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A incrível história da capixaba que, de repente, virou mãe de 7 filhos nos EUA

Parece filme, mas é vida real. De mãe de dois, Jaqueline James virou mãe de cinco ao se ver "obrigada" a adotar os sobrinhos. Família agora está em processo de adoção de gêmeos abandonados em uma maternidade

Publicado em 28/08/2020 às 11h38
Atualizado em 28/08/2020 às 12h55
A capixaba Jaqueline James já tinha dois filhos quando decidiu adotar os sobrinhos e depois um casal de gêmeos
A capixaba Jaqueline com o marido José James e os sete filhos. Crédito: Arquivo Pessoal

A história que você está prestes a ler poderia ser o roteiro de um bom filme ou série de TV. Mas embora tenha todos os ingredientes de uma boa ficção, a família James é real. Ela é composta pela capixaba Jaqueline James, de 34 anos, o marido José James, 50, e os sete filhos do casal: Sarah e André, de 14 anos; João Paulo, 11; José Júnior, 9; Daniel, 8; e os gêmeos Bradley e Alisson, de 3 anos.   

"Minha vida virou de pernas para o ar. Todos os meus sonhos mudaram. É muita renúncia, mas é confiar no que Deus tem para nós", diz Jaqueline, na tentativa de explicar a própria história, mas ciente de que tem uma família diferente das demais.

A personagem principal dessa história se mudou de Colatina para os Estados Unidos em 2005. "Conheci meu ex-marido pelo MSN (programa de mensagens já extinto). Ele era americano e foi por causa dele que vim morar aqui. Eu tinha acabado de fazer 19 anos quando vim para os Estados Unidos. Casei no Brasil, cheguei aos EUA e logo engravidei. Pouco mais de um ano depois a gente se separou", recorda.

Seis meses após a separação, a capixaba foi parada por dirigir acima da velocidade e, assim, conheceu o policial José James. Os dois se casaram e, tempos depois, tiveram um filho. Jaqueline, que já era mãe do André, agora também tinha o José Júnior. 

A capixaba Jaqueline James já tinha dois filhos quando decidiu adotar os sobrinhos e depois um casal de gêmeos
André e José Júnior são os filhos biológicos de Jaqueline. Crédito: Reprodução / Instagram

A PRIMEIRA ADOÇÃO

A família parecia estar completa. Mas em 2014, três anos depois do nascimento do segundo filho, Jaqueline recebeu a notícia que mudaria radicalmente a vida dela. Seu irmão Rogério, que morava no Rio de Janeiro, havia falecido e deixado dois filhos. Ninguém da família da capixaba sabia, até então, da existência das crianças.

"Minha mãe ficou muito triste, querendo conhecer os netos. Eu fui virando o mundo de cabeça para baixo para conseguir achar a mulher e as crianças, e consegui fazer com que eles fossem até Colatina. Assim que chegou à casa da minha mãe, a mulher passou mal", conta.

Márcia, viúva do irmão de Jaqueline, foi entubada e levada direto para a UTI do hospital. Ela foi diagnosticada com cirrose, já em fase terminal. Uma semana depois a mulher faleceu e deixou, além dos dois sobrinhos de Jaqueline, uma menina, fruto de outro relacionamento.

"Em uma ligação, pedi a minha mãe para colocar o telefone na orelha dela e falei: 'Márcia, pode confiar em mim, eu também sou mãe. Estou te dando a minha palavra que vou tomar conta dos seus filhos, pode ficar em paz'. A mulher morreu ali, no telefone, naquela hora. Deixou meus dois sobrinhos e a filha dela", conta Jaqueline.

A capixaba Jaqueline James já tinha dois filhos quando decidiu adotar os sobrinhos e depois um casal de gêmeos
Os sete filhos de Jaqueline e James reunidos. Crédito: Reprodução / Instagram

A capixaba e o marido se responsabilizaram pelo sustento das crianças e passaram a enviar dinheiro, mensalmente, para a mãe de Jaqueline, que era quem cuidava das crianças. Tempos depois, no entanto, o casal decidiu que seria melhor levar as crianças para os Estados Unidos e começou uma luta pela adoção internacional. 

"Eu poderia ter adotado só os dois meninos, e ele (marido) por ser um homem de Deus olhou para mim e disse: 'Jaqueline, Deus fala para a gente fazer as coisas com amor, corretamente. Não é certo separar os irmãos logo depois de uma perda tão grande para eles, então vamos adotar os três. E assim me tornei mãe de cinco", lembra.

Jaqueline James

Capixaba que mora nos EUA

"Minha mãe, com 70 anos, não tinha condições de cuidar daquelas crianças. Lutei muito nos EUA para conseguir adotá-los. Foi muito caro, muito sofrido. Nós fizemos o que podíamos e o que não podíamos para poder adotar essas crianças. Gastamos 70 mil dólares"

A SEGUNDA ADOÇÃO

Se passaram dois anos de luta até a adoção se concretizar. Em 2017, quando João Paulo, Daniel e Sarah finalmente chegaram a Columbus, no Estado de Ohio, Jaqueline prometeu que nunca mais se envolveria com adoção.

Jaqueline James

Capixaba que mora nos EUA

"As crianças chegaram, eu agradeci a Deus e prometi que nunca mais adotaria ninguém porque foi muito sofrido. Mas aí apareceram os gêmeos"

Bradley e Alisson, hoje com 3 anos, chegaram na vida da família James em 2017. Gêmeos, eles nasceram prematuros – aos seis meses de gestação – porque a mãe biológica tentou realizar um aborto em casa. A mulher e as crianças sobreviveram e, ainda no hospital, a mãe decidiu que não ficaria com os filhos.

A avó biológica de Bradley e Alisson, uma senhora diagnosticada com Alzheimer, frequentava a mesma igreja evangélica que a família de Jaqueline e entregaria as crianças, por ordem do governo, a um casal que havia se disponibilizado a adotá-los. Tempos depois, no entanto, o casal engravidou e desistiu da adoção.

"Vi aquela senhora chorando na porta da igreja e pensei que poderia ajudar. Levei as crianças para passarem uns dias na minha casa, a avó me pediu para adotá-las e eu falei que não. Até que um dia ela foi levar as crianças para passar um fim de semana com ela. Alisson ficou desesperada e começou a chorar, tanto que nós tivemos que ir buscar os dois", relata.

Jaqueline James

Capixaba mãe de sete crianças

"Naquele momento eu entendi que eles já tinham a gente como pais e assim a família James estaria adotando mais dois. Somos uma família de sete crianças e dois cachorros: Paris e Baby. Assim é formada a nossa família"
A capixaba Jaqueline James já tinha dois filhos quando decidiu adotar os sobrinhos e depois um casal de gêmeos
 Jaqueline, com o marido José James e os gêmeos Alisson e Bradley . Crédito: Arquivo Pessoal

O processo de adoção dos gêmeos ainda não foi concluído e tem corrido de forma lenta nos EUA por conta da pandemia de Covid-19, segundo Jaqueline. Com filhos de diferentes raças e origens, incluindo a pequena Alisson – que tem microcefalia –, Jaqueline se diz feliz apesar das muitas renúncias.

"Eu sou muito mãe raiz. Já acordo de manhã batendo as minhas panelas, mandando arrumar as camas. Até os gêmeos já arrumam a cama deles. Eu tenho vontade de sair para trabalhar, de fazer faculdade. É uma renúncia diariamente. Por mais que eu tenha uma condição financeira boa aqui, não tenho coragem de deixar sete filhos. Para cuidar de sete filhos e não deixar a casa quebrar, tem que ter pulso firme e isso não é para todo mundo", revela.

Você deve estar se perguntando: as crianças se dão bem? Ela garante que sim. "Meus filhos biológicos adoraram a ideia da família crescer. Eles se cuidam muito, cuidam um do outro com amor. É uma criação diferente, eles se cuidam, eles se protegem. Eles não se batem, eles não brigam. Um dá banho no outro, ajuda a trocar a fralda, ensinam português para os irmãos americanos. Meus filhos biológicos também aprenderam português quando os outros chegaram. A gente se protege muito", encerra Jaqueline.

A capixaba Jaqueline James já tinha dois filhos quando decidiu adotar os sobrinhos e depois um casal de gêmeos
Família James: sete filhos, dois cachorros e muito amor. Crédito: Arquivo Pessoal

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