferação de micro-organismos, as bactérias nocivas já começam a se multiplicar, tornando a carne imprópria"
Dentre as consequências do consumo dessa carne estão intoxicações e doenças que podem ser transmitidas ao ser humano, sendo algumas graves, que podem levar até à morte. Além disso, os cadáveres desses animais devem ser enterrados em locais longe de cursos d'água e nascentes para evitar contaminação.
Os médicos veterinários do Idaf também ressaltam que todo produto de origem animal que for destinado ao consumo humano deve ser inspecionado por algum serviço de inspeção oficial, seja ele federal, estadual ou municipal.
Mortes de gado por raios: relembre os casos recentes
Na última quarta-feira (8), seis cabeças de gado morreram após uma propriedade rural ser atingida por um raio, em Alfredo Chaves, na Região Serrana do Espírito Santo. O prejuízo, segundo o proprietário Otávio de Oliveira Bonadiman, de 18 anos, foi de pelo menos R$ 20 mil.
Um dia antes, durante um temporal na terça-feira (7), outro raio atingiu uma propriedade em Muniz Freire, na Região Sul do Estado e matou 17 animais que se abrigavam embaixo de uma árvore. Imagens mostram que ela chegou a se partir ao ser atingida pela descarga elétrica.
Já no início desta semana, na última segunda-feira (6), um raio caiu em uma propriedade rural de Limeira, em Vargem Alta, também na Região Serrana capixaba, e matou 19 cabeças de gado. O prejuízo do dono dos animais, Elder Luiz Altoé, foi avaliado em mais de R$ 60 mil.