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Opinião da Gazeta

Equador é exemplo do que pode dar (muito) errado na segurança pública

No cerne da crise de segurança pública está o tráfico de drogas. Não muito diferente de qualquer lugar da América Latina onde a violência esteja conflagrada

Publicado em 12 de Janeiro de 2024 às 01:00

Públicado em 

12 jan 2024 às 01:00

Colunista

Equador
Homens armados foram detidos após invadir estúdio de TV no Equador Crédito: Reprodução/redes sociais
É quase inevitável,  para quem vive no Espírito Santo, fazer uma associação entre a onda de violência no Equador e a crise de segurança pública de 2017, ou pelo menos ter alguns gatilhos com as imagens de ruas desertas ocupadas por tanques, enquanto as autoridades tentam colocar ordem no caos. Há sem dúvidas um sentimento de empatia pela população daquele país, baseado na nossa própria experiência.
Mas as comparações param por aí. A dimensão da tragédia no Equador é bem maior, com registros de sequestros de policiais, fugas de presos —  entre eles o narcotraficante Fito, chefe da facção Los Choneros, principal quadrilha criminosa do país ligada ao narcotráfico —, atentados com bombas e incêndios de veículos. Até quarta-feira, o número de mortes chegou a 13.
O episódio na emissora TC Televisión, em Guayaquil, nesta terça-feira (9), quando homens fortemente armados e encapuzados invadiram o estúdio, acabou alimentando ainda mais o clima de medo no país.
Na véspera, o presidente Daniel Noboa havia decretado estado de exceção; na terça, assinou novo decreto no qual reconheceu que o país enfrenta um "conflito armado interno", listando 22 organizações criminosas como terroristas e ordenando as Forças Amadas a  "neutralizar" os grupos citados.
No cerne da crise de segurança pública está o tráfico de drogas. Não muito diferente de qualquer lugar da América Latina onde a violência esteja conflagrada. O Equador viu, na última década, o crescimento da sua participação no tráfico internacional, em grande parte pela saída de cena das Farc, na Colômbia, e também pelo alinhamento de gangues equatorianas com os cartéis mexicanos. O lucrativo mercado internacional de entorpecentes não deixa vácuos.
Justamente por isso, é importante que o Brasil — e o Espírito Santo  — esteja atento ao que acontece ao seu redor. A cocaína produzida em países como Bolívia e Colômbia tem no país não só um mercado consumidor, mas uma rota para o resto do mundo. A demanda é alta, e as organizações criminosas se fortalecem com isso. Sempre há quem ocupe o protagonismo desse comércio ilegal.
No Espírito Santo, é essa mesma droga que mobiliza as gangues. É essa mesma droga que promove uma guerra nada silenciosa por territórios e mercado consumidor. A contabilidade dos homicídios, ano após ano, é alimentada por ela. Os presídios ficam lotados por causa dela. Enquanto não houver um debate maduro, honesto e sem hipocrisia, em nível mundial, sobre todos os aspectos da temática que envolve as drogas, o combate continuará sendo enxugar gelo.

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