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Publicado em 7 de novembro de 2025 às 17:03
Com foco em apresentar sua cafeicultura focada na sustentabilidade, o Espírito Santo é mais uma vez destaque na Semana Internacional do Café, em Belo Horizonte (MG). >
Na feira realizada de quarta (5) a sexta-feira (7) com cerca de 25 mil participantes de mais de 40 países, os visitantes puderam conhecer a nova safra de cafés especiais do Espírito Santo. São grãos estão sendo impulsionada por produtores que investiram na qualidade, na sustentabilidade e em processos inovadores. Tudo feito de forma a transformar a percepção tanto do arábica quanto do conilon capixabas no mercado nacional.>
No estande da Secretaria de Estado da Agricultura (Seag), em parceria com o Sebrae, produtores de regiões com indicação geográfica, como Caparaó, Montanhas Capixabas e Conilon, revezaram-se ao longo do dia. Alguns estiveram pela primeira vez na feira.>
Neste ano, o tema da SIC é “Café em Transformação – Inovação, Sustentabilidade e Oferta do Mercado Global”, convidando o setor a refletir sobre os desafios e as oportunidades que moldam o futuro da cafeicultura.>
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Fabrício Oliveira apresentou a produção do café robusta (conilon), feita na Fazenda Giori, em Cachoeiro de Itapemirim, Sul do Espírito Santo. Embora a fazenda sempre tenha produzido grãos de alta qualidade, a descoberta e entrega do café como um produto diferenciado ocorreu há cerca de 10 anos.>
O grande diferencial da produção da Fazenda Giori é a sustentabilidade rigorosa: o café é orgânico e biodinâmico. O processo biodinâmico, que foi o primeiro protocolo mundial de agricultura orgânica, não apenas evita produtos químicos, mas também considera a saúde do solo, da microvida e da planta, utilizando medicamentos e produtos naturais. >
A fazenda possui as certificações mais rigorosas do mundo, incluindo esquemas orgânicos nacional, europeu e americano, e o esquema biodinâmico, permitindo que o produto atinja qualquer mercado global. >
A comercialização é realizada pela internet para todo o Brasil e por meio de revendedores concentrados principalmente em São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.>
Deneval Junior representa uma produção familiar que sempre trabalhou com café tradicional. A transição oficial para o café especial se deu em 2015, após iniciarem estudos em 2010. O sítio trabalha em parceria com o Incaper (Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural) do Espírito Santo. >
O Café Cordilheiras é da região do Caparaó capixaba e já ficou em primeiro lugar na premiação Coffee of The Year em 2023. Neste ano, os produtores tiveram seis variedades classificadas entre as 50 finalistas. >
Deneval conta que o sítio procura manter um controle de qualidade, o que permite repetir a mesma bebida consistentemente todos os anos, garantindo um público fiel.>
A grande inovação da atual safra é o lançamento de uma nova variedade de arábica, chamada "Águia", desenvolvida pelo Incaper. As vendas são majoritariamente on-line, via Instagram e WhatsApp. Em breve, deverá ser lançado um site próprio, sendo o produto distribuído para o consumidor final de forma bem variada pelo país.>
A marca Immigrante, representada por Letícia Binda, tem sua produção localizada no interior de Itaguaçu, na região do Alto Sobreiro, a uma altitude entre 900 e 1.000 metros. Essa região cultiva exclusivamente arábica. O plantio desse tipo na propriedade da família vem desde o avô de Letícia, mas sempre era vendido mais como commodity. >
Em 2018, Letícia e o irmão Lucas fundaram a marca e abriram a torrefação. Mais recentemente, em 2024, a mãe de Letícia, que era professora, aposentou-se e assumiu a responsabilidade pela torrefação.>
A produção foca em cafés especiais arábica, incluindo o catuaí amarelo. Nele, é utilizado um processo de fermentação, o que retira a acidez e intensifica a doçura, resultando em um perfil sensorial com notas de melado, açúcar mascavo e rapadura. A mistura de catuaí amarelo e vermelho, por outro lado, apresenta um perfil mais cítrico e salivante, com notas de limão e frutas amarelas. A comercialização é feita por e-commerce, atendendo o Brasil inteiro, e por pontos de venda na Serra e em Santa Teresa. Seus maiores clientes recorrentes fora do Estado se concentram em São Paulo.>
Cafés capixabas também se destacaram em um estande da Prefeitura de Linhares, que levou para a feira marcas especiais do tipo conilon. Produtos premiados em concurso realizado entre fabricantes da cidade foram apresentados para o público durante a feira.>
Um deles é o Queen's Coffee, da produtora Ariadna Passamani Benica, do interior de Linhares, abrangendo propriedades na divisa com Governador Lindenberg e Rio Bananal. A família já trabalha há mais de três anos com café especial. A transição começou quando Ariadna, que se formou em Agronomia, foi bolsista científica por cinco anos no laboratório de qualidade de café.>
Seu foco é o conilon 100%, que ela processa de forma natural, sem fermentação. O café é colhido e é seco em terreiro de cimento com estufa. O produto tem alcançado sucesso em concursos, sendo premiado três vezes, sempre pontuando acima de 80 pontos. >
O lote mais recente premiado alcançou 80 pontos, destacando-se por ser suave, sedoso e licoroso, com notas de frutas cítricas e amarelas, além de um aroma de pitanga. >
Ariadna adotou o nome Queen’s Coffee, ou café da rainha, por ser frequentemente chamada de "rainha do conilon" por amigos e colegas. Atualmente, ela busca abrir pontos de comercialização, como cafeterias, e utiliza a internet para vendas, notando o grande interesse e curiosidade do público pelo conilon especial.>
*A reportagem viajou a convite da Semana Internacional do Café >
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