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Abacaxi, mandioca e cana-de-açúcar: seca prejudica lavouras em Marataízes

Estiagem afeta 950 produtores da região. Maior produtor de abacaxi do Estado, município tem 70% das lavouras comprometidas, com frutos fora de padrão de mercado

Tempo de leitura: 2min
Cachoeiro de Itapemirim / Rede Gazeta
Publicado em 04/08/2022 às 12h15
Plantação de abacaxi seca, com conta da estiagem
Plantação de abacaxi seca, com conta da estiagem. Crédito: Prefeitura de Marataízes

O período de estiagem está comprometendo a produção dos agricultores de Marataízes, no Litoral Sul do Espírito Santo. Segundo levantamento da Secretaria Municipal de Agricultura, Abastecimento e Pecuária, 950 produtores foram afetados pela falta de chuva na região. As lavouras mais prejudicadas são as de abacaxi, mandioca e cana-de-açúcar.

Na localidade de Brejo dos Patos, o produtor rural Benedito Carlos Fernandes Lourenço, de 49 anos, 200 mil pés de abacaxi foram plantados para serem colhidos neste ano, mas a qualidade da produção está baixa. Um abacaxi, que costumava ser vendido no mercado por R$ 2,50, atualmente não está custando mais de R$ 1,20.

“Este ano está muito difícil. Os abacaxis não têm padrão para o mercado, estão pequenos por conta da seca, com menos de um quilo. Meus funcionários, que nesta época fazem limpeza e pulverização das lavouras, estão parados. Uma chuva não resolve, teria que ter chovido pelo menos uma vez ao mês”, revela o produtor.

AJUDA

Para tentar minimizar os impactos, o secretário municipal de Agricultura, Abastecimento e Pecuária, Robson Abreu, disse que os custos com o serviço de trator da prefeitura para os produtores foram zerados. Ele disse que a pasta tem aberto bebedouros para os pecuaristas e estuda, junto aos órgãos ambientais, a possibilidade de abrir tanques para irrigação.

Robson Abreu

Secretário Municipal de Agricultura, Abastecimento e Pecuária

"Tínhamos uma expectativa de produzir cerca de 35 a 40 milhões de frutos, 12 mil toneladas de mandioca e cerca de 20 mil toneladas de cana-de-açúcar, mas foram comprometidas 70 % das lavouras de abacaxi, mais de 60% das de mandioca e 40% das de cana-de-açúcar"

REDUÇÃO DE CHUVA NO SUL DO ES

O município de Marataízes, segundo o Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) não tem uma estação meteorológica que mede a quantidade e distribuição de chuvas. Porém, com base em dados de municípios próximos, houve uma quantidade de chuva cerca de 30% menor nos meses de janeiro, fevereiro e março, quando comparados com o ano anterior, segundo informações do engenheiro agrônomo, Antônio Franco, coordenador do Escritório Local de Desenvolvimento Rural de Marataízes.

“Por estarmos exatamente no meio do período mais seco esperado, não há um panorama de melhoria ou chuvas amenizem a situação até início do mês de outubro. E as ações que possam ser feitas de maneira emergencial são muito restritas e de pouca efetividade sob o panorama técnico agronômico”, analisou o engenheiro.

O Incaper afirmou que, com o trabalho de extensão rural e os atendimentos técnicos, faz durante todo o ano a recomendação aos produtores de práticas que minimizem os impactos da estiagem.

Antônio Franco

Engenheiro agrônomo do Incaper em Marataízes 

"Infelizmente, eventos extremos podem ocorrer ao longo dos anos, como aconteceu entre 2013 e 2016, e somente as práticas de longo prazo como a construção de barragens e caixas secas, reflorestamento de nascentes e conservação de solo podem fazer com que os impactos futuros sejam atenuados e menores"

PASTOS SECOS E MORTE DE GADO EM ITAPEMIRIM

Vizinho ao município de Marataízes , Itapemirim também sofre com a falta de chuva e há relatos até da morte de animais. No interior, os produtores de leite tem dificuldade em manter a alimentação do gado e com a pastagem seca, até cana-de-açúcar é usada no meio da silagem.

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