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Opinião da Gazeta

Estabilização da Covid-19 no ES não é o fim da pandemia

O Espírito Santo avança no enfrentamento da pandemia, mas o contágio ainda não está controlado.  A socialização neste momento ainda é um risco para a população

Publicado em 29 de Julho de 2020 às 06:00

Públicado em 

29 jul 2020 às 06:00

Colunista

Quiosques da Curva da Jurema, em Vitória, ficaram cheios, mesmo com a pandemia
Quiosques da Curva da Jurema, em Vitória,  cheios, mesmo com a pandemia, em junho Crédito: Fernando Madeira
"Estável" tende a ser uma palavra perigosa, porque ela não se traduz por si mesma, carece sempre de contexto. Daí a proclamada estabilidade na curva do novo coronavírus no Espírito Santo não significar o fim da guerra, longe disso, mas uma nova fase desse enfrentamento coletivo, na qual o distanciamento social e o uso de máscaras permanecem imprescindíveis para uma nova rotina que permita a redução mínima de algumas restrições,  ainda que distante da tranquilidade que se aguarda na pós-pandemia. O relaxamento é algo que só será atingido com a imunização em massa da população. Coloca a própria vida e a dos outros em risco quem acredita que já é possível comemorar e socializar como antes. Não é.
O Espírito Santo, com destaque para a Grande Vitória, tem apresentado queda na taxa de transmissão do novo coronavírus desde o início de julho. Esse índice baseia-se em um cálculo que mede a velocidade com a qual o vírus se dissemina na população, o que tem sido constatado também entre os casos graves. O contágio, contudo, não está controlado. Só nesta terça-feira (28) foram 1.288 novos casos. E o número de mortos ainda é assustador: também nesta terça, mais 25 pessoas perderam a vida para a Covid-19 no Estado, elevando para 2.462 óbitos desde o início da crise sanitária em território capixaba.
As perdas para a doença não podem ser minimizadas, por mais que o índice de mortalidade seja considerado baixo, se comparado ao de outras doenças infecciosas com mais fatalidade. No Estado, a Covid-19 já se tornou, em apenas quatro meses, a principal causa de mortes em 2020, superando o câncer. Mortes por doenças cardiovasculares, homicídios e acidentes de trânsito já tinham ficado para trás em menos tempo de pandemia.
Todo cuidado ainda é pouco. Lojas, supermercados e shoppings, que têm permissão para funcionar, devem manter o controle de acesso, evitando a concentração de clientes. O transporte coletivo precisa garantir a segurança de seus usuários, com higienização e restrição de acesso para evitar a superlotação.
Os bares e os cinemas, ainda proibidos, devem permanecer assim por mais tempo, justamente para evitar a socialização e a aglomeração. A vida das pessoas, pelas circunstâncias trágicas deste 2020 fora da rota, passou a ser pautada pela necessidade; o lazer, importante até mesmo para a saúde mental, precisa se adaptar aos novos tempos. Reuniões de pessoas, sobretudo em ambientes fechados, continuam sendo um celeiro para o vírus. O cuidado mútuo continua sendo essencial.
O isolamento, mesmo que tenha sido mais efetivo somente no início da crise, teve resultados. Associado à ação de governo e municípios na gestão hospitalar, foi primordial para que, neste momento, a taxa de ocupação dos leitos de UTI para pacientes com a Covid-19 também se mantenha estável, permitindo que já se dê início à liberação de vagas, antes exclusivas para a pandemia, para outras doenças. É uma evolução incontestável, já que o maior temor era a saturação do sistema e a impossibilidade de dar tratamento aos quadros mais graves. Lembrando que o país passa por uma crise de abastecimento de medicamentos de UTI, a luz de alerta não pode se apagar.
Para haver tranquilidade real, a transmissão precisa cair substancialmente, algo que ainda não se avista no horizonte. Antes disso, é conveniente também se preparar para novas ondas: a estabilização é ainda apenas uma tendência. Não se pode esmorecer, ainda são necessários o isolamento quando possível e a máscara no rosto quando sair de casa. O senso de coletividade continua sendo primordial para reduzir o contágio. Cinco meses depois, é compreensível que as pessoas estejam cansadas, mas a responsabilidade de cada um ainda tem espaço para se sobrepor, pelo bem de todos.

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