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Petrobras corta investimentos em 10% e reforça foco no pré-sal

O projeto traz projeção de aplicações de US$ 75,7 bilhões (cerca de R$ 322 bilhões, na cotação atual), dos quais 85% serão destinados à exploração e produção de petróleo

Publicado em 28/11/2019 às 14h58
Partida da P-74 do estaleiro EBR rumo ao campo de Búzios, no pré-sal da Bacia de Santos. Crédito:  Alaor Filho/Mirá Imagem
Partida da P-74 do estaleiro EBR rumo ao campo de Búzios, no pré-sal da Bacia de Santos. Crédito: Alaor Filho/Mirá Imagem

No primeiro plano estratégico no governo Jair Bolsonaro, a Petrobras reduziu em 10% a previsão de investimentos para cinco anos e decidiu focar ainda mais os recursos na exploração do pré-sal. A empresa pretende manter o ritmo de venda de ativos.

O Plano Estratégico 2020-2024, anunciado nesta quinta, traz projeção de investimentos de US$ 75,7 bilhões (cerca de R$ 322 bilhões, na cotação atual), dos quais 85% serão destinados à exploração e produção de petróleo.

O plano anterior falava em US$ 84,1 bilhões (R$ 357 bilhões) para o período entre 2019 e 2023. A Petrobras não explicou as razões para a queda. Durante o ano, porém, a empresa anunciou que não investirá mais em energias renováveis e que venderá metade de sua capacidade de refino.

"Essa alocação [de recursos] está aderente ao nosso posicionamento estratégico, com foco nos ativos de E&P [exploração e produção, especialmente no pré-sal, nos quais a Petrobras tem vantagem competitiva", disse a empresa, em nota divulgada nesta quarta.

O documento considera preços de petróleo mais baixos do que os atuais: US$ 50 (R$ 212) por barril nos próximos cinco anos e US$ 45 (R$ 191) no longo prazo. Na quarta-feira (27), o barril do Brent, negociado em Londres, fechou em US$ 63,01 (R$ 267).

A companhia espera colocar em operação 13 novos sistemas de produção de petróleo —que incluem plataformas e equipamentos submarinos. Em 2024, pretende atingir a produção de 3,5 milhões de barris de óleo equivalente (somado ao gás) por dia, crescimento de 30% com relação à meta de 2019.

Para 2020, a companhia não espera aumento de produção, diante de perdas de volumes com o declínio natural de campos mais antigos e concentração de paradas para manutenção de plataformas durante o ano.

No novo Plano Estratégico, a Petrobras passa a considerar um conceito de "produção comercial", que exclui da conta os volumes de gás que são reinjetados nos poços, consumidos em suas instalações ou queimados.

A produção comercial, portanto, é aquela que a companhia pode vender ao mercado. Em 2019, menos da metade da produção nacional de gás chegou ao mercado. O restante foi reinjetado ou consumido nas instalações da Petrobras.

O elevado volume de reinjeção (40,9 dos 118 milhões de metros cúbicos por dia produzidos até setembro), é motivo de preocupação no governo, que trabalha para ampliar a oferta do combustível no país.

No plano divulgado nesta quinta, a Petrobras prevê elevar a oferta de gás natural ao mercado em 33% até 2024, mas os volumes reinjetados ou usados em suas instalações ainda representarão metade da produção total.

O Plano Estratégico da Petrobras prevê a entrada de US$ 20 bilhões a US$ 30 bilhões (R$ 85 bilhões a R$ 127 bilhões) com a venda de ativos. O valor está em linha com o previsto no plano de investimentos anterior, que foi divulgado no fim de 2018, ainda no governo Michel Temer.

A venda de ativos e a maior geração de caixa devem reduzir a dívida bruta dos atuais US$ 90 bilhões (R$ 382 bilhões) para US$ 60 bilhões (R$ 255 bilhões) em 2021. A meta do plano é chegar a 2024 com o indicador de dívida líquida sobre Ebitda (indicador de geração de caixa) abaixo de 1,5 vez —era 2,4 vezes no terceiro trimestre.

Com a redução da dívida, a empresa diz que "aumentará a remuneração aos acionistas em linha com a política de dividendos já anunciada". A política prevê a divisão de parte da sobra de caixa com acionistas quando a dívida estiver abaixo de US$ 60 bilhões.

A estatal não dará entrevista ou fará teleconferência com analistas para detalhar o plano de investimentos –cuja divulgação se limitou a um comunicado de quatro páginas.

A direção da empresa só comentará o assunto na próxima semana, em eventos para investidores em Nova York e Londres.

O plano anterior foi o primeiro em quatro anos com aumento no valor de investimentos após o início da crise da companhia. Os US$ 84,1 bilhões anunciados foram a maior projeção de investimentos desde 2014, antes da crise.

Foi aprovado em dezembro, a menos de um mês da mudança de governo. Desde que assumiu, em janeiro, o presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, tem defendido aceleração no processo de venda de ativos e foco maior no pré-sal.

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"A Petrobras do futuro será uma companhia com retorno operacional superior ao custo de capital, posicionada em ativos de classe mundial, com operação focada em óleo e gás", disse, em nota, a companhia.

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