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Formado em Economia pela Universidade Federal do Espírito Santo. Começou a carreira operando ações na antiga corretora do Banestes e há 5 anos é chefe da mesa de renda variável da Valor Investimentos. Sócio desde 2018 e um dos responsáveis pelo comitê de alocação de ativos. CFA® Program participant, CFA Institute.

Como a possível recessão na economia americana afeta a brasileira

A possibilidade de recessão na economia americana é alta e cada vez mais parece inevitável. Um tranco na maior economia do mundo certamente será sentido aqui

Vitória
Publicado em 12/05/2022 às 09h06

Há poucas semanas discutimos aqui na coluna sobre a trajetória de crescimento da economia brasileira, bem como nossa expetativa de inflação para 2022. De lá para cá, mudamos um pouco nossa previsão e o prognóstico é um pouco melhor do que o que desenhamos para o caso brasileiro.

Esperávamos que o PIB do Brasil não fosse crescer nada esse ano, em uma desaceleração normal depois de um ano de 2021 de crescimento forte. Atualizando nossos números, esperamos crescimento entre 0,5% e 1%, puxado principalmente pelo nosso setor agroexportador. Além do sempre presente agro, os dados de vendas do varejo vieram acima das expectativas de todos nós, um alento para um setor que vem sofrendo nos últimos meses.

Por outro lado, a inflação não parece dar sinais de desaquecimento e a política de zero Covid na China ameaça as cadeias de suprimentos novamente. Uma possível interrupção, como vimos em março e abril de 2020, poderia provocar uma nova escalada no preço das matérias primas e ser o golpe de minerva para setores que já estão frágeis. Precisamos acompanhar bem de perto a economia chinesa, que assim como nos últimos anos, parece ser o principal motor do crescimento mundial.

Pedidos de auxílio-desemprego sofreram redução nos Estados Unidos
A possibilidade de recessão na economia americana é alta e cada vez mais parece inevitável . Crédito: Tim Mossholder/ Pexels

Sob a perspectiva global, vemos dois vetores e momentos bens distintos em conflito. De um lado, as economias americana e europeia dão sinais cada vez mais claros de que devem entrar num ciclo de contração monetária (aumento de juros). Do outro, a economia chinesa colocando lenha na fogueira para crescer.

No caso americano a preocupação é um pouco maior, uma vez que temos um mercado de trabalho em pleno emprego, juros crescentes e pouco espaço para estímulos monetários e fiscais. Além disso, experimentados mais de uma década de crescimento econômico forte e expansão da renda da população.

Em nossa visão, a possibilidade de recessão na economia americana é alta e cada vez mais parece inevitável. Um tranco na maior economia do mundo certamente será sentido aqui, e a grande pergunta que fica, na minha visão, é quando isso vai acontecer.

Importante lembrar que recessão não implica crise, é um movimento normal da economia e faz parte dos grandes ciclos. O processo é saudável apesar de ser doloroso e é necessário para nações que querem experimentar crescimento sustentável de longo prazo.

Vamos acompanhar os dados de trabalho e trajetória de juros americana de perto, bem como a politica de zero Covid da China e o conflito entre Rússia e Ucrânia. O ano, que já é difícil, tem cara de que não vai ficar mais fácil.

Seguimos.

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