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Indicadores educacionais

Acesso à creche e conclusão do ensino médio são desafios da educação no ES, diz estudo

Levantamento do Todos pela Educação reúne dados que mostram onde o Espírito Santo avançou e apontam problemas para serem corrigidos e desigualdades a superar

Publicado em 28 de Abril de 2026 às 19:36

Aline Nunes

Publicado em 

28 abr 2026 às 19:36

Ao longo dos últimos anos, o Espírito Santo tem avançado nos indicadores educacionais e se posiciona bem em avaliações externas, mas esse quadro favorável não elimina inúmeros desafios que ainda persistem. Do acesso à creche à conclusão do ensino médio, há problemas a serem corrigidos. 


É o que revela um levantamento preparado pelo Todos pela Educação, que reúne dados dos Estados como um raio-x da educação básica. No Espírito Santo, destacam-se os bons resultados na alfabetização, no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) e a expansão do tempo integral e do ensino técnico no nível médio. Ainda assim, desigualdades precisam ser superadas.

Imagem Edicase Brasil
Sala de aula: uma das soluções para melhorar indicadores é construir políticas de recuperação de aprendizagem Shutterstock

Entre os desafios pontuados pelo Todos pela Educação, está o baixo acesso à creche. No Espírito Santo, apenas 35% das crianças de 0 a 3 anos estão matriculadas, índice menor do que a média nacional (39%) e distante da meta de 50% prevista no Plano Nacional de Educação (PNE), que deveria ter sido alcançada até 2024. 


Além disso, entre as matrículas em creche na rede pública, apenas 30% são em tempo integral, colocando o Espírito Santo na 21ª posição do ranking nacional nesse indicador. 


Pedro Rodrigues, coordenador de Políticas Educacionais do Todos Pela Educação, observa que esse é um problema relacionado diretamente às redes municipais, responsáveis pela oferta na educação infantil. Mas diz que existem exemplos de parceria entre governos e prefeituras para ampliar as vagas para essa faixa etária, uma vez que a falta de recursos das administrações municipais costuma ser um obstáculo para a construção de creches. 


"São ações feitas em todo o país em regime de colaboração para expansão das creches. Existem vários modelos possíveis, com o governo do Estado ou incentivo do governo federal, e que podem ser explorados", sugere Rodrigues. 


O acesso também é um problema no ensino médio, assim como a conclusão desta etapa. A taxa bruta de matrícula, segundo o Todos pela Educação, é de 78%, abaixo do Sudeste (88%) e do Brasil (84%). Na outra ponta, apenas 70% dos jovens encerram o nível médio até os 19 anos — idade considerada ainda adequada, embora com a possibilidade de ter havido uma reprovação na trajetória educacional. Esse é um percentual inferior às médias regional (80%) e nacional (74%), deixando o Espírito Santo na 18ª posição do ranking no país. 


Para Rodrigues, uma das estratégias, especialmente para os alunos terminarem os estudos no tempo certo, é construir políticas sob o guarda-chuva da recomposição de aprendizagem, como aulas de reforço com atendimento especializado na própria aula ou no contraturno.

 

"A gente sabe que é nesse acúmulo de não aprendizagens que pode se acabar em reprovação. Então, é preciso olhar para esses jovens que estão acumulando defasagens", recomenda. 


O Espírito Santo também carrega a desigualdade como um fator de preocupação. No acesso à creche, a taxa varia de 35% entre os mais pobres para 65% entre os mais ricos. Já no ensino médio, apenas 50% dos jovens de menor renda concluem a etapa até os 19 anos, frente a 90% entre os que têm mais recurso financeiro. Portanto, na avaliação de Rodrigues, o foco da atuação dos educadores tem que ser direcionado aos mais vulneráveis.

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O Todos pela Educação também relacionou os indicadores em que o Espírito Santo se destaca. Na alfabetização, por exemplo, o resultado está acima da média nacional: 77% de crianças por aqui são alfabetizadas até o 2º ano do ensino fundamental, enquanto no país o índice é de 66%. O Estado também atingiu a meta do Indicador Criança Alfabetizada, apresentou avanço de 9 pontos percentuais nos últimos dois anos e, hoje, ocupa a 4ª posição no ranking nacional.


Já no Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), o Espírito Santo estava entre os cinco melhores resultados do país em todas as etapas em 2023. O Estado ocupa a quinta posição nacional nos anos iniciais e nos anos finais do ensino fundamental, e o segundo lugar, no médio. 


Além das primeiras colocações, o Todos observa que o Espírito Santo apresenta crescimento consistente no indicador ao longo da última década: entre 2013 e 2023, passou de 5,2 para 6,1 nos anos iniciais; de 3,9 para 5 nos anos finais; e de 3,4 para 4,7 no ensino médio.


Na avaliação da organização, o Espírito Santo também tornou o ensino médio mais atrativo para os jovens, com a expansão do tempo integral e da Educação Profissional e Tecnológica. Os dados, desse modo, apontam para uma agenda de diversificação da oferta no ensino médio, com potencial de contribuir para maior engajamento e permanência dos estudantes.


Pedro Rodrigues avalia que os bons indicadores do Espírito Santo são resultado de uma gestão preocupada com a aprendizagem dos alunos. "É algo importante a ser enfatizado. É um trabalho de continuidade, e que se baseia em um tripé pedagógico: avaliações estruturadas, material didático e formação profissional que leva em conta as avaliações e tudo alinhado ao currículo local. Quando a gestão olha para o pedagógico, pensando em como os alunos podem aprender mais, os resultados acabam sendo colhidos."

O que diz a Sedu

A Secretaria de Estado da Educação (Sedu), que detém boa parte das matrículas do ensino médio, diz, em nota, que acompanha de forma permanente os indicadores educacionais e reconhece os desafios relacionados ao acesso e à conclusão dessa etapa no Espírito Santo. 

"Embora o Estado apresente resultados expressivos no Ideb, a etapa final da educação básica demanda atenção contínua e o aprimoramento constante das políticas públicas, especialmente para assegurar que todos os jovens ingressem, permaneçam e concluam seus estudos na idade adequada", sustenta. 

Apesar de a evasão escolar não ser um problema apontado no estudo do Todos pela Educação, a Sedu destaca que tem intensificado a implementação de políticas públicas estruturantes, orientadas por evidências e alinhadas às especificidades dos territórios.
 
"A política de Busca Ativa Escolar, no âmbito do Programa Todos na Escola, configura-se como um dos principais eixos dessa atuação, com protocolos definidos para a identificação precoce da infrequência, a aproximação com estudantes e famílias, a realização de visitas domiciliares e a articulação com a rede de proteção social, contribuindo para a prevenção da evasão e do abandono escolar."

A secretaria informa que também tem fortalecido o uso de dados para qualificar a tomada de decisão, por meio de ferramentas como o Painel de Monitoramento da Trajetória Escolar, que possibilita o acompanhamento sistemático dos indicadores de frequência e permanência, viabilizando intervenções mais ágeis e assertivas. E ainda destaca o Projeto Agente de Integração Escolar, que atua diretamente junto a estudantes em situação de maior vulnerabilidade, contribuindo para o fortalecimento do vínculo com a escola e para a continuidade dos estudos.

Para incentivar a permanência e a conclusão dos estudantes no nível médio, a Sedu atua em articulação com o governo federal na execução do Programa Pé-de-Meia, além de monitorar a frequência escolar de estudantes vinculados a programas de transferência de renda, em integração com a política de assistência social. 

"Paralelamente, o Estado avançou na consolidação de diretrizes pedagógicas voltadas à recomposição das aprendizagens e ao acompanhamento individualizado, assegurando respostas mais adequadas às necessidades dos estudantes. Dessa forma, o governo do Estado reafirma seu compromisso com a ampliação do acesso, a permanência com aprendizagem e a conclusão do ensino médio", finaliza a nota.

A União dos Dirigentes Municipais de Educação do Espírito Santo (Undime-ES) também foi procurada pela reportagem de A Gazeta, para tratar particularmente dos desafios da educação infantil, mas não se manifestou. 

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