Publicado em 13 de junho de 2024 às 19:09
SÃO PAULO - Num dia de agenda esvaziada, o dólar registrou queda de 0,70% e fechou cotado a R$ 5,367 após pronunciamento do ministro Fernando Haddad (Fazenda), que tentou acalmar o mercado após os recentes ruídos da política econômica, sobre a agenda de cortes de gastos do governo. Já a Bolsa brasileira recuou 0,30%, aos 119.567 pontos.>
Nesta quinta (13), Haddad afirmou, ao lado da ministra Simone Tebet (Planejamento), que pediu à equipe econômica um ritmo mais intenso de trabalhos na discussão sobre a agenda de corte de gastos e que será construído um extenso cardápio de alternativas.>
"Começamos aqui a discutir 2025, a agenda de gastos. O que a gente pediu foi uma intensificação dos trabalhos, para que até o final de junho nós possamos ter clareza do orçamento de 2025, estruturalmente bem montado, para passar tranquilidade sobre o endereçamento das questões fiscais do país", afirmou.>
O pronunciamento ocorre um dia após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ter causado temores no mercado ao sugerir que o ajuste fiscal se daria através de um aumento na arrecadação, sem citar cortes de despesas.>
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Já Tebet afirmou que em um cardápio de "A a Z" de medidas em avaliação, a revisão dos pisos de gastos em saúde e educação está "no final do alfabeto".>
Além disso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) saiu em defesa de Haddad nesta quinta (13), após a percepção de enfraquecimento do ministro ter crescido nesta semana.>
"Eu não tenho nada contra o Haddad. O Haddad é um extraordinário ministro", disse Lula, ao ser questionado sobre o assunto.>
Para completar, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou que a alta recente do dólar é "momentânea" e que o governo tem confiança de que as cotações irão cair. "Nós temos absoluta confiança que o dólar vai cair, isso é uma coisa momentânea", disse.>
Alckmin pontuou ainda que o governo tem compromisso com o equilíbrio fiscal e o controle da inflação.>
As falas de Lula, Haddad e Alckmin ocorreram entre o fim da manhã e o início da tarde, quando o dólar passou a registrar perdas mais consistentes.>
Além da situação fiscal brasileira, a economia americana também segue em foco, e investidores estão alinhando apostas sobre o início do ciclo de corte de juros nos Estados Unidos, após a última decisão do Fed (Federal Reserve, o banco central americano).>
Na quarta (12), o banco central dos EUA decidiu manter os juros do país inalterados na faixa entre 5,25% e 5,50% e sinalizou que deve realizar apenas um corte nas taxas neste ano. A maior parte do mercado, no entanto, segue projetando duas reduções, em especial após um dado de inflação que surpreendeu positivamente os analistas e o próprio Fed.>
A questão, agora, é quando esse corte ocorrerá, com agentes dividindo-se entre a reunião de setembro e a de novembro.>
"Os formuladores de políticas mostraram no seu resumo de projeções econômicas que preveem reduzir o juro apenas uma vez em 2024, em vez das três reduções previstas em março, embora o presidente Jerome Powell tenha mantido a possibilidade de mais cortes. Ainda assim, os investidores mantêm na curva americana apostas elevadas de que o Fed reduzirá as taxas em setembro", diz a equipe da Guide Investimentos.>
Preocupações com o cenário fiscal do país, no entanto, seguem no radar dos investidores, limitando os ganhos da Bolsa.>
"O Ibovespa hoje operou de lado, em uma tentativa de segurar os 120 mil pontos frente a um cenário de ruído fiscal elevado. A dúvida do mercado gira em torno da capacidade do governo de entregar as metas determinadas pelo arcabouço fiscal, que vem perdendo a credibilidade com as alterações no último mês e com a dificuldade de aprovação das medidas de aumento de arrecadação do governo junto ao Congresso", afirma Jaqueline Kist, sócia da Matriz Capital>
No Ibovespa, as principais quedas do dia foram da Petrobras e do setor financeiro.>
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