Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

Crítica

"A Dança da Morte", do Starzplay, estreia com um mórbido tom de realidade

A atração, baseada na obra de Stephen King, começa a ser exibida no próximo domingo (3), no streaming Starzplay
Gustavo Cheluje

Publicado em 

02 jan 2021 às 18:15

Publicado em 02 de Janeiro de 2021 às 18:15

Alexander Skarsgard e Ezra Miller estão no elenco da série
Alexander Skarsgard e  Ezra Miller em cena na série "A Dança da Morte" Crédito: Starzplay/Divulgação
"Enfrentaremos dias amargos, com morte, dor, traição e lágrimas. Nem todos vão conseguir sobreviver". A frase apocalítica, que poderia muito bem ser fruto da visão de um guru místico, em sua tentativa de adiantar os tempos sombrios dominados pela pandemia do novo Coronavírus, é dita por Mamãe Abigail (Whoopi Goldberg), logo na abertura da série "A Dança da Morte", que estreia neste domingo (3), no serviço de streaming Starzplay.  
Baseada no clássico literário "The Stand", lançado em 1978 pelo mestre do horror Stephen King (sempre ele), a trama de "A Dança da Morte", mesmo escrita há mais de 40 anos, traz mórbidas coincidências com os tempos atuais. 
É no mínimo incômodo acompanhar uma história em que 99% da população mundial foi dizimada por conta de um vírus mortal. Na obra de King, o micro-organismo, chamado na série de "Capitão Viajante", foi criado pelo exército americano para servir de arma biológica em uma provável guerra pela dominação global. 
Dando uma olhada nas redes sociais atualmente, a situação fica ainda mais "sinistra" se embarcarmos nas teorias de conspiração (todas sem comprovação científica) relacionadas à origem da Covid 19.
Coincidências à parte, "A Dança da Morte" deve ser encarado como o "apocalipse astral" de Stephen King, com o fim da vida sendo metáfora para a batalha clássica entre o bem e o mal. 
Quer uma prova? De um lado do "ringue", temos Abigail, que, na história, é bem fiel ao personagem bíblico, ou seja, "a mulher que foi escolhida por Deus para salvar a sua família".
Em
Em "A Dança da Morte", Whoopi Goldberg vive Mamãe Abigail, como na Bíblia, a mulher de Deus que salvou os homens Crédito: Starzplay/Divulgação
A personagem de Whoopi Goldberg, por meio de sonhos e delírios de "seus filhos", deve selecionar o exército do Todo Poderoso entre os "escolhidos", aqueles que sobreviveram à pandemia global (olha mais coincidência pintando na área). 
A peleja final é contra Randall Flagg (Alexander Skarsgard), vilão recorrente do universo do autor, aparecendo em obras como "A Torre Negra" e servindo de inspiração para a criação de Pennywise, em "It: A Coisa".
Flagg, que, do outro lado do ringue, também cria um exército, só que do "capiroto", prepara uma grande batalha entre sobreviventes em uma Las Vegas estilizada, representando a luxúria e a decadência que restou da raça humana. 

DECEPÇÃO

"A Dança da Morte" estreou há duas semanas nos Estados Unidos causando decepção nos fãs da obra de Stephen King. O motivo? Porque é impossível não comparar a nova atração à primeira adaptação do texto feita para a TV, uma primorosa minissérie lançada em 1994 que foi roteirizada pelo próprio autor e chegou a ganhar dois Emmy Awards, o Oscar da televisão americana. 
Cena da série "A Dança da Morte", de 1994: nova atração não é considerada um remake por muitos fãs Crédito: ABC/Universal/Divulgação
Estrelada por astros da época, como Gary Sinise e Molly Ringwald, "A Dança da Morte" seduzia por mesclar horror e drama na medida certa, em uma história que se destacava por seus efeitos digitais avançados para a década e por ser totalmente fiel ao texto de King, um livro extenso (com quase 1,3 mil páginas) e considerado por muitos críticos impossível de ser adaptado. 
Criada e dirigida por Josh Boone (do fracasso "Os Novos Mutantes"), a nova adaptação erra ao optar por uma narrativa não linear, portanto, não sendo fiel ao livro, algo imperdoável para uma história de horror clássica, que depende exclusivamente de ritmo para não naufragar. 
O programa (que terá nove episódios em sua primeira temporada) constrói uma história confusa, que perde em capacidade dramática, o que deve atrapalhar o interesse de quem não conhece a fundo a obra do criador de "O Iluminado".
Aqui, há algumas opções equivocadas, como trazer um primeiro episódio centrado nos dilemas do nerd Harold Lauder (Owen Teague, um bom ator subaproveitado), um personagem secundário no livro. Grande suporte de Randall Flagg, o piromaníaco Lixo Humano (Ezra Miller) nem sequer deu às caras. 
Reais protagonistas, Stu Redman (James Marsden) e Frannie Goldsmith (Odessa Young), parceiros de Deus na reconstrução da Terra em um mundo pós-vírus, não possuem a mesma força no primeiro episódio. 
No livro, e na série de 1994, são agentes catalisadores logo nos primeiros momentos, o que torna a narrativa mais acessível e dinâmica. Além disso, Marsden e Young não possuem um terço do carisma e talento de Gary Sinise e Molly Ringwald.

Este vídeo pode te interessar

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Imagem de destaque
Novos documentos mostram "contabilidade" do esquema de tráfico com policial do Denarc
Imagem de destaque
Estudo orienta inclusão de todos os municípios do ES na área da Sudene
Imagem de destaque
Jantar leve e saudável: 3 receitas com proteínas vegetais para o dia a dia

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados