Publicado em 5 de março de 2026 às 14:28
Em um mercado que fala diariamente sobre inteligência artificial, pode parecer improvável que um software lançado em 1985 continue influenciando processos seletivos. Mas os números mostram o contrário. Uma análise da Course Report, com base em mais de 12 milhões de anúncios publicados na plataforma Indeed, identificou que o termo “Microsoft Excel” apareceu em cerca de 531 mil vagas, volume superior ao de linguagens como Python, SQL e outras habilidades técnicas. >
Quase quatro décadas após seu lançamento, o Excel não apenas sobreviveu à revolução digital como se consolidou como infraestrutura básica de empregabilidade. Em muitas empresas, saber utilizar a ferramenta deixou de ser diferencial e passou a ser critério eliminatório. >
O avanço da inteligência artificial não tornou a planilha obsoleta. Pelo contrário, aumentou a necessidade de profissionais capazes de organizar dados, estruturar análises e interpretar indicadores antes mesmo de automatizá-los. Com base na experiência acumulada, Alfredo Araújo, professor de Excel da Hashtag Treinamentos (empresa brasileira de formação em hard skills ), aponta quais são as competências que realmente elevam o nível técnico e ampliam a empregabilidade e o potencial de receber aumentos salariais. Confira: >
Saber inserir números é básico. Saber transformar milhares de linhas em relatórios estratégicos é outro patamar.Tabelas dinâmicas permitem resumir dados, cruzar informações por período, região ou produto e gerar análises que apoiam decisões. >
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Em áreas como finanças, marketing, RH e operações, essa habilidade representa autonomia e capacidade analítica,duas competências diretamente associadas ao crescimento profissional.SegundoAlfredo Araújo, esse é um dos primeiros pontos que separam o usuário intermediário do profissional avançado. >
Grande parte do trabalho corporativo envolve comparar listas, integrar informações e validar dados.E funçõesquepermitem automatizar esse processo, reduzir erros manuaise ganhar eficiênciasão extremamente valorizadas pelos empregadores. Profissionais que dominam essas fórmulas deixam de executar tarefas repetitivas e passam a estruturar processos.Este tipo decompetência é frequentementetestadaem processos seletivos para áreas administrativas, financeiras e analíticas. >
Antes de analisar, é preciso organizar. Saber estruturar planilhas como bases de dados,com colunas padronizadas, ausência de células mescladas desnecessárias e organização lógica,é o que permite análises confiáveis e escaláveis. “Muitos erros nas empresas não estão na fórmula, mas na base desorganizada”, explica o especialista da Hashtag. A capacidade de estruturar corretamente os dados está diretamente ligada à confiabilidade e maturidade profissional. >
À medida que o volume de dados cresce, repetir tarefas manualmente deixa de ser viável.Ferramentas como o Power Query, integrado ao Excel, permitem importar, limpar e transformar grandes volumes de dados automaticamente. Pequenas automações economizam tempo, reduzem falhas e aumentam produtividade. Profissionais que dominam esses recursos passam a ser percebidos como otimizadores de processos,um perfil cada vez mais valorizado. >
A inteligência artificial já está integrada ao Excel por meio de assistentes como oCopilot, além de ferramentas externas que sugerem fórmulas e análises.Mas a tecnologia não substitui a lógica.“A IA responde ao comando que recebe. Se o profissional não entende o que está pedindo ou como interpretar o resultado, pode apenas automatizar um erro”, afirma Alfredo Araújo. >
Em um mercado orientado por dados, saber usar a inteligência artificial como aliada,não como muleta,tornou-se parte do pacote de competências exigidas. Quase 40 anos depois de seu lançamento, o Excel permanece no centro do mundo corporativo. Não por nostalgia, mas por funcionalidade. >
A diferença entre manter-se no básico ou avançar na carreira está no nível de domínio da ferramentaeno esforço contínuo de atualização.O velho quarentão pode ter nascido em 1985. Mas continua decidindo vagas em 2026. >
Por Lili Luchin >
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