Publicado em 4 de março de 2023 às 17:20
RIO DE JANEIRO - Os sete governadores dos estados do Sul e do Sudeste manifestaram neste sábado (4) apoio à reforma tributária e solicitaram revisão da dívida dos Estados e ampliação do debate no âmbito do Pacto Federativo.>
Com a participação do governador do Estado, Renato Casagrande, eles divulgaram uma carta no encerramento da Cosud (Consórcio de Integração Sul e Sudeste), que ocorreu durante três dias na FGV (Fundação Getúlio Vargas), no Rio de Janeiro.>
"Considero que se o Brasil tivesse um equilíbrio fiscal adequado seria muito mais fácil para a União abrir mão de recursos. Se os nossos Estados também tivessem as mesmas condições de fazer repasses aos municípios seria muito mais fácil. Mas, dentro daquilo que é possível a gente fazer, é preciso desburocratizar”, afirmou Casagrande.>
Além do compromisso dos Estados do Cosud em trabalhar em conjunto com os governos federal e municipais na aprovação de uma reforma tributária, o documento quer a preservação da autonomia dos governos para realizar políticas de fomento ao desenvolvimento local.>
>
Para isso, uma das alterações em discussão é a mudança da tributação do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) da origem para o destino.>
Segundo os governadores, a dívida do Sul e do Sudeste com a União chega a R$ 630 bilhões, o que corresponde a 93% do débito de todas as unidades da Federação com o governo federal.>
A carta propõe uma repactuação dos critérios de correção da dívida, que vem sendo atualizada pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) mais 4% ou a Selic (os juros básicos), o que for menor.>
"É impensável que, num ambiente onde o crescimento econômico é muito inferior aos encargos dos contratos de dívida com a União, os estados paguem suas dívidas e ainda invistam em infraestrutura, modernização e na manutenção dos serviços públicos essenciais. É necessário que esses contratos passem a ter seus encargos compatíveis com o comportamento da economia nacional", diz um trecho.>
"Os estados do Sul e do Sudeste respondem por 80% da arrecadação de impostos federais. Quanto mais organizarmos a vida financeira desses estados, mais vamos nos desenvolver e mais impostos federais serão gerados. Quando o Brasil recebe mais, todos os estados são beneficiados por meio dos fundos de participação", afirmou o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL).>
No documento, os Estados também pedem que atos que representem aumento nas despesas não sejam implementados sem uma discussão prévia.>
"Obrigações não podem ser impostas aos Estados sem a devida contrapartida, especialmente as financeiras. Quando isso acontece, a população acaba pagando a conta", disse Leite.>
Os governadores defenderam um novo pacto federativo, no qual o governo federal não crie novas despesas e pisos salariais que afetem os entes e que seja feita a compensação por perda com ICMS de combustíveis.>
"Nossa grande preocupação é com o pacto federativo, quando a União unilateralmente corta impostos dos estados que precisam para seus compromissos ou quando a União coloca despesas para os mesmos, como aconteceu em 2022. Essa revisão do pacto federativo é fundamental", disse o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo).>
"Os estados estão extremamente pressionados", acrescentou o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB).>
Os integrantes do Cosud ressaltaram, ainda, a importância do fortalecimento das agências regulatórias para regulamentar e fiscalizar as concessões de serviços públicos.>
O próximo encontro do grupo está previsto para ocorrer em junho, em Minas Gerais.>
Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem.
Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta