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Compra de vacinas segura queda na Bolsa e derruba o dólar nesta quarta

Após anúncio do governo, dólar saiu da casa dos R$ 5,75 para R$ 5,63 em poucos minutos, e fechou o dia em R$ 5,66. Bolsa, que chegou a ter queda superior a 3%, terminou o dia com uma leve baixa

Publicado em 03/03/2021 às 19h36
Atualizado em 03/03/2021 às 19h36
Economia do ES começa a se recuperar após a crise causada pelo coronavírus
Coronavírus e a economia. Crédito: Stock/Adobe

O mercado financeiro viveu nesta quarta-feira (3) uma verdadeira montanha-russa, indo do inferno ao céu em poucas horas. Após uma manhã de tensão entre investidores, com temores quanto ao avanço da pandemia e as especulações de que o teto de gastos seria furado, a Bolsa de Valores brasileira, que apresentava perdas superiores a 3%, reagiu e por pouco não conseguiu fechar o dia em alta. Já o dólar, que chegou a bater em R$ 5,77, terminou em queda, cotado a R$ 5,6643.

O Banco Central chegou a injetar US$ 2 bilhões em recursos para ajudar a conter a disparada do dólar, mas o verdadeiro motivo da queda foi outro: a notícia de que o governo federal fechou a compra de lotes de 100 milhões da vacina da Pfizer e da Janssen

Após o anúncio, em poucos minutos foi vista uma virada surpreendente. O dólar zerou a alta e saiu da casa dos R$ 5,75 para R$ 5,63, nas mínimas do dia. Além disso, declarações do presidente da Câmara, Arthur Lira, quase em paralelo ao anúncio das vacinas, prometendo respeitar o teto de gastos também tiveram peso importante na melhora do câmbio.

"Tudo vai depender de vacina, vacina é fundamental. Se a gente conseguir ter uma quantidade suficiente de vacina até o primeiro semestre, pode dar uma acelerada no segundo semestre e ter um crescimento maior, caso contrário, pode ter crescimento menor", comentou o economista-chefe da Genial Investimentos, José Marcio Camargo, em live nesta tarde. 

Camargo observa, porém, que está havendo falta de vacinas no mundo, com países que compraram e ainda não conseguiram as doses "Na hora em que os países desenvolvidos conseguirem vacinar a maior parte de sua população, vai sobrar vacina no mundo."

Em um horizonte de tempo, isso pode ocorrer no segundo semestre. "O problema do Brasil é conseguir a vacina agora." A dúvida é quando a Pfizer vai disponibilizar estas vacinas do contrato com o Brasil, ressaltou o economista. Do ponto de vista de reativação da atividade econômica, o quanto antes o país tiver as doses, melhor.

"Se a gente conseguir trazer essas 100 milhões de doses, é algo já relevante. Quanto mais rápido a gente andar, traz fôlego maior para a atividade econômica", comentou a sócia-diretora da Tendências Consultoria, Alessandra Ribeiro, na mesma live. "O quadro pandêmico está pior do que se imaginava e as dúvidas em relação ao quadro fiscal estão muito fortes", disse ela, prevendo Produto Interno Bruto (PIB) negativo no primeiro trimestre.

"Estamos vendo o câmbio em outro patamar, em R$ 5,75, o Banco Central tentando brigar, colocando dinheiro no mercado, e claro, é super difícil. Os fatores que estão por trás o BC não consegue mudar", afirma a economista. Em seu cenário, ainda está a manutenção do pilar fiscal no Brasil, com o teto respeitado e sem gastos fora, além da aprovação da PEC Emergencial.

"Tirar o Bolsa Família do teto de gastos seria péssimo", disse Camargo. No final da tarde, o presidente da Câmara dos Deputados afirmou que "são infundadas todas as especulações sobre furar o teto. Tanto o Senado quanto a Câmara votarão as PECs sem nenhum risco ao teto de gastos, sem nenhuma excepcionalidade ao teto."

SESSÃO VOLÁTIL NA BOLSA

O clima foi o mesmo no Ibovespa, que saiu de perdas superiores a 3% no pior momento do dia, a caminho então do menor nível de fechamento desde 23 de novembro, aos 107.465 pontos na mínima da sessão, para tocar máxima a 112.398,24 pontos, em alta de 0,77%. A sinalização de Lira e o anúncio das vacinas também foi a injeção de ânimo nos investidores de ações.

No fechamento, o índice da B3 ainda teve leve baixa de 0,32%, aos 111.183,95 pontos, com giro financeiro a R$ 48,8 bilhões. Na semana, o índice acumula ganho de 1,04%, com perdas a 6,58% no ano.

Entre os carros-chefes do Ibovespa, Petrobras ON e PN chegaram a mostrar perdas acima de 6%, para fechar respectivamente em baixa de 4,29% e 3,64%, com a decisão de quatro conselheiros de deixar a empresa após o governo ter encaminhado a substituição do economista Roberto Castello Branco pelo general Joaquim Silva e Luna, em meio à insatisfação de Bolsonaro com os reajustes nos preços de combustíveis, especialmente o diesel.

Embora sem o mesmo peso sobre os preços da ação, chegou à atenção do mercado a volumosa operação com opções de venda da Petrobras depois de reunião palaciana em Brasília na qual a substituição teria sido definida, o que pode resultar em investigação pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Na ponta do Ibovespa nesta quarta-feira, destaque para alta de 4,61% para PetroRio, à frente de Magazine Luiza (+3,50%) e de Bradesco ON (+2,02%). Maior perda do Ibovespa na sessão, Pão de Açúcar caiu 5,61%, com CVC em baixa de 4,53% e Petrobras ON, de 4,29%.

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