Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

O avião farejador dos EUA realizou um voo de quase 18 horas, passou pelo litoral do ES e foi reabastecido no ar por outra aeronave. Este modelo foi adaptado para encontrar partículas radioativas na atmosfera Divulgação
"Gasolina azul"

Avião farejador dos EUA que passou pelo litoral do ES foi reabastecido no ar

A aeronave serve para coletar amostras da atmosfera em busca de resíduos radioativos. O motivo do percurso, porém, não é conhecido

Alberto Borém

Estagiário

Publicado em

26 jan 2023 às 11:08
O avião farejador dos EUA realizou um voo de quase 18 horas, passou pelo litoral do ES e foi reabastecido no ar por outra aeronave. Este modelo foi adaptado para encontrar partículas radioativas na atmosfera Crédito: Divulgação
O fato inédito de um avião da Força Aérea dos Estados Unidos ter passado pelo litoral do Espírito Santo ganhou mais um ingrediente: segundo a Força Aérea Brasileira, o jato WC-135R Constant Phoenix, conhecido como "O Farejador", foi reabastecido enquanto estava voando durante o trajeto total que durou 17 horas e 34 minutos no último dia 16. A aeronave serve para coletar amostras da atmosfera em busca de resíduos radioativos. O motivo do percurso, porém, não é conhecido.
De acordo com a FAB, por volta das 14h daquela segunda-feira (16), duas aeronaves da Força Aérea Americana (USAF) entraram na área nomeada como "Região de Informação de Voo Atlântico (FIR AO)". Outro avião, conhecida como aeronave-tanque (DC-10), foi o responsável pelo reabastecimento. As duas aeronaves estavam voando quando uma estabeleceu conexão física com a outra para transferir o combustível.
De acordo com o jornalista, editor da Revista Aeromagazine e piloto de avião, Edmundo Ubiratan, o abastecimento no ar é uma manobra comum em aeronaves de muitos países, sobretudo nos casos de voo por muitas horas ou de longo alcance, ou seja, que percorrem distâncias muito grandes.
Ubiratan explicou que o reabastecimento em questão utilizou o modelo conhecido como "boom", situação em que a aeronave maior, que precisa do combustível, conecta-se a outro avião.
"Neste caso específico, usam um sistema chamado de 'boom'. É uma barra de ferro que sai da aeronave e se conecta com outra, utilizando pressurização. São mais de 2 mil quilos de combustível por minuto. Uma missão de 17 horas precisa de abastecimento, então para repor, ele pode ter colocado de 30 a 40 toneladas de combustíveis, seriam 20 minutos"
Edmundo Ubiratan - Jornalista e piloto de avião
Ainda segundo o jornalista especializado em aviação, antes mesmo do voo, os comandantes das aeronaves têm uma programação do momento em que deve acontecer o encontro entre os dois para reabastecimento.
"Antes de sair, há uma programação e monitoramento entre os dois aviões. O avião que abastece é chamado, e sai depois. Em determinado horário, eles se encontram para o reabastecimento. É uma tecnologia dos anos 1950, surgiu na época da Guerra Fria com o objetivo de abastecer aviões que precisavam voar por muito tempo", detalha.
Uma outra alternativa é o reabastecimento por "cesta". Neste caso, a conexão é semelhante a duas cordas no ar. Uma das pontas recebe o combustível e a outra, recebe toneladas da "gasolina azul". Esta forma de abastecimento, porém, é menos efetiva: são 250 a 500 quilos de combustível por minuto. A quantidade de combustível utilizada por um avião é calculada em quilos, e não em litros. Isso porque o volume muda devido à temperatura, que varia de acordo com a altitude.
No Brasil, como explica o especialista, também há aeronaves capazes de realizar reabastecimento durante um voo.
Como mostra a imagem do percurso, o jato norte-americano saiu do aeroporto de San Juan, em Porto Rico. Ele seguiu na direção sul, passando pelo Norte, Nordeste e chegando ao Sudeste, até o extremo norte do Rio de Janeiro. Após cerca de oito horas e meia de voo, a aeronave fez a viagem no sentido contrário, seguindo para a direção de Porto Rico, totalizando quase 18 horas ininterruptas no ar, segundo o portal AirWay.
Quem coordenou o ingresso das duas aeronaves na área foi o Centro de Controle de Área de Caiena (ACC-Caiena), da Guiana Francesa, com o Centro de Controle de Área Atlântico (ACC AO), localizado em Recife (PE) e subordinado à Força Aérea Brasileira. Segundo a FAB, a entrada das duas aeronaves aconteceu "em conformidade com as legislações internacionais de tráfego aéreo em vigor".
A FAB ainda explicou que a Região de Informação de Voo Atlântico (FIR AO) não pertence ao espaço aéreo nacional. Trata-se de uma área sobre o Oceano Atlântico, que não se sobrepõe ao território brasileiro, e que está sob responsabilidade do Estado brasileiro para prover os serviços de navegação aérea e de busca e salvamento, de acordo com tratados internacionais firmados pelo Brasil.
O Aeroporto de Vitória foi procurado inicialmente no dia 18 de janeiro, mas não respondeu sobre o voo ou possível contato da aeronave com o aeroporto capixaba.

Avião tem costume de voar na Coreia do Norte, diz site

O WC-135R é equipado com sensores para detectar e medir o grau de ameaça de partículas radioativas na atmosfera. A aeronave é empregada em missões de rotina ao redor do mundo.
As proximidades da Coreia do Norte é um dos locais onde o WC-135R é empregado com maior frequência, geralmente após um teste nuclear promovido pelo regime de Kim Jong-Un. O Irã e a China também são “alvos” recorrentes do Constant Phoenix. Não há registros conhecidos de passagens anteriores da aeronave em voos tão próximo ao território brasileiro, segundo o portal AirWay.

Força Aérea Norte-Americana informou voo para medição

Em conversa com a reportagem de A Gazeta, Edmundo Ubiratan afirmou que a Revista Aeromagazine entrou em contato com a Força Aérea dos EUA, que informou ter promovido o voo para uma medição meteorológica. Fazer o percurso de Porto Rico ao Brasil poderia permitir que o avião encontrasse um "marco zero", ou seja, nenhum sinal de radiação.
"Segundo a Força Aérea Americana, ele estava fazendo medição meteorológica, o chamado "baseline", o que seria um ponto zero de radiação. Supostamente, ele busca um marco zero de referência. A partir disso, ele poderia voar em outros locais e identificar qualquer sinal de radiação", detalhou.
Edmundo Ubiratan detalhou que o avião tem 60 anos de existência, mas foi transformado recentemente em um identificador de radioatividade.

A Gazeta integra o

Saiba mais
Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados