ASSINE

"Não é só apertar o play", apontam DJs de renome sobre a profissão

Para guiar um tour pela cena eletrônica nacional, a reportagem conversou com os expoentes Dubdogz, Audax e Santti. Em comum, todos eles revelaram que o trabalho precisa de conhecimento

Vitória / Rede Gazeta
Publicado em 15/05/2021 às 08h00
Música eletrônica
O DJ Bhaskar e os irmãos gêmeos do Dubdogz . Crédito: Instagram | @dubdogz

No país do grande festival de música eletrônica Universo Paralello, realizado na Bahia, e de edições de grandes eventos mundiais como Tomorrowland, ainda há quem não entenda a real função de um DJ, abreviatura de 'disc jockey', que é a nomenclatura usada para denominar o artista profissional que seleciona e produz as mais diferentes e exclusivas mixagens, compostas por efeitos sonoros especiais, instrumentos e batidas.

Para guiar um tour pela cena eletrônica nacional, a reportagem conversou com os expoentes Dubdogz, Audax e Santti. Em comum, todos eles revelaram que sempre foram apaixonados pelo gênero, além de todos respirarem música e buscarem sempre crescer como artistas. Mas o que eles fazem além de 'dar o play', que tantos acham que acontece? 

No caso dos já mundialmente conhecidos Dubdogz, Marcos e Lucas dizem que um bom DJ é aquele que está antenado com as sonoridades em destaque no mercado internacional de música eletrônica e que tira dessa análise a base para inspiração na hora de produzir. "Além disso, o bom DJ deve sempre saber ler a pista de dança, entregando um set que faça o público se conectar com ele através da música", disseram.

André Chamma Cajado, que forma o Audax com os irmãos Pedro e João, completa a definição de seu trabalho. O trio tem trabalhos respeitados e tocados por DJs como David Guetta e EDX em programas de rádio do gênero e grandes festivais.

André Chamma Cajado

Integrante do Audax

"Um DJ deve ter muito conhecimento em software, sound design, ajudaria também ter conhecimento de algum instrumento, para saber exatamente o que está fazendo. Tem que ter muito bom gosto e uma identidade forte de som. Antes o DJ era só um tocador de música, hoje é um artista, ele cria. Deve saber fazer as próprias músicas, ter a personalidade dele no som e ser determinado. Outra coisa importante é ter paciência para se relacionar, ter contatos, ter habilidades sociais"

"Meu dia a dia é mais como produtor musical, passo o dia inteiro pensando em música, acordo e já venho para o estúdio exercitar minha criatividade, ser DJ é um complemento para mim", explica a revelação Santti, que já tocou no Rock in Rio e foi convidado pela dupla Sandy & Junior para tocar no encerramento da turnê Nossa História, com apresentação para mais de 100 mil pessoas no Parque Olímpico do Rio.

Autores de hits como 'Infinity', com mais de 66 milhões de acesso em uma das principais plataformas de streaming, 'Everybody wants to party' e 'Alors on danse', os irmãos gêmeos do Dubogz acrescentam que ser DJ também envolve experiência na pista. "A experiência de pista e bagagem musical é algo muito importante para um DJ e isso é algo que não se conquista do dia pra noite. Nós mesmos tocamos desde os 13 anos, e temos consciência que ainda temos muito que aprender. A vida de um DJ é um constante aprendizado, cheio de reciclagem, busca por novas sonoridades, mas acima de tudo, o amor pelo trabalho", explicaram.

Mesmo antes disso, por volta dos 12 anos, Marcos e Lucas começaram a apreciar o som. "Na época, nosso tio começou a nos levar para o colégio e ele curtia muito música eletrônica. Ele escolhia as melhores tracks e sempre aumentava o volume. A partir daí, estávamos tomados pelo mesmo amor que ele tinha. Ele então nos arrumou uma CDJ (aparelho de 'Compact Disc Jockey') e começamos a brincar sem pretensão alguma. Nossa primeira apresentação foi durante o recreio do colégio e gostamos muito dessa sensação", concordaram.

EXPERIÊNCIA NO DIA A DIA E SHOWS

Eles contam que o dia a dia é movido em função do Dubdogz. Eles acordam e vão dormir pensando no que fazer para crescer. "Quando estamos em casa, grande parte do nosso tempo é no estúdio, e quando saímos, ou é para gravar algum material ou para tocar. Esse último é que infelizmente estamos há mais de um ano sem fazer, por conta da pandemia. Mas temos todo um cronograma junto com nossa equipe para poder fazer todos os compromissos do projeto. Parece maçante, mas quando você ama o que faz, tudo acontece naturalmente", acrescentaram.

O show, segundo os rapazes do Dubogz, é outro ponto importante e resultado de todo um trabalho longo de preparação e estratégia. Para eles, a apresentação já começa no dia a dia do estúdio, onde buscam regularizar tudo o que pode acontecer durante o evento. Além disso, o show não se limita somente aos dois, mas a toda a equipe por trás que os ajuda na entrega, desde tour manager, iluminador, fotográfo, entre outras funções. O mais importante para os irmãos é ter uma boa equipe alinhada e que possa ajudar a entregar o melhor para os fãs.

Segundo Santti, projeto musical do matogrossense Lucas Lorenzetti, um bom DJ deve ter uma boa análise das pessoas para as quais ele se apresenta. "Além, é claro, das técnicas de mixagem, da escolha da próxima música que ele irá tocar, que é o seu maior desafio, pois precisa sempre estar buscando a atenção de seu público", contou.

O DJ revelação se destaca pelas parcerias com grandes nomes do cenário eletrônico, como: Vintage Culture, no remix oficial de "Céu Azul" para Charlie Brown Jr., "Sunshine" e “Sober” com Cat Dealers, juntas, somam 110 milhões de streams em uma das principais plataformas de streaming e o artista entra no grupo seleto de produtores nacionais com mais de um milhão de ouvintes mensais na mesma plataforma. Com mais de dez faixas prontas, o produtor e Dj já lançou faixas com Banda Eva, Manimal, JORD, Samhara e muitos outros.

Para André, do Audax, um show envolve se informar sobre o tipo de festa onde vai tocar, que tipos de artistas estarão presentes e qual é o perfil do público. "Isso importa principalmente quando o DJ está começando, quando o público não vai única e exclusivamente para te ver. Tem que entender o contexto, chegar antes, ter planos A, B e C. Olhar como está a pista e tentar ler as pessoas. Tem que procurar encaixar o trabalho neste contexto, além de mostrar o trabalho autoral. É bem trabalhoso", finalizou.

FUTURO

Apaixonados pelo gênero musical e pelo trabalho que exercem, os entrevistados apostam em horizontes mais ampliados com mais misturas entre outros ritmos e hits que furem a barreira nacional.

Os irmãos do Audax vivem no presente com a certeza de que a criatividade e a inovação sempre os levarão mais longe do que imaginam. A busca genuína pela música eletrônica atemporal, levou o trio a entender todo o caminho da Dance Music, onde estão sempre se reinventando sem esquecer suas raízes. 

"Desde a adolescência ouvimos Psy Trance. Depois, um pouco mais velhos, começamos a ouvir House, então foi uma atmosfera que sempre nos atraiu muito. Sempre tocamos instrumentos e gostamos muito de Rock e Eletrônica. Acabamos fazendo uma banda de rock por um tempo. Com o amor pela cultura Clubber, da Dance Music, resolvemos ir para este gênero", contou.

Para o futuro, os gêmeos mineiros pretendem projetar a carreira internacional ainda mais, expandindo a marca Dubdogz. "É nosso objetivo e sonho sermos cada vez mais reconhecidos fora do nosso país e podermos tocar nos maiores festivais do mundo. Estamos fazendo diversos lançamentos em gravadoras internacionais, além das mídias sociais e plataformas de streaming. Esperamos conseguir isso em breve e estamos super animados com essa nova fase", concluíram.

A Gazeta integra o

Saiba mais

Se você notou alguma informação incorreta em nosso conteúdo, clique no botão e nos avise, para que possamos corrigi-la o mais rápido possível

Para melhorar a sua navegação, A Gazeta utiliza cookies e tecnologias semelhantes como explicado em nossa Politica de Privacidade. Ao continuar navegando, você concorda com tais condições.

Bem-vindo

A Gazeta deseja enviar alertas sobre as principais notícias do Espírito Santo.