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Crise do coronavírus

Secretário defende congelar salário de servidor público

Após o agravamento da pandemia do novo coronavírus, o governo apresentou um pacote de enfrentamento da crise, que inclui a possibilidade de corte de jornadas e salários

Publicado em 14 de Abril de 2020 às 10:55

Redação de A Gazeta

Publicado em 

14 abr 2020 às 10:55
secretário de Política Econômica do Ministério da Economia, Adolfo Sachsida
Secretário de Política Econômica do Ministério da Economia, Adolfo Sachsida Crédito: Marcos Oliveira/Agência Senado
O secretário de Política Econômica do Ministério da Economia, Adolfo Sachsida, defendeu nesta terça-feira (14) que o governo congele o salário de servidores públicos. Para ele, a medida teria um aspecto moral ao demonstrar que todos estão dando sua parcela de contribuição.
Após o agravamento da pandemia do novo coronavírus, o governo apresentou um pacote de enfrentamento da crise, que inclui a possibilidade de corte de jornadas e salários e suspensão de contratos de trabalhadores da iniciativa privada.
Até o momento, porém, nenhuma medida que afete servidores públicos foi adotada pelo Executivo.
"Será que está correto algumas pessoas não perderem o emprego e manterem o salário? Um país é muito mais do que aspectos econômicos. Aspectos morais são importantes. Vamos ter que olhar com muita atenção a questão do funcionalismo público. Acho que está na hora de todos darem sua contribuição", disse em videoconferência promovida pela XP Investimentos.
O secretário ressaltou que a folha de pessoal representa o terceiro maior gasto do governo, depois das despesas com juros da dívida e a Previdência. Ele também argumentou que o serviço público tem distorções, como os elevados salários de entrada nas carreiras.
"Não é tão complicado assim você passar um ou dois anos sem reajuste. E a inflação está baixa", disse.
Nas negociações em torno do pacote de socorro a estados e municípios, o Ministério da Economia tentou condicionar a concessão de ajuda financeira ao congelamento de salário dos servidores. A medida, porém, sofre rejeição de parlamentares e não é unanimidade no governo, porque poderia gerar desgaste político em ano eleitoral.
Desde o ano passado, o governo elabora uma proposta de reforma administrativa para promover ajustes no serviço público, com corte no número de carreiras, fim da estabilidade, redução de salários de entrada e aprimoramento das avaliações de desempenho.
Diante de resistências do Congresso e do presidente Jair Bolsonaro, o texto ficou em compasso de espera nas gavetas do ministério. A crise do coronavírus suspendeu totalmente essa negociação.
Na videoconferência desta terça, Sachsida ainda afirmou que a recuperação da economia após a crise "realmente preocupa". Segundo ele, se um número elevado de empresas quebrarem agora, a retomada no futuro será dificultada.
O secretário disse que empresas desvalorizadas na bolsa passam a ter restrições de acesso ao crédito. Isso porque, com avaliação de patrimônio menor, as garantias para empréstimos e financiamentos também ficam menores.
Ele ressaltou, porém, que o conjunto de medidas adotado pelo governo busca mitigar esses efeitos da crise.

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