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'A gente mal pode plantar', diz agricultora em acordo do Rio Doce com Lula no ES

'A gente mal pode plantar', diz agricultora em acordo do Rio Doce com Lula no ES

Durante evento com o presidente em Linhares, na manhã desta sexta-feira (11), agricultora desabafou sobre os impactos sofridos com o rompimento da lama e a invisibilidade das mulheres atingidas

Publicado em 11 de julho de 2025 às 14:12

A agricultora familiar e sócia fundadora da Associação Mulheres do Cacau, Ana Paula Ramos, durante discurso.
A agricultora familiar e sócia fundadora da Associação Mulheres do Cacau, Ana Paula Ramos, durante discurso. Crédito: Canal GOV

Durante a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em Linhares, no norte do Espírito Santo, na tarde desta sexta-feira (11), a agricultora familiar e sócia fundadora da Associação Mulheres do Cacau, Ana Paula Ramos, fez um desabafo sobre os desafios enfrentados pelas comunidades atingidas pelo rompimento da barragem de Fundão. Ela também destacou a invisibilidade das mulheres ao longo de todo o processo de reparação.

Natural de Regência, Ana Paula relembrou momentos da infância em que tomava banho e brincava nas margens do Rio Doce — algo que, segundo ela, seu filho não pode mais fazer.

Como agricultora familiar, a gente mal pode fazer horta no fundo de casa, porque o solo está contaminado. O pescador não pode pescar o peixe para complementar a refeição, porque já não serve pra ser consumido

Ana Paula Ramos

Agricultora familiar e sócia fundadora da Associação Mulheres do Cacau

Em sua fala, dirigida diretamente ao presidente Lula — que veio anunciar a transferência de renda de R$ 3,7 bilhões, ao longo de quatro anos, para pescadores e agricultores atingidos pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG), em 2015. —, Ana relatou a violência simbólica e material vivida por essas pessoas.

“Foi tirado de nós o maior pertencimento que é a nossa terra. Sou uma pequena produtora de cacau, mas, na última análise de solo,  apareceram quatro metais pesados. E é um dinheiro que nós temos que desembolsar por conta de um crime”, criticou.

Segundo Ana Paula, os agricultores familiares e os pescadores foram os mais impactados, por serem pequenos e sem força política individual, “a não ser que se unam”, frisou. Ela vê o PTR como um avanço modesto, mas necessário. “É uma pequena quantia, mas que proporciona o básico para que o pequeno agricultor consiga pensar além”, finalizou. 

Além dos impactos causados pelo rompimento da barragem, Ana Paula também contestou a forma como as mulheres foram tratadas durante todo o processo de reparação. “As mulheres antes não eram vistas, só os maridos, que cultivavam o cacau e eram os donos da produção. Através da Associação Mulheres do Cacau conseguimos ser vistas, porque, afinal, estávamos lado a lado dos parceiros”, afirmou.

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