Muito assediado, mas evitando atender a imprensa na Assembleia Legislativa na tarde desta segunda-feira (2), o presidente da Casa, Erick Musso (Republicanos), limitou-se a dizer duas frases em meio à crise entre o Poder Legislativo e o Poder Executivo do Estado, deflagrada na última quarta-feira (27), com a reeleição antecipada de Erick para a presidência no período de 2021 a 2023, pegando desprevenido o governo de Renato Casagrande (PSB).
Na saída do plenário, perguntamos a Erick como será o relacionamento daqui para a frente. Esboçando um sorriso, ele perguntou:
- Entre quem?
- Entre o Poder Legislativo e o Executivo - respondemos.
- Cem por cento, meu irmão! Acima de tudo, o Espírito Santo!
E mais não disse.
Erick saiu do plenário escoltado por um segurança. Saiu marchando pelos corredores da Assembleia até a portaria principal, por onde deixou o prédio, a pé, sob tempo chuvoso, em direção ao Tribunal de Contas do Estado, para assistir à posse do conselheiro Rodrigo Chamoun na presidência da Corte.
Nos cerca de 200 passos entre a saída do plenário e a saída da Assembleia, além dessa curta declaração, Erick não respondeu às perguntas da imprensa. O presidente, aliás, não faz manifestações públicas desde a explosão do conflito entre os Poderes, que culminou com a decisão de Casagrande de substituir seu líder no plenário, trocando Enivaldo dos Anjos (PSD) por Eustáquio de Freitas (PSB) neste sábado (30).
Mas a maneira escolhida por Erick para sair da sede do Poder Legislativo neste momento delicado diz muito. Ele abriu mão de usar o elevador privativo dos deputados e de sair pela garagem da Assembleia. Saindo pela porta principal, passa o recado de que, literalmente, sai de sua casa pela porta da frente, de cabeça erguida, sem temer ninguém. Nem o mau tempo.