Publicado em 10 de janeiro de 2024 às 05:56
Um grupo de homens encapuzados invadiu e rendeu funcionários da emissora TC, em Guayaquil, no Equador, ao vivo nesta terça-feira (9). Na transmissão, é possível ver armas e explosivos com o bando e ouvir o que parecem ser tiros ao fundo. Enquanto isso, pessoas gritam para que a polícia não apareça no local e não intervenha.>
Uma hora depois, a polícia equatoriana publicou em seu perfil oficial nas redes sociais imagens que mostram os invasores rendidos, deitados no chão de bruços e com as mãos atadas. De acordo com detalhes da Revista Vistazo, 13 pessoas foram detidas. Com elas, foram encontradas armas de fogo, munições e explosivos.>
Antes, o órgão havia postado vídeos em que atiradores de elite se posicionam no que aparenta ser uma via elevada nas proximidades da sede da rede e pessoas em trajes civis deixam o prédio.>
De acordo com descrição das imagens compartilhada pela Associação de Editores de Meios de Comunicação da América Latina e da União Europeia, uma das frases ditas pelos criminosos era: "Estamos ao vivo para que todos saibam que não se joga nem se desafia a máfia".>
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Um dos funcionários que estava no local durante o ataque enviou a um repórter da agência de notícias AFP uma mensagem em que dizia: "Entraram aqui para nos matar". A ameaça ao vivo durou cerca de 30 minutos, até que ocorreu a entrada das forças de segurança no local.>
Alguns dos presentes, que ligavam incessantemente para os números de emergência da polícia, relataram que havia ao menos dez homens encapuzados na gravação do telejornal El Noticiero.>
A ação ocorre em meio à irrupção de uma nova crise de violência no país. Só na madrugada desta terça, quatro policiais foram sequestrados e carros-bomba e explosivos foram detonados em várias cidades do país. Os atos, sem vítimas, mas aparentemente coordenados, foram descritos pela imprensa local como uma "noite de terror".>
Os episódios ocorreram após o recém-empossado presidente Daniel Noboa decretar estado de exceção na segunda (8). A medida, válida por 60 dias, inclui um toque de recolher de seis horas, de 23h às 5h.>
Segundo o presidente Noboa, eleito com um discurso punitivista que envolveria a criação de um "navio-presídio", declarar o estado de emergência permite que as Forças Armadas intervenham no sistema prisional. "Não negociaremos com terroristas nem descansaremos enquanto não devolvermos a paz aos equatorianos", afirmou.>
A ordem é citada em uma mensagem que um dos policiais sequestrados teria sido forçado a ler ao ser sequestrado em um vídeo divulgado nas redes sociais sua autenticidade não pôde ser verificada de maneira independente.>
"O senhor declarou guerra e vai ter guerra", afirma o agente, sentado no chão ao lado de dois colegas. "O senhor declarou estado de emergência; nós declaramos que a polícia, os civis e os militares são espólios de guerra. Qualquer pessoa encontrada nas ruas depois das 23h será executada.">
A situação de nova crise no sistema carcerário e no espaço público do país sul-americano foi iniciada pela fuga de Fito, chefe da gangue Los Choneros quadrilha que, ligada ao narcotráfico, é uma das principais do Equador, da prisão no último domingo (7).>
Na data, ocorria uma grande operação no centro penitenciário que tinha como objetivo transferir Fito dali, onde goza de ampla popularidade, para uma prisão de segurança máxima.>
Com os casos de violência se alastrando pelo país, Noboa publicou nesta terça uma diretiva em que declara oficialmente a existência de um "conflito armado interno".>
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