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Opinião da Gazeta

Sequestros com Pix: crime não pode virar moda no Espírito Santo

É importante que a Polícia Civil tenha anunciado a criação de um núcleo especializado nesse tipo de crime. É necessário reunir expertise, para que haja mais eficiência nas investigações e nas prisões

Publicado em 15 de Dezembro de 2022 às 01:00

Públicado em 

15 dez 2022 às 01:00

Colunista

Grávida
Mulher é vítima de sequestro relâmpago em Jardim da Penha em novembro passado Crédito: Reprodução
Sequestro relâmpago é um crime já antigo no Brasil, e os últimos 30 anos mostram que ele passa por períodos em que é mais ou menos recorrente. Tudo depende do senso de oportunidade dos bandidos. Ou dos avanços tecnológicos. Nos anos 90 e 00, a captura de pessoas dentro de seus carros foi impulsionada pela popularização dos caixas eletrônicos nas cidades. Os criminosos abordavam as vítimas, circulavam com elas de carro e as obrigavam a realizar saques. 
Com a disseminação de aplicativos de bancos na última década, o caixa eletrônico passou a ser o próprio celular das vítimas. Mas o oportunismo dos bandidos só foi de fato aguçado com a implantação do sistema de pagamentos instantâneos pelo Banco Central.
Desde 2020, o Pix vem promovendo uma verdadeira revolução, além das próprias relações bancárias: o sistema vem desbancando o uso de cédulas e cartões nas transações comerciais do dia a dia. Uma facilidade tecnológica incontestável. Uma facilidade também para a bandidagem.
Nos últimos dois meses, a Grande Vitória viu crescer os casos de sequestros relâmpagos com foco na transferência por Pix. Foram nove casos noticiados entre 18 de outubro e 13 de dezembro, de acordo com levantamento deste jornal. A Secretaria de Estado de Segurança Pública e Defesa Social (Sesp) ainda não possui dados específicos sobre crimes com essa dinâmica, mas é relevante que essa estatística passe a estar no radar das autoridades.  Quem acompanha o noticiário nacional sabe que, desde o ano passado, o sequestro com Pix se popularizou, sobretudo em São Paulo. Demorou, mas a "novidade" parece ter chegado ao Espírito Santo. 
É importante, portanto, que a Polícia Civil tenha anunciado a criação de um núcleo especializado nesse tipo de crime. É necessário reunir expertise, para que haja mais eficiência nas investigações e nas prisões. É o tipo de abordagem criminosa que pode se valer dos cercos inteligentes para ser frustrada, nos casos em que os bandidos abandonam a vítima  e levam seu carro. Também é preciso impedir que se consolide a especialização nesse tipo de crime.
Até o momento, Jardim da Penha, em Vitória, tem sido o bairro mais visado. Assim como as mulheres têm sido o principal alvo. A Polícia Civil diz que não se trata de uma quadrilha, mas quanto mais rápido prisões forem efetuadas, maior a chance de conter esse surto de violência localizado.
Quando o sequestro relâmpago tinha foco nos saques em caixas eletrônicos, o aperfeiçoamento da segurança, como o estabelecimento de horários e limites de retirada e a instalação de câmeras, foi essencial para desencorajar os criminosos. Os casos foram reduzindo, a "moda" passou. Com o Pix, o usuário pode estabelecer limites de transferência e assim reduzir os prejuízos. Mas talvez a arma mais poderosa para inviabilizar esse tipo de crime seja estabelecer um rastreio rápido dos valores roubados. O bom e velho "siga o dinheiro" é totalmente possível.

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